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“Estão desgovernados”: presidente da Câmara denuncia racha entre secretários e faz duro alerta ao prefeito Anderson Cabido

O presidente da Câmara Municipal de Congonhas, Averaldo Pica Pau (PL), fez um dos pronunciamentos mais contundentes dos últimos meses ao afirmar, durante sessão ordinária do Legislativo, que há um clima de desentendimento entre integrantes do primeiro escalão do governo municipal. Segundo o vereador, a falta de diálogo e o excesso de vaidade entre secretários estariam comprometendo o funcionamento da administração e prejudicando diretamente a população. “Eu queria falar até mesmo da condição do meu mandato, mas vou deixar esse assunto para a próxima reunião. Hoje eu quero fazer um alerta ao Executivo”, iniciou.

Em seguida, o parlamentar afirmou que não sabe se o prefeito Anderson Cabido tem conhecimento da dimensão dos problemas internos enfrentados pelo secretariado, mas disse acreditar que chegou o momento de mudar a condução da equipe. “Eu não sei se o prefeito tem conhecimento, mas precisa mudar a direção, mudar rotas dentro do Executivo referente ao secretariado.”

“Só de olhar um para o outro já querem brigar”

Pica Pau afirmou que presenciou situações de conflito entre integrantes do governo e disse que algumas secretarias vivem um ambiente de rivalidade, mesmo sendo áreas que dependem diretamente umas das outras para desenvolver políticas públicas. “Tem secretário do governo Anderson que só de olhar para o rosto um do outro já está querendo se pegar. Só de ficar no mesmo espaço já querem brigar.” Segundo ele, esse comportamento impede que projetos avancem e compromete a eficiência da máquina pública. “São secretarias que dependem uma da outra. Uma precisa da outra para entregar resultados. Se isso não acontece, quem perde é a cidade.”

Falta de integração prejudica serviços

Durante o discurso, o presidente da Câmara citou como exemplo secretarias que precisam atuar de forma integrada, como Saúde, Obras e Desenvolvimento Social. Ele explicou que diversas políticas públicas dependem da colaboração entre diferentes setores da Prefeitura e que, sem essa integração, obras atrasam, programas deixam de ser executados e a população acaba sendo a maior prejudicada. “O governo tem que trabalhar em sincronismo. Existem secretarias que são clientes umas das outras. A Secretaria de Saúde depende de outras áreas. A Secretaria de Obras precisa entregar serviços para que várias outras secretarias avancem.”

Reunião foi classificada como “vergonhosa”

Um dos momentos mais fortes do pronunciamento ocorreu quando Capão revelou ter participado recentemente de uma reunião com integrantes do governo. Sem citar nomes, ele classificou o encontro como “vergonhoso” e criticou o comportamento de alguns gestores. “Eu presenciei recentemente uma reunião com membros do governo. Vergonhosa. Nunca vi nada igual na minha vida.”

Segundo o vereador, havia excesso de vaidade e pessoas que acreditavam possuir solução para todos os problemas.”Cada um acha que tem receita pronta para tudo. Ninguém sabe tudo. Cada profissional tem sua especialidade.” Para ilustrar a crítica, ele comparou diferentes profissões. “Um médico não sabe tudo. Um engenheiro não sabe tudo. Um enfermeiro também não sabe tudo. Então é preciso reconhecer as limitações e trabalhar em conjunto.”

“Existe um racha dentro do governo”

O vereador afirmou que a Prefeitura enfrenta uma divisão interna que pode trazer consequências políticas e administrativas.”Está havendo um racha dentro do governo e quem está sendo prejudicado é a população.” Segundo ele, o problema não afeta apenas a imagem da administração, mas interfere diretamente na prestação dos serviços públicos. “Isso pode gerar derrota lá na frente, mas o mais grave é que quem paga essa conta é o cidadão.”

Relação institucional com o Executivo

Durante a fala, Pica Pau também respondeu a comentários sobre sua posição política. Ele afirmou que não integra a base do governo, mas mantém uma relação institucional com o Executivo em respeito ao cargo que ocupa como presidente da Câmara. “Minha relação com o Executivo é institucional. Os governos passam, os partidos passam, mas as instituições permanecem.”O parlamentar disse ainda que continuará colaborando sempre que considerar que as ações sejam positivas para a população. “Estou aqui para ajudar o governo no que precisar em prol da população, mas também não vou medir esforços para apontar aquilo que estiver errado.”

Recado direto ao prefeito

Nos minutos finais do pronunciamento, o Presidente fez um apelo direto ao prefeito Anderson Cabido. Segundo ele, ainda há tempo para reorganizar a equipe de governo, exigir maior integração entre os secretários e substituir aqueles que não estiverem comprometidos com o trabalho coletivo. “A caneta que nomeia secretário é a mesma que exonera. Ainda dá tempo de corrigir.”

O presidente da Câmara afirmou que, ao final de um mandato, a população não responsabiliza os secretários pelos problemas enfrentados pela administração.”No fim, ninguém vai lembrar do secretário. Quem será cobrado é o prefeito. O gestor número um é o prefeito.”Ao concluir sua fala, Capão voltou a defender mais diálogo, organização e espírito de equipe dentro da administração municipal. “Congonhas não merece passar por isso. Quem ocupa um cargo público precisa trabalhar pela cidade, e não alimentar disputas internas. O maior compromisso deve ser sempre com a população.”

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