×

O único lugar do Brasil com rochas de 1 bilhão de anos, mais de 300 cachoeiras e um território quilombola premiado pelo turismo, onde cânions, vales e rios cristalinos transformam o Cerrado em cenário de outro planeta

Entre cânions, rios e comunidades tradicionais, a Chapada dos Veadeiros reúne rochas muito antigas, dezenas de trilhas e cachoeiras em um mosaico de parque nacional e áreas do entorno, com reconhecimento internacional e turismo comunitário no território Kalunga.

A Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás, concentra formações geológicas com mais de 1 bilhão de anos e centenas de cachoeiras em uma área de Cerrado que integra o sítio reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade desde 2001.

A paisagem de cânions, campos e rios corre em paralelo a uma história marcada pelo ciclo do ouro, por mudanças sucessivas nos limites do parque nacional e pela presença do Território Quilombola Kalunga, onde o turismo segue regras definidas pelas comunidades.

Fazenda Veadeiros, ciclo do ouro e origem do Parque Nacional

A ocupação da região ganhou impulso por volta de 1750, quando a antiga Fazenda Veadeiros reuniu lavradores atraídos pelo ouro e pela pecuária, segundo registros históricos sobre a área.

Na virada do século seguinte, em 1892, a Chapada entrou no trajeto da Comissão Exploradora do Planalto Central, chefiada pelo astrônomo Luís Cruls.

A missão atravessou a região para delimitar a área da futura capital do país.

O mapeamento do Planalto Central, feito naquele período, ajudou a dar visibilidade a um território que ainda era pouco integrado às rotas principais do Brasil.

Em 11 de janeiro de 1961, o governo federal criou o parque nacional, então com o nome de Parque Nacional do Tocantins e uma extensão maior do que a atual.

A unidade, no entanto, passou por mudanças ao longo das décadas seguintes, com reduções significativas de área.

Ampliação de 2017 e gestão do ICMBio na Chapada dos Veadeiros

Entre os anos 1970 e 1980, o parque teve seu território reduzido de forma drástica, chegando a manter apenas uma parte do desenho original.

A ampliação mais recente ocorreu em 2017, quando o governo federal aumentou a área protegida para cerca de 240 mil hectares.

A expansão buscou reforçar a proteção de nascentes e de ambientes típicos do Cerrado de altitude, além de consolidar corredores ecológicos em uma região pressionada por diferentes usos do solo.

Atualmente, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Informações institucionais do ICMBio apontam que a unidade abriga rochas com mais de 1 bilhão de anos.

Esse dado é frequentemente associado à presença de quartzitos e a processos geológicos de longo prazo que moldaram as serras e os vales da Chapada.Play Video

Geologia, Cerrado e o número de cachoeiras na Chapada

A combinação de relevo elevado, cânions e uma rede de drenagem extensa ajuda a explicar por que a Chapada é ligada a “centenas” de quedas d’água.

Dentro e fora do parque, rios e córregos formam saltos, corredeiras e poços que variam conforme a época do ano.

A referência a “300 cachoeiras” costuma aparecer em materiais de divulgação turística que consideram o destino em sentido amplo, incluindo atrativos em propriedades privadas, comunidades e áreas de preservação no entorno.

Até onde foi possível verificar, esse total não aparece como uma contagem única e oficial padronizada em fonte pública federal, o que pode gerar variações conforme o critério de catalogação.

Trilhas, Saltos do Rio Preto e principais atrações fora do parque

As trilhas do parque nacional seguem como a porta de entrada mais conhecida, principalmente a partir da Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás.

É dali que muitos visitantes acessam rotas sinalizadas até mirantes e quedas do Rio Preto, incluindo o Salto II, com 120 metros de queda livre, citado como cartão-postal da região.

Além do parque, o roteiro se espalha por fazendas, comunidades e propriedades particulares.

Uma das paradas mais conhecidas é o Vale da Lua, onde formações rochosas esculpidas pelo Rio São Miguel ao longo de milhões de anos criam um conjunto de curvas e cavidades que passou a ser comparado a uma paisagem “lunar” por guias e materiais turísticos.

Em Alto Paraíso, a Catarata dos Couros reúne quedas e poços em um percurso que costuma exigir estrada de terra e caminhada de dificuldade média, dependendo do trecho escolhido.

Já o Mirante da Janela aparece entre as trilhas mais procuradas, em um trajeto de 8 km com trechos de escalada em rocha e vista para o vale do Rio Preto.

Território Kalunga, Cavalcante e turismo de base comunitária premiado

No norte da Chapada, Cavalcante concentra parte importante da história social da região.

Território Quilombola Kalunga se estende por cerca de 262 mil hectares entre Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, e abriga aproximadamente 9 mil pessoas distribuídas em 39 comunidades, conforme informações amplamente divulgadas sobre o território.

Segundo relatos históricos associados ao ciclo do ouro no século XVIII, os ancestrais dos Kalunga fugiram da escravidão e encontraram refúgio em áreas de difícil acesso.

A organização comunitária e a permanência no território ajudaram a formar um modo de vida que hoje convive com a visitação turística.

A comunidade do Engenho II é um dos principais acessos para quem entra no território com foco em cachoeiras, como Santa Bárbara, Capivara e Candaru.

No local, a entrada costuma depender de regras definidas pela comunidade, com a atuação de guias locais e a presença de estruturas comunitárias para recepção e alimentação.

Em reconhecimento a esse modelo, a Associação Kalunga Comunitária do Engenho II recebeu o Prêmio Nacional do Turismo 2023 na categoria Turismo de Base Comunitária, conforme divulgação do Ministério do Turismo.

Em 2022, o território recebeu 29 mil visitantes.

Melhor época para visitar: chuvas, seca e risco de incêndios no Cerrado

A Chapada tem duas estações bem definidas, com impacto direto na experiência de trilhas e banhos.

Em geral, o período entre abril e julho é citado como o de melhor equilíbrio: a vegetação ainda está verde, as cachoeiras mantêm bom volume e as chuvas tendem a diminuir.

No auge da seca, entre agosto e setembro, o ar costuma ficar mais seco e o risco de incêndios aumenta no Cerrado, o que pode levar a restrições de acesso e mudanças em rotas.

Por isso, o planejamento de viagem frequentemente inclui checagens locais sobre condições de trilha e orientações de visitação.

FONTE: CLICK PETRÓLEO E GÁS

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp