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Fogão a lenha pode gerar multa de até R$ 10 mil no Brasil com lei ambiental que prevê punição nesses casos

O fogão a lenha continua muito presente nas casas brasileiras, seja por tradição, economia ou preferência culinária, mas a principal dúvida é se ele pode gerar problemas legais ou multa; na prática, o que a lei observa não é a existência do equipamento em si, e sim o impacto da fumaça na vizinhança e no meio ambiente, à luz da legislação ambiental e do direito de vizinhança.

Fogão a lenha é permitido pela lei brasileira?

Possuir fogão a lenha em residências não é proibido pela legislação brasileira, tanto em áreas urbanas quanto rurais. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) não impede o equipamento, mas prevê punições quando há poluição capaz de causar danos à saúde humana ou ao meio ambiente, especialmente pelo que dispõe o artigo 54 sobre emissão de poluentes.

Assim, fogão a lenha, churrasqueira ou outras fontes de combustão só se tornam problema jurídico quando a fumaça extrapola o espaço privado e interfere na qualidade do ar de terceiros. Nessas situações, podem ocorrer sanções administrativas, civis e até penais, a depender da gravidade, da reincidência e da comprovação de dano ou risco relevante.

Em quais situações o fogão a lenha pode gerar multa?

As multas geralmente surgem após denúncias de vizinhos ou vistorias de órgãos ambientais, que avaliam se a fumaça configura poluição atmosférica ou mero incômodo pontual. Quando a emissão é constante, densa ou resulta de queima inadequada, a situação tende a ser enquadrada como infração ambiental, sujeita às regras do Decreto nº 6.514/2008.

Nesse tipo de fiscalização, alguns fatores costumam ser considerados para caracterizar a infração e definir a eventual penalidade:

  • Intensidade e frequência da fumaça: se a fuligem invade casas vizinhas de forma recorrente.
  • Tipo de material queimado: uso de lixo, plásticos, borrachas e resíduos domésticos agrava a poluição.
  • Estrutura do fogão ou forno: ausência de chaminé ou dutos mal dimensionados aumenta o impacto.
  • Localização do imóvel: áreas densas, com casas muito próximas, tendem a sofrer mais com a fumaça.

Abaixo estão os principais motivos de multa e os valores previstos na legislação brasileira (dados referentes a 2025/2026):

  • Poluição atmosférica que cause danos à saúde: R$ 5.000 a R$ 50.000.
  • Emissão de fumaça, fuligem ou odores (incômodo à vizinhança): R$ 1.000 a R$ 10.000.
  • Queima de resíduos domésticos ou lixo a céu aberto/fogão: R$ 500 a R$ 5.000.

O que a Justiça decide sobre fogão a lenha e fumaça?

Decisões recentes mostram que o tema não se limita à esfera administrativa, alcançando o direito de vizinhança. Tribunais estaduais reconhecem que a fumaça contínua de fogão a lenha pode configurar interferência indevida no sossego, na saúde e no bem-estar de moradores próximos, especialmente quando há laudos médicos e perícias ambientais comprovando danos.

Há casos em que a Justiça determinou a demolição da estrutura do fogão que gerava poluição e fixou multa diária de até R$ 10 mil pelo descumprimento. Noutros, o proprietário foi obrigado a adaptar a chaminé, mudar o local do equipamento ou indenizar vizinhos, reforçando que o uso responsável é condição para manter o fogão a lenha.

Qual é a diferença entre ter e usar fogão a lenha?

É essencial distinguir a mera posse do fogão a lenha do uso efetivo que gera fumaça para além do imóvel. Manter o equipamento em casa não é irregular por si só; o problema jurídico surge quando o uso provoca emissões em níveis capazes de afetar terceiros, sobretudo em áreas urbanas densamente ocupadas.

Na prática, avaliam-se a distância entre construções, a circulação de ar, a existência de chaminé ou exaustão adequadas, o histórico de reclamações e as medidas de redução de impacto, como uso de lenha seca e manutenção periódica. O fogão a lenha é visto como permitido, porém condicionado a um uso que não ultrapasse o limite do imóvel com fumaça incômoda ou perigosa.

Como usar o fogão a lenha com segurança legal e respeito aos vizinhos

Para reduzir o risco de autuações e conflitos, é importante adotar cuidados técnicos e de convivência. Instalação correta, combustível adequado, manutenção regular e diálogo com a vizinhança costumam diminuir o incômodo e as chances de o caso chegar à fiscalização ou ao Judiciário.

Se você já tem ou pretende instalar um fogão a lenha, ajuste o uso agora: revise chaminés, evite queimar resíduos, observe se há reclamações e faça adaptações antes que a situação se torne um processo ou uma multa pesada. Em caso de dúvida, busque orientação jurídica ou técnica especializada e não espere o problema explodir na forma de denúncia ou ordem judicial — proteja sua tradição sem colocar em risco sua tranquilidade e seu bolso.

Fonte: Estado de Minas

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