Lula disse em Sorocaba que vai incluir estudantes inadimplentes do FIES no programa de renegociação de dívidas. São 160 mil com parcelas atrasadas e R$ 1,8 bilhão em saldo devedor. Ele comparou: preso custa R$ 40 mil por ano, estudante custa R$ 16 mil. E sugeriu que cada deputado use suas emendas pra construir uma escola.
O presidente fez a declaração durante a inauguração de um campus do Instituto Federal em Sorocaba (SP). O saldo devedor dos inadimplentes do FIES chega a R$ 1,8 bilhão. Lula não detalhou as condições da renegociação, mas disse que “não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o curso universitário”
O presidente Lula disse nesta sexta-feira (10) que vai incluir os estudantes com dívidas no FIES dentro do pacote de medidas contra o endividamento que o governo federal está preparando. A declaração foi feita durante a inauguração de uma nova unidade do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Sorocaba.
“Está aumentando o endividamento dos meninos do FIES. E nós vamos ter que colocar eles também na nossa negociação de endividamento. A gente não pode tirar o sonho de um jovem que está devendo o seu curso universitário”, afirmou o presidente.
Segundo dados do Ministério da Educação de outubro de 2025, 160 mil estudantes estão com parcelas em atraso no FIES, o que representa R$ 1,8 bilhão em saldo devedor. Lula não detalhou como será a renegociação, mas indicou que os inadimplentes do FIES entrarão no mesmo programa que está sendo desenhado pra renegociar dívidas de trabalhadores brasileiros.
O dado que parou o discurso
No meio da fala, Lula fez uma comparação que resumiu todo o argumento dele em dois números.
“Um prisioneiro, no presídio federal de segurança máxima, custa R$ 40 mil por ano. Nas outras cadeias, R$ 35 mil por ano. Um estudante, no Instituto Federal, custa R$ 16 mil por ano. Ou seja, metade do que custa um bandido.”
E completou: “A gente investe em bandido quando a gente não investe na educação.”
A frase foi a mais compartilhada do discurso. Não porque é nova. Lula já usou variações dessa comparação antes. Mas porque R$ 40 mil contra R$ 16 mil é o tipo de contraste que não precisa de explicação. Qualquer pessoa entende a conta.
O que o FIES virou
O Fundo de Financiamento Estudantil foi criado pra dar acesso ao ensino superior a quem não podia pagar. Mais de 2,5 milhões de brasileiros já usaram o programa. Mas nos últimos anos, o FIES virou sinônimo de problema.
Estudantes que se formaram e não conseguiram emprego ficaram com dívidas que cresciam com juros e multas. Em muitos casos, o saldo devedor dobrava ou triplicava o valor original do financiamento. O resultado: milhares de jovens com diploma na mão, nome sujo na praça e sem condição de pagar uma dívida que não para de crescer.
A inclusão desses estudantes no pacote de renegociação do governo pode significar descontos no saldo devedor, parcelamento estendido e perdão de encargos, nos mesmos moldes do que já foi oferecido em programas anteriores como o Desenrola.
A sugestão que Lula fez aos deputados
No mesmo discurso, Lula fez uma proposta direta aos parlamentares. Sugeriu que cada deputado federal e cada senador use parte de suas emendas parlamentares pra construir uma escola.
“Imagina se todos eles assumirem a responsabilidade de financiar a construção de uma escola. São 513 deputados, são 513 escolas. São 81 senadores, são 81 escolas.”
A conta é simples: cada deputado tem cerca de R$ 40 milhões por ano em emendas. Se cada um destinasse uma fração disso pra educação, o país teria 594 novas escolas por ano. É uma conta hipotética, mas o número é grande o suficiente pra fazer qualquer pessoa pensar por que isso não acontece.
O que vem a seguir
O pacote de renegociação de dívidas do governo federal ainda está em fase de elaboração. Lula indicou que pode ser lançado nos próximos dias. A inclusão dos inadimplentes do FIES amplia o alcance do programa, que inicialmente estava focado em dívidas de consumo e cartão de crédito.
O presidente encerrou o discurso com uma frase sobre o contexto internacional: “Nós não queremos guerra. Nós queremos paz. Quem quiser guerra, vá para o outro lado do planeta, porque aqui nós somos a terra de paz e do amor.”
A nova unidade do IFSP inaugurada em Sorocaba tem 4,6 mil metros quadrados, foi viabilizada pelo Novo PAC e oferecerá ensino técnico e tecnológico com laboratórios, salas de aula e bloco administrativo.
Para os 160 mil estudantes que devem R$ 1,8 bilhão ao FIES, o anúncio de hoje é o primeiro sinal de que a dívida pode deixar de ser uma sentença permanente. Os detalhes, como sempre, vão definir se a promessa vira realidade.
Escrito por: Bruno Teles Fonte: Click Petróleo e Gás (Com informações da Agência Brasil, Diário do Grande ABC e Brasil 247)





