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O vilarejo nas montanhas de Minas que só ganhou luz nos anos 70 e esconde casinhas coloridas e 14 cachoeiras a 17 km de Ouro Preto

A neblina abraça as casinhas coloridas antes do café da manhã. A 17 km de Ouro Preto e a 120 km de Belo Horizonte, Lavras Novas reúne ruas de pedra, portas e janelas tortas e cerca de 1.500 habitantes que vivem a 1.300 metros de altitude. O vilarejo só recebeu energia elétrica na década de 1970 e foi reconhecido como distrito em 2005. Não há posto de combustível, caixa eletrônico nem hospital, e o sinal de celular falha com frequência.

Das minas de ouro ao vilarejo que o tempo esqueceu O povoamento data de aproximadamente 1716, período em que novas lavras de ouro foram abertas na região, posteriores às de Vila Rica. O nome vem exatamente disso: lavras descobertas depois das mais antigas. A maioria da população é negra, e a tradição oral fala em origem quilombola, embora não haja comprovação histórica, segundo a Prefeitura de Ouro Preto.

No centro do vilarejo, a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, erguida em 1762, concentra a vida comunitária. Em frente, o cruzeiro de pedra marca o largo. A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres é incomum em Minas Gerais, o que torna a capela uma curiosidade religiosa. Com o fim do ouro e a transferência da capital para Belo Horizonte, Lavras Novas ficou isolada entre as montanhas. O turismo só chegou na década de 1990, quando viajantes redescobriram as trilhas e cachoeiras.

Quais cachoeiras valem a trilha na serra?

Lavras Novas reúne 14 cachoeiras em um raio de 6 km. As trilhas partem do centro e variam de caminhadas curtas a percursos de quase duas horas. Guias locais conhecem atalhos e pontos de banho que não aparecem nos mapas. Cachoeira dos Prazeres: queda de cerca de 10 metros com piscina natural na parte superior. A trilha sai do centro, próximo à capela, e dura aproximadamente 1h40 de caminhada. Cachoeira do Pocinho: dois pocinhos de água cristalina com cascatas que funcionam como hidromassagem natural. Trilha curta de 15 minutos. Cachoeira do Falcão: queda de 4 metros com poço raso e banco de areia. Ideal para famílias. Represa do Custódio: paredões rochosos formam um cânion que se alcança por trilha ou passeio de quadriciclo. Vista ampla da Serra do Espinhaço.

Estrada Real e as casinhas tortas do centro histórico A Ponte da Caveira, na entrada do distrito, é uma construção do período bandeirante recém-restaurada. O nome vem da disposição das pedras, que lembram a dentição de uma caveira. A ponte faz parte do conjunto de Obras de Arte da Estrada Real, tombado pela Prefeitura de Ouro Preto. No final da Rua Nossa Senhora dos Prazeres, as tradicionais casinhas com portas e janelas tortas são o cenário mais fotografado do vilarejo. As cores vivas e o desnível do terreno dão a impressão de que as construções estão levemente inclinadas. O Parque Estadual do Itacolomi, entre Ouro Preto e Mariana, fica no entorno e abriga a Casa Bandeirista, uma das três construções em estilo paulista preservadas em Minas Gerais.

Comida mineira servida com vista para a serra A culinária é típica de roça mineira, servida nos restaurantes e pousadas espalhados pelas ruas de pedra. Nos fins de semana, mesas se espalham pelos jardins das casas. Feijão tropeiro com torresmo: prato clássico servido em panela de ferro, presente em praticamente todos os cardápios do vilarejo. Frango com quiabo e angu: receita que atravessa gerações nas cozinhas da serra. Doces artesanais: goiabada cascão, doce de leite e compotas de frutas da estação, vendidos nas lojinhas de artesanato do centro. À noite, bares com música ao vivo e cerveja artesanal aquecem o vilarejo. O silêncio volta de madrugada, quando os termômetros caem e o céu estrelado aparece sem concorrência de luz artificial.

Quando o clima da serra favorece a visita? O clima é tropical de altitude, com invernos frios e secos e verões amenos e úmidos. O melhor período para trilhas é entre abril e setembro. No verão, as cachoeiras ficam mais cheias.

Verão (Dezembro a Fevereiro): 14°C a 26°C – Chuva Alta. A estação da alegria. É o momento do Carnaval, dos ensaios de blocos e de aproveitar as praias urbanas como o Porto da Barra. Outono (Março a Maio): 10°C a 22°C – Chuva Média. O clima ganha estabilidade nas montanhas. Excelente para planejar trilhas de longa distância e admirar o pôr do sol limpo nos picos mais altos da serra. Inverno (Junho a Agosto): 6°C a 18°C – Chuva Baixa. O auge do turismo nas montanhas. Curta a clássica neblina matinal, jantares românticos com fondues e a nitidez espetacular do céu estrelado de altitude. Primavera (Setembro a Novembro): 12°C a 24°C – Chuva Média. A serra floresce com temperaturas amenas. É a época ideal para acompanhar as festas religiosas tradicionais e retomar o ecoturismo com dias mais longos.

Como chegar ao vilarejo entre as montanhas?

Saindo de Belo Horizonte, siga pela BR-356 até o trevo de Ouro Preto e depois pela MG-129 em direção a Ouro Branco. São cerca de 120 km, dos quais os últimos 7 km são de estrada de terra. A partir de Ouro Preto, são apenas 17 km. Ônibus municipais fazem o trajeto entre a sede e o distrito. Leve dinheiro em espécie: o sinal de internet falha com frequência.

O vilarejo onde o tempo anda mais devagar

Lavras Novas é o que acontece quando o ouro acaba, os séculos passam e o vilarejo guarda a capela, as casinhas tortas e um jeito de receber que só Minas ensina. Entre cachoeiras, montanhas e ruas de pedra, o distrito de Ouro Preto oferece o tipo de silêncio que virou artigo de luxo. Você precisa subir a serra, sentir o frio da madrugada e caminhar até a primeira cachoeira para entender por que tanta gente escolheu trocar a cidade grande por esse pedaço de Minas a 1.300 metros de altitude.

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