A história ferroviária da região entre Conselheiro Lafaiete e Congonhas é marcada por estações que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento econômico, especialmente ligado à mineração, e que hoje permanecem vivas na memória e na preservação do patrimônio cultural local. Se Gagé representa um passado em ruínas, outro importante marco da história ferroviária de Lafaiete está prestes a iniciar um novo capítulo. A Estação Ferroviária de Buarque de Macedo será oficialmente reinaugurada no próximo dia 25 de junho de 2026, após passar por um amplo processo de restauração.
Construída em 1893, a estação é um dos símbolos da presença ferroviária no município e testemunhou o crescimento da região em uma época em que os trens eram essenciais para a economia e a conexão entre cidades. A restauração foi viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. O projeto foi executado pela Associação Ação em Movimentos Artísticos de Santos Dumont (AMA), com patrocínio da Gerdau e apoio da Prefeitura de Lafaiete. O trabalho preservou as características arquitetônicas originais do prédio, garantindo a conservação do patrimônio histórico. Mais do que a entrega de uma obra restaurada, a reinauguração representa a valorização da memória ferroviária de Lafaiete, preservando não apenas um edifício centenário, mas também a história, as tradições e o legado das gerações que ajudaram a construir a região.
Abandono da Estação de Gagé
Enquando Buarque de Macedo comemora o restauro, um outro bem da memória ferroviária está totalmente abandonado. A antiga Estação de Gagé, inaugurada em 6 de maio de 1898, situada na divisa entre Lafaiete e Congonhas conta com a sorte para permanecer em pé. Se ainda existisse, a estação completou 128 anos de existência. Localizada no km 473,523 da Linha do Centro da então Estrada de Ferro Central do Brasil, ela foi criada para atender principalmente à exportação de manganês extraído pela Companhia Santa Matilde.
O local surgiu em um período de forte expansão da malha ferroviária mineira, quando os trilhos eram fundamentais para o transporte de cargas e para a integração entre cidades. Além da linha principal, Gagé possuía ramais ferroviários particulares utilizados no transporte de minério, incluindo conexões para o Morro do Cocoruto, com uma pequena ferrovia de 60 centímetros de bitola, e para a região do Morro da Mina.A estação também teve papel importante nos serviços postais. Em 1900, foi instalada uma agência postal que realizava o intercâmbio diário de correspondências com Ouro Preto e o Rio de Janeiro, utilizando a estrutura da Estrada de Ferro Central do Brasil.
O local ainda foi citado pelo escritor Pedro Nava em sua obra Chão de Ferro, que destacou a atmosfera da estação durante viagens noturnas pela região. Com o passar do tempo, a movimentação ferroviária diminuiu e a estação entrou em decadência. Em 1999, já estava tomada pelo mato e com estruturas deterioradas. Ainda assim, a Estação de Gagé permanece viva na memória dos moradores e pesquisadores da história ferroviária mineira.



