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A Companhia de Teatro apresenta seu mais novo espetáculo teatral, intitulado RUA DO POVO DA RUA, em CONGONHAS

“Rua do Povo da Rua” nasce da urgência de olhar para uma das realidades mais invisibilizadas da sociedade: a vida da população em situação de rua, intensificada pelos impactos da pandemia. A partir de relatos reais e de uma profunda pesquisa social, a peça constrói um retrato sensível, crítico e humano sobre aqueles que foram empurrados à margem do progresso. A apresentação terá entrada gratuita, com libras e audiodescrição.

No ano em que a Companhia de Teatro celebra 33 anos de atuação em Minas Gerais, o coletivo apresenta a sua mais nova criação. Trata-se do espetáculo RUA
DO POVO DA RUA que vem sendo desenvolvido desde o final da pandemia, com o objetivo de colocar em cena os conflitos vividos pelas pessoas que vivem em situação de rua nas grandes cidades brasileiras. A proposta nasceu da percepção do grupo acerca do crescimento da população de rua, intensificado após a crise
humanitária e econômica gerada pela COVID. A montagem de RUA DO POVO DA RUA aponta para circunstâncias e situações que ainda não foram superadas no
modo como nossas cidades são geridas e organizadas, destacando-se a falta de acolhimento e efetivação de programas eficazes de assistência social voltadas para os grupos mais vulneráveis de nossa sociedade, ou seja, a política da fraternidade, equidade e bem estar sucumbem às dinâmicas voltadas para invisibilidade e higienismo.

A apresentação será seguida de debate e contará com libras, audiodescrição, visita tátil e atendimento especializado para pessoas com vulnerabilidade social e com deficiência.

Sinopse:
RUA DO POVO DA RUA revela o cotidiano de pessoas que vivem em situação de rua, no momento em que são impactadas pelo enfrentamento da pandemia.
Partindo de relatos e situações reais, a peça constrói um retrato necessário e sensível desta condição, convidando o espectador a se reconhecer como parte
dessa realidade, além de refletir sobre sua responsabilidade social, diante de um cenário que é, ainda hoje, invisível para muitos. A “Rua” não é só um lugar, é
símbolo da fragilidade humana, do abandono, mas também da resistência.

Realizar um espetáculo como RUA DO POVO DA RUA, que se sustenta unicamente na presença do artista em cena, é uma opção estética, mas, é, sobretudo, uma opção política. O artista cênico, desprovido de outros recursos teatrais, que não o seu corpo, sua voz e sua emoção, foi a forma dramática que encontramos para nos aproximar de um universo em que a pessoa humana é abandonada à própria sorte, enfrentado os impropérios, os revezes de uma condição em que a perda acompanha cada instante de sua vida. Homens e Mulheres que foram privados da cidadania e das mínimas condições que devem proteger cada uma e cada um que deveriam ter direito fundamental à dignidade, ao trabalho, ao alimento e à moradia.

RUA DO POVO DA RUA é um grito angustiado que acompanha cada cena, cada ação de cada um daqueles personagens que, cenicamente, também perderam tudo que o teatro pode oferecer no âmbito estético e artístico, mas não perderam a gana, a consciência e o compromisso de oferecer o seu corpo, sua voz e suas emoções para lutar por uma sociedade em que a pessoa humana não precise, nunca mais, de ter que conviver com a miséria, a humilhação e o descaso de nossos dirigentes.

O espetáculo dedicado ao PADRE JÚLIO LANCELLOTTI, guerreiro incansável, que dedicou – e dedica – sua vida a estar sempre junto e lutar com e pela população de rua, apesar de toda perseguição sofrida pelos agentes públicos, que não honram suas obrigações políticas e sociais, e pela própria Igreja Católica, que rasga o seu compromisso com o pobre e o desvalido.

RUA DO POVO DA RUA foi contemplado pelos recursos da PNAB, através do edital 08/2024, promovido pela SECULT-MG, ID: 8822.

Sobre a estética do espetáculo
A montagem de RUA DO POVO DA RUA pretende provocar uma reflexão sobre a realidade do Brasil durante a pandemia, mostrando as dificuldades enfrentadas pela população em situação de rua em Belo Horizonte. Mesmo tratando de um tema denso, a peça busca aproximar o público dessa realidade de forma clara e sensível.
A peça une emoção e crítica social ao combinar as estéticas de Stanislavski e Brecht, ao optar por trabalhar com uma cena dramática de orientação realista, e ao
mesmo tempo com monólogos épicos de maneira dialética, sustentado entre a emoção psicológica e íntima de cada personagem e o distanciamento crítico que provoca o espectador – a aproximação emocional stanislavskiana e o distanciamento crítico brechtiano. Promovendo assim, reflexão sobre desigualdade,
política e dignidade humana.

Sendo assim, enquanto resultado cênico, o elenco busca expor ao longo do espetáculo que a partir do distanciamento representado possibilite a
desnaturalização das relações sociais e dos comportamentos humanos apresentados em cena, produzindo em seu lugar a perplexidade diante as ações
dramatizadas, o que permite apresentar o personagem em contradição consigo mesmo, descaracterizando o que seria convencionalmente esperado em relação à sua atitude diante de determinado acontecimento. A perspectiva histórica do distanciamento revela o instante em que o personagem se nega a si mesmo para
adquirir um novo comportamento.
Ao mesmo tempo, o trabalho dos atores também valoriza o lado emocional e psicológico dos personagens, mostrando que suas histórias são influenciadas tanto
por sentimentos quanto pelo contexto social e histórico. A peça reforça que o teatro não deve ficar apenas no palco, mas provocar o público a pensar sobre a sociedade e suas contradições.
A peça ” Rua do Povo da Rua” de autoria de Luiz Paixão, um recorte do sofrimento das pessoas em situação de rua na época da pandemia de Covid 19, ganhou uma dimensão nova e surpreendente com a inclusão de desenhos em tamanho natural dos diversos personagens. Uma arte empondera a outra, agrega valor e torna o espetáculo teatral também um espetáculo do fazer artístico, de como um artista plástico trabalha. Amplifica também o poder transformador que qualquer arte possui diante de um público muitas vezes alienado. Afinal, as artes são irmãs e todas elas jorram de uma mesma fonte, o nosso manancial de recursos, guardados na nossa parte essencial.”
Sobre a Companhia de Teatro
O grupo possui 33 anos de trajetória. Fundado pelo dramaturgo, encenador, pesquisador, iluminador e cenógrafo Luiz Paixão, e pela atriz, diretora, dramaturga e
produtora Anália Marques em Belo Horizonte, segue hoje sendo um dos grupos mais tradicionais da cidade ainda em atividade. Marcado por resistência, o grupo se consolida por uma pesquisa fortemente brechtiana, mesclando, ainda, com potentes fundamentos de Grotowski, Stanislavski e Artaud. Em seu repertório estão as peças mais relevantes: Sob o signo do prazer (1993), Malandro (1994), Medeia (1999), Fausto (2000), O Pelicano (2012) e Capitão Fracasso (2018).
Se notabiliza com participações em festivais nacionais e internacionais ao longo dos anos, ganhando reconhecimento público com premiações em diversas peças. Além disso, segue enquanto formação realizando oficinas teatrais presenciais e on-line ministradas por Luiz Paixão e Mariana Bizzotto.

  • SERVIÇO
    CONGONHAS
    Data: 14/06/2026, domingo
    Horário: 19h
  • Local: Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta
    Endereço: Rua Alípio Barbosa, s/n – Basílica
  • Classificação: 14 anos
    INGRESSOS PELO SYMPLA (https://www.sympla.com.br/evento/rua-do-povo-da- rua/3442372?referrer=www.google.com&referrer=www.google.com)
  • Entrada Gratuita
  • Para acompanhar a temporada, nos siga no Instagram: @companhiadeteatrobh

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