Morador de Pará de Minas, no Centro-Oeste do estado, Levino da Costa de Jesus viveu na instituição por quase duas décadas. Ele era conhecido pelo bom humor, pela independência e pelos conselhos de quem atravessou mais de um século de história.
Funcionários, moradores e voluntários da Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Cidade Ozanan se despediram, no último domingo (19), de Levino da Costa de Jesus. Ele morreu aos 119 anos, em Pará de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
Agricultor durante grande parte da vida, Levino atravessou mais de um século guiado pela fé e pela simplicidade. Ele costumava repetir a filosofia que marcou sua trajetória:
“O mal não convém não, só o bem”.
Conhecido como senhor Levino, ele vivia na instituição desde os 100 anos, após uma vizinha que o ajudava nos cuidados diários não conseguir mais prestar assistência. Ao longo dos últimos 19 anos, tornou-se uma das pessoas mais queridas do local. Segundo a instituição, ele continuava se alimentando sozinho, fazia questão de conversar com todos e mantinha um sorriso que alegrava a rotina do lar.
Legado de fé, amizade e simplicidade
Para quem conviveu com senhor Levino durante quase duas décadas na Cidade Ozanan, o maior legado não foi a longevidade, mas a forma como ele escolheu viver.
Em uma homenagem publicada nas redes sociais, a psicóloga Regina Oliveira, que acompanhou o idoso na instituição, lembrou que ele fez amigos, participava das celebrações religiosas, cantava no coral e encontrava motivos para agradecer todos os dias. Segundo ela, senhor Levino demonstrava alegria nas pequenas coisas e ensinava, pelo exemplo, que a felicidade estava na simplicidade da vida.
Ao lembrar os últimos momentos de convivência, Regina destacou uma frase que resume o legado deixado pelo idoso:
“A vida boa requer paz, amizade; briga, não.”
Antes de responder a uma pergunta, senhor Levino costumava pedir licença. Ao entrar na capela, ajeitava cuidadosamente a boina em sinal de respeito. Devoto de Nossa Senhora Aparecida, gostava de cantar no coral e, embora a lucidez já alternasse entre momentos de maior e menor clareza, a ternura permanecia intacta.
Uma vida inteira no campo
Nascido em 6 de maio de 1907, na comunidade de Ascensão, em Pará de Minas, Levino da Costa de Jesus trabalhou como agricultor e construiu a vida na zona rural. Ele era o último sobrevivente entre os quatro irmãos.
Mesmo usando cadeira de rodas nos últimos anos, Levino preservava parte da independência nas atividades do dia a dia e fazia questão de conviver com os demais moradores.
Em maio de 2025, quando completou 118 anos, sua história foi destaque na imprensa. Embora documentos como a certidão de nascimento indicassem seu nascimento em 1907, a idade nunca foi oficialmente validada por organizações internacionais especializadas no reconhecimento de supercentenários, motivo pelo qual ele não constava nos rankings mundiais de longevidade. Para quem convivia diariamente com ele, no entanto, os números nunca foram o mais importante — mais do que pela idade, senhor Levino será lembrado pela forma como escolheu viver.
fonte: g1



