O silêncio que antecedeu o início da apresentação já anunciava a intensidade da noite. Em poucos instantes, ele daria lugar a respirações contidas, olhos marejados e a uma plateia completamente impactada pela força da arte. Foi assim o dia 18 de abril, no Teatro Municipal Placidina de Queiroz, em Conselheiro Lafaiete, durante o espetáculo “Holocausto Brasileiro – Relatos de um Manicômio”, da Companhia Xadrez Dance.
Com ingressos esgotados, a montagem alcançou lotação máxima e foi além do esperado. Inspirado em um dos episódios mais dolorosos da história do Brasil, o espetáculo trouxe à cena, por meio da dança, relatos de violações de direitos humanos ocorridas em instituições psiquiátricas ao longo do século XX.
A proposta ultrapassa o campo artístico. É memória, denúncia e reflexão.“Esse trabalho não fala apenas do que aconteceu. Ele questiona o que ainda permitimos que aconteça. É um convite à consciência”, destacou o coreógrafo Wellington Xadrez, após a apresentação.Ao lado de Emerson Souza, Cristiano Lúcio e Kairon Gabriel, ele construiu uma narrativa intensa, em que cada movimento carrega histórias silenciadas por décadas. No palco, os bailarinos traduzem em corpo e expressão uma dor coletiva que insiste em não ser esquecida.“Houve momentos em que o ensaio precisou parar. Não por dificuldade técnica, mas pela carga emocional. É um espetáculo que atravessa quem está em cena”, revelou um integrante do elenco.


A plateia respondeu à altura. Ao final, o silêncio voltou, mais profundo, antes de ser quebrado por aplausos prolongados e de pé. Um reconhecimento à potência artística e à relevância social da obra.O público foi formado por pessoas de diferentes cidades da região, como Ouro Branco, Congonhas, Barbacena e Juiz de Fora, além de profissionais das áreas de saúde mental, cultura e assistência social. A diversidade presente reforçou o alcance do debate proposto pelo espetáculo.
“Não é apenas uma apresentação. É uma experiência que a gente leva para dentro e continua processando depois”, relatou uma espectadora.A nova apresentação reafirma a força do espetáculo, que já havia sido encenado em dezembro de 2025 e segue ampliando seu impacto. Mais do que revisitar o passado, a obra provoca um olhar atento sobre o presente. A Companhia Xadrez Dance transforma arte em posicionamento. E lembra, com firmeza, que há histórias que não podem mais ser apagadas.








