Entre o mar e a Serra do Mar, Paraty guarda um centro histórico onde os carros não entram e a maré invade as ruas. A cidade do litoral sul do Rio de Janeiro reúne arquitetura colonial preservada, cachoeiras, praias selvagens e um reconhecimento internacional que poucos lugares do país têm.
Por que as ruas de Paraty alagam de propósito?
Porque foram planejadas assim. O calçamento irregular do centro histórico, conhecido como “pé de moleque”, foi desenhado no período colonial para acompanhar o fluxo das marés. Na maré cheia, a água do mar entra pelas ruas e depois recua, num sistema natural de limpeza que ainda funciona séculos depois.
A cidade foi fundada em 1667 e se tornou um dos portos mais importantes do Brasil colonial, ponto de escoamento do ouro e dos diamantes que vinham de Minas Gerais pela Estrada Real. Esse passado explica os casarões simétricos e as quatro igrejas que dividem o pequeno núcleo histórico.
Outra herança curiosa está nos detalhes geométricos em alto-relevo das fachadas, ligados à influência da maçonaria entre os antigos construtores. No período colonial, Paraty também foi a maior produtora de cachaça do país, tradição que rendeu à cidade o apelido de “capital da cachaça” e um festival anual dedicado à bebida.
Reconhecimento que projetou Paraty para o mundo
O centro histórico de Paraty é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1958. Mas o maior salto veio em 5 de julho de 2019, quando Paraty e a Ilha Grande receberam da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o título de Patrimônio Mundial.
O reconhecimento tem um detalhe inédito: foi o primeiro sítio misto (cultural e natural ao mesmo tempo) do Brasil e da América Latina. A área reconhecida abrange quase 149 mil hectares e une o centro histórico a quatro reservas de Mata Atlântica. O título avalia a interação harmoniosa entre as comunidades caiçaras, indígenas e quilombolas e um ambiente natural de biodiversidade rara. A cidade também ganhou projeção cultural com a FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty.
O que fazer em Paraty durante a visita
O destino combina história, praias e natureza em poucos quilômetros. Entre os principais pontos para conhecer, destacam-se:
- Centro Histórico: Ruas de pedra fechadas para carros, com casarões coloniais, igrejas e a Igreja de Santa Rita, cartão-postal da cidade, que abriga o Museu de Arte Sacra.
- Praia de Trindade: No distrito de mesmo nome, a cerca de 25 km do centro, reúne mar aberto, piscinas naturais e a famosa Pedra que Engole.
- Cachoeira do Tobogã: Pedra lisa por onde os visitantes escorregam naturalmente, ao lado do Poço do Tarzan e de alambiques de cachaça artesanal.
- Saco do Mamanguá: Considerado o único fiorde tropical do Brasil, com 8 km de mar entre montanhas de Mata Atlântica e a trilha do Pico do Pão de Açúcar.
- Forte Defensor Perpétuo: Única fortificação remanescente da época do ouro, com vista para a baía e museu aberto à visitação.
A gastronomia de Paraty é uma atração à parte, reconhecida pela mistura de tradição caiçara e cozinha contemporânea. Entre os sabores que valem a parada, estão peixes e frutos do mar, a cachaça artesanal, o camarão casadinho e os doces de banana e bolos caseiros.
Qual a melhor época para conhecer Paraty?
O outono e o inverno são as melhores épocas para visitar Paraty. Entre abril e agosto, as chuvas diminuem e as temperaturas ficam mais amenas, ideais para caminhar pelo centro histórico e fazer trilhas. O verão é quente e chuvoso.
Como chegar a Paraty
A cidade fica entre as duas maiores capitais do país, com acesso principal pela Rodovia Rio-Santos (BR-101). Do Rio de Janeiro, são cerca de 250 km, e de São Paulo, cerca de 270 km, em ambos os casos com pouco mais de quatro horas de viagem. Paraty não tem aeroporto comercial, então o trajeto é feito de carro ou ônibus a partir das duas cidades.
Fonte: Estado de Minas




