A 100 km de Belo Horizonte, no centro de Minas Gerais, Santana do Riacho é a porta de entrada do Parque Nacional da Serra do Cipó. O paisagista Roberto Burle Marx chamou a região de Jardim do Brasil, e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu a Serra do Espinhaço como Reserva da Biosfera em 2005.
Por que essa região virou um dos maiores santuários ecológicos do Brasil?
O segredo está debaixo dos pés. A geologia da Serra do Cipó remonta a cerca de 1,7 bilhão de anos, com calcários, quartzitos, granitos e variedades de solos depositados no fundo de um antigo oceano, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Esse mosaico geológico explica a vegetação singular dos campos rupestres.
A flora soma mais de 1.700 espécies registradas, com um dos maiores índices de endemismo do planeta. Velózias, sempre-vivas, orquídeas, cactáceas e plantas carnívoras crescem entre rochas que existem apenas ali. Para proteger essa exuberância, em setembro de 1984 foi criado o Parque Nacional da Serra do Cipó, que abrange terras de Santana do Riacho, Jaboticatubas, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. A área de 33.800 hectares equivale à superfície inteira de Belo Horizonte.
O que ver e onde comer no Jardim do Brasil?
O parque protege mais de 60 cachoeiras, cânions, sítios arqueológicos e trilhas para todos os perfis. As atrações se distribuem por portarias diferentes, com acesso pela MG-010.
- Cachoeira Véu da Noiva: queda d’água de 70 metros em propriedade da Associação Cristã de Moços (ACM), com piscina natural, área de camping e trilha curta de 200 metros até o poço.
- Cachoeira Grande: cartão-postal da Serra, com 10 metros de altura e 60 metros de largura sobre o Rio Cipó, com trilha leve de 1 km.
- Cachoeira da Farofa: sucessão de sete quedas dentro do parque, acessada pela Portaria Areias com trilha de cerca de 8 km.
- Cachoeira do Gavião: complexo de corredeiras e quedas no Rio Carinhanha, ideal para esportes de aventura, com acesso pela Portaria do Retiro.
- Cânion das Bandeirinhas: 6 km de paredões esculpidos pelo afunilamento do ribeirão, dentro do parque.
- Sítio Arqueológico da Lapinha: pinturas rupestres com até 7 mil anos, em Lapinha da Serra, distrito a 15 km da sede.
Na mesa, a culinária mineira mistura ingredientes do Cerrado com a tradição da fazenda:
- Frango caipira com angu: receita-mãe servida em panela de ferro.
- Truta da serra: peixe criado em pesqueiros locais, grelhado ou na manteiga com ervas.
- Tutu de feijão com torresmo: clássico mineiro acompanhado de couve refogada e arroz branco.
- Doces de pequi e jabuticaba: aproveitamento dos frutos do Cerrado.
- Cachaça artesanal: produzida em alambiques familiares ao longo da estrada para Lapinha.
Quando o clima da serra favorece as cachoeiras?
A Serra do Cipó tem clima tropical de altitude, com cinco meses de seca e verão chuvoso.
- Verão (Dez – Fev / 20-30°C): Volume das águas revigora a região, tornando o banho de cachoeira a experiência mais refrescante.
- Outono (Mar – Mai / 17-26°C): Temperaturas suavizam e as chuvas moderadas permitem passeios agradáveis.
- Inverno (Jun – Ago / 12-24°C): Estação mais seca garante segurança e céu limpo para explorar trilhas e mirantes.
- Primavera (Set – Nov / 18-28°C): Visibilidade excelente para entusiastas de trilhas sob o clima ameno.
Como chegar à porta de entrada do Parque Nacional?
O acesso é direto pela MG-010. Saindo de Belo Horizonte, são cerca de 100 km até o distrito Serra do Cipó, com tempo médio de 1h45 de viagem. A estrada é asfaltada e bem sinalizada. Quem vem de fora pode usar o Aeroporto Internacional de Confins (70 km). A empresa Saritur opera linhas de ônibus diárias entre a Rodoviária de BH e Santana do Riacho.
Fonte: Estado de Minas





