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Queijo de MG leva o Super Ouro, desbanca italianos e é eleito o melhor das Américas

O Brasil é, mais uma vez, o dono do melhor queijo artesanal das Américas. Em uma noite histórica na cidade de Araxá, o Queijo Maranata Ouro, produzido pelo Rancho Maranata no município de Virgínia, Sul de Minas Gerais, conquistou, no último sábado (27), o cobiçado troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil 2026 – Araxá International Cheese Awards.

A vitória consolida o bicampeonato do país na competição. Após o título inédito em 2025, a iguaria da Região da Mantiqueira de Minas reafirmou o protagonismo do estado ao superar cerca de mil amostras de 19 países das Américas e da Europa. Para alcançar o topo do pódio, o queijo mineiro disputou a categoria de leite cru, casca lisa e/ou lavada, com longa maturação (acima de 180 dias), deixando para trás concorrentes tradicionais e altamente consagrados, incluindo gigantes italianos como o Grana Padano e o Parmigiano Reggiano.

“Ganhar esse prêmio foi maravilhoso. Estou tentando descobrir que sentimento é esse, uma mistura de euforia, orgulho, amor e a certeza de que estamos fazendo o trabalho certo”, celebrou o produtor Henrique Lamim.

Uma escalada de persistência

O título máximo de 2026 coroa uma trajetória de resiliência e evolução técnica. Lamim participa do concurso em Araxá desde 2022 e utilizou os feedbacks dos jurados ao longo dos anos para aprimorar o produto até atingir a excelência. “Minha trajetória na ExpoQueijo vem ano a ano ganhando espacinhos, subindo devagar. Em 2022 participamos e não ganhamos nada… Em 2023 conseguimos o bronze; em 2024, a prata. Este ano, ganhamos o ouro na categoria de 180 dias mais e, na sequência, fomos para o Super Ouro disputar com todos os campeões.”

O segredo do Maranata Ouro: tecnologia e biologia do leite

O grande campeão é um queijo de receita tradicional da Mantiqueira de Minas com 9 meses (270 dias) de maturação. O diferencial que garantiu o equilíbrio sensorial do produto combina engenharia e dedicação zootécnica:

  • Ambiente controlado: o queijo é maturado em uma câmara climatizada mantida rigidamente a 14°C e 85% de umidade, estabilizando a atuação dos microrganismos.
  • A riqueza do leite cru: a queijaria focou os últimos dois anos na melhoria radical da qualidade da matéria-prima. Como o leite não passa por pasteurização, a flora bacteriana natural precisa ser impecável para atuar na quebra de proteínas e gorduras a longo prazo.

Sucessão familiar e o novo status do campo

Para além dos troféus, Henrique Lamim enxerga a premiação como um motor de transformação social e econômica. “O Brasil já tem os melhores cafés do mundo, excelentes vinícolas, azeites premiados e agora o queijo ganha seu espaço em cenário de primeiro mundo. Isso é fundamental para que as próximas gerações façam a sucessão familiar: saiam para estudar, mas voltem para casa para agregar valor e melhorar a produção.”

O produtor relembrou as dificuldades enfrentadas pelo pai no passado, quando a atividade sofria com a falta de regulamentação, para valorizar a dignidade conquistada pelo setor atualmente. “Meu pai não tinha ajuda, era visto quase como clandestino… Eu já vivo um momento diferente e, se Deus quiser, meu filho terá uma outra época, onde o produtor de queijo e o produtor rural são reconhecidos e têm tanta dignidade e valor quanto um empresário da cidade”, concluiu.

Fonte: Rádio Itatiaia

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