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A Terra está girando mais devagar do que em qualquer momento dos últimos 2 milhões de anos e a culpa é das mudanças climáticas, estudo revela que o aumento do nível do mar está literalmente desacelerando o nosso planeta como nunca antes

Estudo revela que a Terra está desacelerando sua rotação a uma taxa sem precedentes de 1,33 milissegundo por século, causada pelas mudanças climáticas que elevam o nível do mar e redistribuem massa ao redor do planeta, freando o giro como uma patinadora que abre os braços no gelo.

Terra está girando mais devagar do que em qualquer momento dos últimos 2 milhões de anos, e a causa não tem nada a ver com processos geológicos naturais. Segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Geophysical Research: Solid Earth, a elevação do nível do mar provocada pelas mudanças climáticas está redistribuindo massa ao redor do planeta de uma forma que freia a rotação terrestre. A taxa atual de desaceleração, de 1,33 milissegundo adicional por século na duração média de um dia, foi classificada pelos pesquisadores como algo de escala sem precedentes.

Conforme o portal Galileu, na prática, ninguém consegue sentir essa diferença no cotidiano, já que estamos falando de milissegundos. Mas o dado carrega um significado científico profundo. O principal autor do estudo, Kiani Shahvandi, afirma que nunca antes na história registrada a Terra desacelerou tão rapidamente, nem mesmo há 2 milhões de anos, quando o único período comparável foi identificado por meio de análises químicas de fósseis marinhos. O fenômeno é mais um sinal de que as mudanças climáticas estão alterando dinâmicas planetárias que vão muito além do que se vê na superfície.

Como a elevação do nível do mar consegue frear a rotação da Terra

O mecanismo por trás da desaceleração é mais intuitivo do que parece. Kiani Shahvandi utiliza uma comparação simples: quando uma patinadora artística gira no gelo, ela fica mais lenta ao abrir os braços e mais rápida ao recolhê-los junto ao corpo.

O mesmo princípio se aplica à Terra. Quando as geleiras nos polos derretem e a água se redistribui para regiões mais próximas do equador, a massa do planeta se afasta do eixo de rotação, exatamente como os braços da patinadora se afastam do corpo, e o giro desacelera.

elevação do nível do mar é o fator que torna esse processo mensurável. A água que antes estava concentrada em geleiras nos polos, contribuindo para uma distribuição de massa mais compacta, agora se espalha pelos oceanos em latitudes mais baixas.

Essa redistribuição aumenta o momento de inércia do planeta e reduz a velocidade angular da Terra, um efeito que, embora minúsculo em termos absolutos, é detectável por instrumentos de precisão e acumula consequências ao longo do tempo.

O que os fósseis de 3,6 milhões de anos revelaram sobre a rotação do planeta

Para determinar que a taxa atual de desaceleração é inédita, os pesquisadores precisaram comparar o presente com o passado distante. A equipe analisou fósseis de foraminíferos bentônicos, organismos marinhos unicelulares cujas conchas registram informações químicas sobre as condições oceânicas ao longo de milhões de anos.

Essas análises permitiram reconstruir mudanças no nível do mar ao longo de 3,6 milhões de anos e, a partir desses dados, calcular as correspondentes variações na duração dos dias da Terra.

O resultado foi revelador. Apenas uma vez na história, há cerca de 2 milhões de anos, a taxa de variação na duração do dia se aproximou dos níveis atuais, mas nunca os igualou.

Nunca antes ou depois desse período a Terra desacelerou tão rapidamente como entre os anos 2000 e 2020, segundo Shahvandi.

A velocidade com que o nível do mar está subindo na era contemporânea, impulsionada pelo derretimento de geleiras e pela expansão térmica dos oceanos, não tem paralelo no registro geológico recente.

Por que milissegundos importam e o que muda com a Terra girando mais devagar

Poucos milissegundos a mais na duração de um dia podem parecer irrelevantes para a vida cotidiana, e de fato são imperceptíveis para os sentidos humanos. Mas a rotação da Terra serve como base para sistemas de medição de tempo que afetam tecnologias essenciais.

Os relógios atômicos, que definem o tempo oficial do mundo, precisam ser periodicamente ajustados para permanecer alinhados à rotação real do planeta, e esses ajustes, chamados de segundos intercalares, dependem diretamente da velocidade com que a Terra gira.

Relógios atômicos são usados em redes de computadores, sistemas de navegação por satélites como o GPS, comunicações militares e operações financeiras de alta frequência.

Uma desaceleração contínua na rotação da Terra exige ajustes mais frequentes nesses sistemas, e qualquer descompasso entre o tempo atômico e o tempo astronômico pode causar falhas em tecnologias que dependem de sincronização precisa.

É uma consequência prática de um fenômeno que, na escala humana, parece abstrato, mas que na escala tecnológica é absolutamente concreto.

A conexão direta entre mudanças climáticas e a dinâmica de rotação do planeta

O estudo reforça uma mensagem que a comunidade científica vem repetindo: os efeitos das mudanças climáticas não se limitam a temperaturas mais altas, eventos extremos e perda de biodiversidade.

O derretimento de geleiras está alterando a própria forma como a Terra se move no espaço, um impacto que conecta o aquecimento global a processos geofísicos fundamentais.

elevação do nível do mar, que já ameaça cidades costeiras e ecossistemas inteiros, agora também se revela como um fator que interfere na rotação planetária.

A pesquisa não foi a primeira a identificar a relação entre clima e rotação da Terra, mas foi a primeira a demonstrar que a taxa atual de desaceleração é sem precedentes em milhões de anos.

Entre 2000 e 2020, a velocidade de elevação do nível do mar e a consequente redistribuição de massa atingiram patamares que nenhum período anterior dos últimos 3,6 milhões de anos conseguiu igualar.

Para os pesquisadores, o dado funciona como mais um indicador da urgência de se enfrentar as causas do aquecimento global antes que seus efeitos se tornem ainda mais difíceis de reverter.

O que a ciência espera para o futuro da rotação da Terra se nada mudar

Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem nos níveis atuais e o derretimento de geleiras se acelerar conforme projetado pelos modelos climáticos, a tendência é que a desaceleração da Terra se intensifique nas próximas décadas. 

Mais água concentrada nos oceanos equatoriais significa mais massa afastada do eixo de rotação, e portanto dias progressivamente mais longos, mesmo que a diferença continue sendo medida em milissegundos.

O efeito é cumulativo e, ao longo de séculos, pode exigir mudanças significativas na forma como a humanidade mede e sincroniza o tempo.

O estudo publicado em março de 2026 é um lembrete de que as mudanças climáticas operam em escalas que a maioria das pessoas nunca imaginou. Não se trata apenas de calor, chuva ou gelo: trata-se de alterar a mecânica fundamental de um planeta que gira há 4,5 bilhões de anos.

A Terra continua girando, mas um pouco mais devagar a cada ano, e pela primeira vez na história a razão principal é a ação humana. Essa é, talvez, a medida mais literal de como estamos mudando o mundo em que vivemos.

Você sabia que as mudanças climáticas estão desacelerando a rotação da Terra? Esse tipo de informação muda a forma como você enxerga o aquecimento global?

Fonte: Click Petroleo e Gas

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