Algumas ausências são capazes de silenciar até os ambientes mais acostumados ao debate. Foi o que aconteceu nesta quinta-feira na Câmara Municipal de Lafaiete.Diante da morte da servidora Vanda Cláudia Felestrini, de 53 anos, carinhosamente conhecida como Vandinha, a reunião ordinária foi suspensa. Ela trabalhou em diversos gabinentes ao longo de mais de 25 anos na Câmara e agora atua como funcionária do Vereador João Paulo Pé Quente. No lugar das discussões e votações previstas para a tarde, o plenário foi tomado pela emoção, pelas lembranças e pela gratidão a uma mulher que dedicou grande parte de sua vida ao serviço público e à política local.E fizeram bem. Um lindo texto de homenagem foi lido pela Vereadora Gina Costa (veja abaixo)
Mas limitar sua história ao trabalho seria insuficiente.Quem conviveu com Vandinha sabia que ela tinha o raro dom de transformar os ambientes por onde passava. Sua alegria de viver era contagiante. Seu sorriso sincero, o humor inteligente, o sarcasmo na medida certa, as respostas rápidas e seus bordões inesquecíveis arrancavam gargalhadas mesmo nos dias mais difíceis, tornando a rotina mais leve para todos que tiveram o privilégio de estar ao seu lado.
Era espontânea, autêntica e dona de uma sinceridade que caminhava lado a lado com a generosidade. Compartilhava conhecimentos acumulados em anos de serviço público, oferecia conselhos sinceros, estendia a mão a quem precisava e encontrava gestos simples para demonstrar carinho, como a comida preparada silenciosamente na copa e dividida com os colegas de trabalho.
Durante a homenagem realizada no plenário, a vereadora Gina Costa fez a leitura de um texto que emocionou servidores, vereadores e amigos. A mensagem lembrou que Vandinha fazia da política um verdadeiro instrumento de transformação social. Enxergava cada demanda como uma oportunidade de servir. Quantas portas ajudou a abrir, quantos problemas ajudou a resolver, quantas famílias encontrou acolhimento por meio de sua dedicação. Talvez ela mesma nunca tenha dimensionado o alcance do bem que espalhou ao longo da vida.
A homenagem também destacou os valores que marcaram sua trajetória: amor ao próximo, empatia, solidariedade e disposição permanente para servir. Era a amiga presente em todas as horas, a colega que sabia ouvir, aconselhar e fazer sorrir. Uma mulher que deixava marcas profundas não apenas pelo que fazia, mas principalmente pela forma como fazia.
Aos 53 anos, sua partida deixa um vazio difícil de explicar. Sentirão falta das conversas pelos corredores, das brincadeiras, das observações sempre bem-humoradas, da energia contagiante e da leveza que carregava consigo. Sentirão falta da profissional exemplar, da amiga fiel e da mulher extraordinária que soube transformar pequenos gestos em grandes demonstrações de humanidade.
Mas quem conheceu Vandinha sabe que nem mesmo as palavras mais bonitas conseguem resumir sua importância.Ela amava a política. Amava as campanhas eleitorais. Amava o Carnaval. Amava os amigos. Amava ajudar. Amava viver.Por isso, nesta quinta-feira, 11, a Câmara não perdeu uma sessão.
Lafaiete perdeu, por algumas horas, a vontade de discutir qualquer outro assunto.Porque havia algo mais importante a fazer: agradecer. Obrigado, Vandinha!
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