Veículo surgiu oficialmente em 2013, mas levou muitos anos para chegar às ruas; no Brasil, ainda está longe de virar realidade
Enquanto no Brasil a Bajaj ainda dá seus primeiros passos vendendo exclusivamente motocicletas, na Índia a fabricante tem um produto curioso que desafia definições tradicionais da indústria automotiva. Trata-se do Bajaj Qute, um veículo compacto que não chega a ser considerado um automóvel convencional, mas também vai além de um simples triciclo.
Inicialmente classificado como quadriciclo, o modelo utiliza motor de moto e foi desenvolvido para atender a uma demanda específica: oferecer uma alternativa mais segura e barata aos tradicionais rickshaws que dominam o transporte urbano em diversas cidades indianas.
Apresentado oficialmente em 2013, o Qute levou anos para chegar às ruas. Sua produção começou apenas em 2017, inicialmente voltada para exportação, e só em 2019 passou a ser vendido no mercado indiano. O atraso não foi técnico, mas regulatório.
Bajaj é primeiro indiano a atender padrões de segurança na Europa
Já o lançamento dependia da liberação do governo da Índia para o registro do modelo como quadriciclo, categoria que impõe exigências diferentes das aplicadas a carros de passeio. E o esforço valeu a pena: o Bajaj Qute se tornou o primeiro veículo fabricado no país capaz de atender aos padrões de segurança exigidos para quadriciclos na Europa.
Segundo uma reportagem da revista Quatro Rodas, o projeto teve apoio de gigantes da indústria automobilística global, como Renault e Nissan, e nasceu com um objetivo claro: substituir gradualmente os rickshaws, veículos populares que podem ser triciclos motorizados ou até mesmo movidos à força humana.
Embora a própria Bajaj continue fabricando esse tipo de transporte, o Qute surge como uma evolução do conceito, oferecendo portas, estrutura fechada e algum nível de proteção aos ocupantes, algo inexistente na maioria dos rickshaws tradicionais.
Do ponto de vista construtivo, o Bajaj Qute aposta na simplicidade. Com cerca de 400 quilos, o veículo mede 2,75 metros de comprimento, 1,31 metro de largura e 1,65 metro de altura.
Por sua vez, o baixo peso é resultado do uso de um chassi tubular recoberto por carenagem plástica, solução que reduz custos e facilita a manutenção. Apesar das dimensões diminutas, o modelo oferece um porta-malas dianteiro com capacidade para até 20 quilos e um compartimento interno de 191 litros, suficiente para pequenas cargas urbanas.
Mas, o conjunto mecânico também segue essa lógica minimalista. Então, o Qute é equipado com um motor monocilíndrico a gasolina de 217 cm³, instalado na traseira, que entrega 20 cavalos de potência e trabalha em conjunto com um câmbio automatizado de cinco marchas.
A velocidade máxima é limitada a 70 km/h, compatível com sua proposta urbana, enquanto o consumo declarado impressiona: cerca de 35 km por litro. Há ainda versões movidas a GLP e GNC, com potência reduzida para 14 cavalos, pensadas especialmente para mercados onde o uso de gás é incentivado por políticas públicas.
Quanto custa o novo carro indiano

Na Índia, o preço é um dos grandes atrativos: o Bajaj Qute custa o equivalente a cerca de 2.900 dólares, algo próximo de R$ 19 mil na conversão direta. Inclusive, o valor é apenas um pouco superior ao de um rickshaw da própria marca, vendido a partir de 2.800 dólares. Ainda assim, o custo-benefício não se traduziu em sucesso comercial no mercado doméstico. Nos últimos cinco anos, pouco mais de 3.600 unidades foram emplacadas no país.
Curiosamente, o desempenho fora da Índia é bem diferente. As exportações somam mais de 31.500 unidades, com destinos como Turquia, Gana, Egito, Guatemala e México. Em muitos desses mercados, o Qute é visto como uma solução intermediária entre motocicletas e automóveis, especialmente para uso comercial, táxis urbanos ou transporte em regiões com infraestrutura limitada.
Com a proliferação de microcarros elétricos na China, é difícil afirmar que o Bajaj Qute seja o veículo mais barato do mundo. Ainda assim, ele ocupa um espaço singular no mercado global ao combinar preço acessível, baixo consumo e uma proposta voltada à mobilidade urbana básica.
Por ora, não há indicação de que o modelo será oferecido no Brasil, mas sua existência revela como diferentes realidades econômicas e urbanas moldam soluções alternativas para o transporte individual e coletivo.





