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Dom José Belvino do Nascimento: o sacerdote que transformou a fé em tradição e deu origem à Festa da Colheita em Entre Rios de Minas

Sua proposta era reunir moradores de todas as comunidades rurais para agradecer a Deus pelas bênçãos

Dom José Belvino do Nascimento

Foto: Arquidiocese de Mariana

Poucos homens deixaram uma marca tão profunda na história de Entre Rios de Minas quanto Dom José Belvino do Nascimento.

Mais do que um pároco dedicado, ele foi o idealizador de uma celebração que, ao longo de mais de seis décadas, ultrapassou o caráter religioso para se tornar o maior símbolo da identidade cultural do município: a Festa da Colheita.

Ao chegar à Paróquia de Nossa Senhora das Brotas, em abril de 1960, o então padre recebeu uma missão do arcebispo Dom Oscar de Oliveira: criar uma festa em homenagem à padroeira dos agricultores. Com sensibilidade pastoral e profundo conhecimento da realidade rural, Dom José enxergou ali uma oportunidade de unir fé, gratidão e comunidade.

Sua proposta era simples, mas revolucionária: reunir moradores de todas as comunidades rurais para agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas nas lavouras e na pecuária, pedir proteção para a próxima safra e ofertar os frutos da terra à Nossa Senhora das Brotas.

Na época, muitos duvidaram que a iniciativa daria certo. Mas o resultado surpreendeu.

Em depoimento registrado pela Arquidiocese de Mariana, Dom José recordou que, no primeiro ano, “foi uma explosão”. Pessoas chegaram a pé, a cavalo, de jipe e em carros de boi, vindas de todas as regiões do município. O povo abraçou a ideia, e a Festa da Colheita nasceu para nunca mais deixar de existir.

Ao longo dos 21 anos em que permaneceu como pároco de Entre Rios de Minas, Dom José Belvino consolidou a celebração, preservando seu verdadeiro espírito: a união entre o homem do campo, a fé cristã e o agradecimento pelas colheitas.

Foto Gonçalves

A tradicional Missa Campal, a bênção das sementes e dos animais, o desfile de carros de boi, cavaleiros e produtores rurais tornaram-se marcas registradas da festa e seguem emocionando gerações.

Com o passar dos anos, a Festa da Colheita cresceu. Incorporou rodeio, exposições, concursos, shows e diversas atrações culturais, mas jamais perdeu sua essência religiosa. Hoje, ela é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município e continua sendo um elo entre passado e presente, mantendo viva a história construída por Dom José Belvino.

Posteriormente nomeado bispo, Dom José jamais deixou de ser lembrado com carinho pelos entrerrianos. Sua consagração episcopal, em 1981, evidenciou o reconhecimento ao legado que construiu na cidade.

Mais do que criar uma festa, Dom José Belvino do Nascimento plantou uma semente de fé, solidariedade e valorização das raízes rurais.

A cada mês de julho, quando milhares de pessoas se reúnem para celebrar a Festa da Colheita, renovam também a memória de um sacerdote visionário que compreendeu que evangelizar também significava fortalecer a cultura, preservar tradições e unir um povo em torno da gratidão.

Foto: Prefeitura Municipal de Entre Rios de Minas – 2020

Dom José faleceu em 2019, aos 86 anos, mas seu legado permanece vivo na memória dos moradores.

Em cada carro de boi que percorre as ruas, em cada cavaleiro, em cada produtor rural que leva sua oferenda ao altar e em cada família que participa da celebração, está presente a inspiração de Dom José Belvino — um homem cuja história se confunde com a própria história da Festa da Colheita e de Entre Rios de Minas.

Fonte: Arquidiocese de Mariana/Diocese de Divinópolis/Memória Entre Rios de Minas

fonte: Entre Rios News

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