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Cavernas de Minas Gerais guardam registros de 12 mil anos, levam visitantes por trilhas entre paredões, formações rochosas e paisagens preservadas

Reconhecido pela Unesco, parque reúne formações rochosas, sítios arqueológicos e trilhas que atravessam diferentes paisagens.

No norte de Minas Gerais, um conjunto de cavernas guarda registros de uma história que começou milhares de anos antes da formação das cidades brasileiras. O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu reúne cerca de 200 cavernas catalogadas e mais de 80 sítios arqueológicos, com vestígios da presença humana que remontam a pelo menos 12 mil anos.

O cenário combina enormes formações rochosas, pinturas rupestres e caminhos cercados por vegetação. Reconhecida como Patrimônio Mundial Natural pela Unesco, a área protegida se estende por mais de 56 mil hectares e abrange os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões.

Entre os principais atrativos está a Gruta do Janelão, onde a dimensão dos paredões e os registros deixados por antigos habitantes transformam a caminhada em um encontro com diferentes períodos da história da região.

Pinturas de milhares de anos

As marcas preservadas nas rochas estão entre os elementos mais importantes do Peruaçu. Os sítios arqueológicos ajudam a documentar a presença de populações antigas e revelam parte da relação desses grupos com o território.

As pinturas rupestres dividem espaço com formações geológicas que caracterizam a paisagem. Em diferentes pontos do parque, o visitante encontra abrigos naturais e paredões que conservam registros do passado.

O conjunto arqueológico faz parte de uma área que também apresenta grande diversidade ambiental. O território reúne características da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica, criando contrastes entre a vegetação e as estruturas rochosas.

Gruta do Janelão

Uma das experiências mais conhecidas do parque é o percurso pela Gruta do Janelão. A formação se destaca pelas grandes aberturas e pela presença de monumentos geológicos que podem ser observados durante a caminhada.

O trajeto tem aproximadamente 4,8 quilômetros e passa por áreas com pinturas rupestres e paredões de grandes dimensões. Ao longo do caminho, a paisagem alterna espaços abertos e trechos marcados pela presença das rochas.

Outras trilhas permitem conhecer lapas, arcos naturais e diferentes sítios arqueológicos. Os percursos apresentam níveis variados de dificuldade e exigem acompanhamento de condutores autorizados.

Natureza e preservação

Criado em 1999, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A unidade abriga mais de duas mil espécies de animais e plantas, distribuídas em uma região de características ambientais diversas. A conservação desse território protege tanto a biodiversidade quanto os registros arqueológicos encontrados nas cavernas.

O nome Peruaçu também carrega uma ligação histórica com os povos indígenas xacriabás, associados à região.

A visitação organizada permite conhecer parte desse patrimônio sem dispensar os cuidados necessários para preservar os ambientes naturais e os vestígios históricos.

Quando visitar o parque

O Peruaçu recebe visitantes durante todo o ano, mas o clima apresenta diferenças importantes entre as estações.

De novembro a abril, a região passa pelo período chuvoso. Já entre maio e outubro predomina a estação seca, informação que pode ajudar no planejamento das caminhadas.

A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 8h às 18h, com entrada nos atrativos até as 14h.

Como chegar ao Peruaçu

A entrada do parque fica na comunidade de Fabião I, no km 155 da BR-135, aproximadamente 45 quilômetros distante de Januária.

Para quem chega de avião, o aeroporto mais próximo é o de Montes Claros, a cerca de 200 quilômetros da entrada. A partir da cidade, é possível seguir de ônibus em direção a Januária ou Itacarambi.

Também existem conexões rodoviárias com origem em Belo Horizonte e Brasília.

O planejamento antecipado é importante porque os atrativos estão distribuídos por uma extensa área protegida e os trajetos possuem características diferentes.

Nas cavernas do Peruaçu, o principal patrimônio está justamente nessa convivência entre natureza e arqueologia. As pinturas preservadas nos paredões permitem observar vestígios de uma ocupação humana milenar em um cenário que continua protegido no interior de Minas Gerais.

fonte: Correio 24 Horas

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