Após sinalizações iniciais, grupos estrangeiros recuaram e podem não participar de processo, que deverá ter Aegea e Sabesp

A disputa pela maior fatia acionária em jogo no processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) deve ficar entre players nacionais. O Fator apurou que a corrida deve ser polarizada entre a Aegea e a Sabesp, cuja controladora é a Equatorial. Segundo interlocutores, o Grupo Águas também sinalizou interesse, mas corre em raia distante.
Agentes internacionais, como as francesas Suez e Veolia, chegaram a demonstrar a intenção de concorrer, mas a prospecção não deve avançar para a fase de oferta. No caso da Suez, a ideia estava alicerçada no apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
O modelo de privatização desenhado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) e aprovado pelos acionistas da Copasa contempla dois caminhos. O mais provável deles prevê a venda de 30% da participação acionária do governo do estado a um parceiro de referência e a disponibilização de outros 15% para disputa fracionada no mercado. Assim, o poder público manteria 5% de seus atuais 50,03%.
A outra hipótese, tida informalmente como plano B, autoriza o estado a negociar até a totalidade de seus papéis, em percurso que transformaria a Copasa em uma corporation.
Estratégias à mesa
Na semana passada, o presidente da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que a privatização da Copasa não é tão robusta em relação ao processo de desestatização da companhia paulista, ocorrido em 2023.
“Pelo pouco que a gente conhece, (o modelo de privatização da Copasa) é um pouquinho diferente. Acho que não é tão robusto quanto o modelo de São Paulo. Tem um pouco mais de risco”, opinou, durante evento do Bradesco em São Paulo (SP).
A declaração foi vista por interlocutores como uma espécie de justificativa pública da Sabesp para o caso de insucesso em Minas ou mesmo desistência de participação do processo.
A Aegea, por seu turno, não terá a Perfin, sócia em empreitadas como a compra da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), em 2022.
Maior acionista privado da estatal, com pouco mais de 15%, o grupo de fundos financeiros decidiu não participar do embate pelos 30%. A intenção é se tornar líder do bloco minoritário e, por isso, o foco está na eventual aquisição de mais papéis por meio dos outros 15% que serão colocados à disposição do mercado.
Expectativas
Como O Fator já mostrou, o mercado financeiro iniciou a semana confiante no lançamento do edital de privatização ainda nesta semana. A divulgação do documento nos próximos dias representaria avanço em relação a um cronograma internamente traçado pela Copasa no início de abril. À ocasião, o plano era divulgar formalmente as regras perto do dia 20.
A estatal trabalha com a possibilidade de concluir todo o processo em maio. O sucesso das etapas está condicionado à autorização de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que colocou lupa sobre a situação.
Cinco bancos na coordenação
A coordenação da futura oferta de ações da Copasa cabe a cinco bancos. Líder do processo, o BTG Pactual atua em parceria com Itaú, Citigroup, UBS BB e Bank of America.
O Palácio Tiradentes estruturou a operação por meio de oferta secundária. O caminho permite que os recursos arrecadados com a transação sigam diretamente para o erário — e não para o caixa da companhia.
A entrada da verba nos cofres públicos permitirá, segundo o Executivo, o financiamento de ações de infraestrutura apontadas como contrapartidas do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), cuja adesão foi formalizada em 31 de dezembro.
Fonte: O fator





