Descer em ponto morto é infração e pode gerar sérios riscos à segurança no trânsito, além de multas e pontos na carteira.
Muitos hábitos adotados pelos motoristas brasileiros são passados de geração em geração sem que ninguém questione sua eficácia ou legalidade. Um dos exemplos mais comuns acontece nas descidas: ao perceber uma ladeira, diversos condutores colocam o veículo em ponto morto, prática popularmente conhecida como “descer na banguela“, acreditando que isso reduz o consumo de combustível e preserva o motor. No entanto, o que poucos sabem é que essa atitude pode resultar em multa de trânsito, acrescentar pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e, em situações mais graves, aumentar significativamente o risco de acidentes.
O que o Código de Trânsito Brasileiro diz sobre descer na banguela?
A legislação brasileira é bastante clara sobre o assunto. O artigo 231, inciso IX, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que conduzir um veículo desligado ou desengrenado em declive constitui infração de trânsito. Na prática, isso significa que trafegar em uma descida com o câmbio em ponto morto é uma conduta proibida, independentemente de a ladeira ser curta, longa, íngreme ou suave. Caso a irregularidade seja constatada por um agente de trânsito, o motorista estará sujeito às seguintes penalidades:
- Infração média;
- Multa de R$ 130,16;
- 4 pontos na CNH;
- Retenção do veículo até a regularização da situação.
O mito da economia de combustível ainda engana milhares de motoristas
Durante décadas, acreditou-se que deixar o carro em ponto morto durante descidas ajudava a economizar combustível. Essa ideia surgiu em uma época em que os veículos utilizavam sistemas de alimentação muito diferentes dos atuais. Nos veículos modernos equipados com injeção eletrônica, a central de gerenciamento do motor trabalha de forma inteligente para otimizar o consumo. Quando o carro desce com uma marcha engatada e sem aceleração, muitos sistemas reduzem drasticamente a injeção de combustível e, em determinados modelos, interrompem o fornecimento temporariamente. Já quando o motorista coloca o veículo em ponto morto, o motor precisa continuar recebendo combustível para permanecer ligado, o que significa que o consumo não é eliminado.
Por que descer na banguela aumenta os riscos de acidentes?
O principal problema está na perda do chamado freio-motor, um recurso natural que ajuda a controlar a velocidade do veículo sem exigir esforço excessivo do sistema de frenagem. Quando uma marcha permanece engatada, o motor oferece resistência ao movimento das rodas, auxiliando na desaceleração. Sem a ajuda do freio-motor, discos, pastilhas e demais componentes absorvem toda a energia gerada durante a frenagem, podendo causar:
- Superaquecimento dos freios: O aumento da temperatura reduz gradualmente a eficiência do sistema.
- Perda da capacidade de frenagem: Em situações extremas, o calor excessivo pode provocar o fenômeno chamado “fade”, que reduz drasticamente a capacidade dos freios de responder aos comandos.
- Menor controle do veículo: Com o câmbio desengrenado, o condutor perde parte da capacidade de resposta imediata do carro.
- Desgaste mecânico prematuro: O uso inadequado do ponto morto contribui para o desgaste de componentes da transmissão.
Como descer uma ladeira da maneira correta?
A condução segura em declives é mais simples do que muitos imaginam. Especialistas recomendam utilizar uma marcha compatível com a inclinação da via, permitindo que o freio-motor trabalhe em conjunto com os freios convencionais. Algumas orientações importantes incluem:
- Reduzir a marcha antes do início da descida;
- Manter o câmbio engatado durante todo o percurso;
- Utilizar o freio de forma gradual e intermitente;
- Aproveitar os modos de redução disponíveis em veículos automáticos;
- Nunca desligar o motor durante a descida;
- Respeitar os limites de velocidade da via.
Uma regra bastante utilizada é escolher a mesma marcha que seria necessária para subir aquele trecho com segurança. Manter a marcha engatada não apenas está de acordo com o CTB, como também protege os freios, melhora o controle do automóvel e contribui para uma direção mais segura.
Fonte: Capitalist



