A 243 km de São Paulo e a 1.186 metros de altitude, Poços de Caldas guarda uma das estruturas geológicas mais raras do Brasil. A Cidade das Rosas foi erguida dentro de uma caldeira vulcânica extinta há 80 milhões de anos, de onde brotam águas sulfurosas que recebiam visitantes desde o Brasil imperial.
A história das águas que encantaram Dom Pedro II
O povoado nasceu oficialmente em 6 de novembro de 1872, quando o Capitão Joaquim Bernardes da Costa Junqueira doou a sesmaria que fundou a cidade. Antes disso, os primeiros registros das fontes quentes datam de 1765, quando expedições encontraram poços com cheiro de enxofre nos quais o gado doente se curava, segundo a Prefeitura Municipal de Poços de Caldas.
O grande marco veio em outubro de 1886, com a inauguração do ramal da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro pelo próprio imperador Dom Pedro II. O monarca se hospedou no antigo Hotel da Empreza, junto ao primeiro balneário, e o trem transformou a cidade em destino da elite imperial e republicana.
O nome do município é uma homenagem direta a Caldas da Rainha, famosa cidade termal em Portugal. Outra curiosidade rara marca a região: o relevo circular que cerca a cidade não é uma serra comum, mas a borda de uma caldeira vulcânica de 30 km de diâmetro, classificada pela ciência como a 2ª maior do mundo no interior de uma placa continental.
Vale a pena morar na estância hidromineral mineira?
Sim, o município combina indicadores de qualidade de vida acima da média do interior brasileiro, clima ameno o ano inteiro e o microclima de altitude criado pela própria caldeira. Em junho de 2025, o jornal Estado de Minas apontou Poços de Caldas como uma das 10 melhores cidades para viver em Minas Gerais, com destaque para os baixos índices de violência e o forte turismo.
A cidade tem cerca de 172 mil habitantes e é o 15º maior município mineiro, segundo a página oficial no Cidades IBGE. O destino funciona como centro regional de saúde, educação e serviços, com campi da PUC Minas, UEMG, Unifal-MG e IF Sul de Minas.
O reconhecimento internacional vem da geologia. Pesquisadores classificam o Complexo Alcalino de Poços de Caldas como um dos maiores maciços alcalinos do mundo, com 13 estruturas circulares dentro da caldeira que indicam atividade de vulcões menores no passado. A região abriga ainda uma das maiores minas de bauxita do planeta, operada pela multinacional Alcoa, e tem o primeiro complexo de concentração de urânio do Brasil.
O que fazer entre águas sulfurosas, mirantes e fontes históricas
A cidade reúne balneários centenários, parques de altitude e arquitetura clássica em um centro compacto:
- Thermas Antônio Carlos: inaugurado em 1931 em estilo neoclássico, oferece banhos sulfurosos, saunas e tratamentos terapêuticos.
- Cristo Redentor: estátua de 16 metros no topo da Serra de São Domingos (1.686m), com vista panorâmica da caldeira vulcânica.
- Balneário Mário Mourão: fundado em 1896, um dos mais antigos do país, com banhos de imersão a aproximadamente 37°C.
- Teleférico: liga o Parque José Affonso Junqueira ao topo da Serra de São Domingos.
- Fonte dos Amores: santuário natural de 1929 com cascata e escultura de casal, ponto clássico para visitas românticas.
- Palace Hotel e Palace Casino: complexo histórico de 1925 que hospedou figuras como Getúlio Vargas e Carmen Miranda.
- Fonte Luminosa: oferece espetáculo noturno de águas, luzes e música clássica no Parque José Affonso Junqueira.
Quando é a melhor época para visitar?
O período seco, entre abril e setembro, é o mais indicado. O clima é tropical de altitude, com temperatura média anual em torno de 17°C. O inverno é seco e frio, ideal para os banhos térmicos, enquanto o verão é ameno, mas com maior probabilidade de chuvas.
Como chegar até a Cidade das Rosas
- De São Paulo: trajeto pela Rodovia Anhanguera com conexão à Rodovia Caminho do Sul (aprox. 243 km / 3 horas).
- De Belo Horizonte: aproximadamente 460 km pela BR-381 e BR-267.
- Do Rio de Janeiro: cerca de 470 km de distância.
A cidade também conta com o Aeroporto Municipal Embaixador Walther Moreira Salles para voos regionais.
Conheça a estância que cresceu sobre um vulcão extinto
O encontro entre uma caldeira de 80 milhões de anos, águas sulfurosas a 45°C e a arquitetura clássica faz de Poços de Caldas uma das escapadas mais singulares do sul mineiro. Você precisa subir o teleférico, ver o desenho circular da caldeira do alto da serra e mergulhar nas águas sulfurosas para entender por que este destino encanta visitantes há mais de 150 anos.
Fonte: Estado de Minas





