Compacto elétrico da Renault voltou ao radar de compradores após forte queda de preço no mercado de usados, em um cenário marcado por concorrência maior, avanço tecnológico e mudança na oferta de carros elétricos urbanos no Brasil. O Renault Kwid E-Tech, lançado no Brasil em 2022 por R$ 142.990, passou a aparecer em consultas de mercado por R$ 65.520 na versão 2023, segundo referências da Tabela Fipe reproduzidas por plataformas automotivas, uma queda superior a 54% em cerca de três anos. Com a desvalorização, o compacto elétrico passou a ocupar uma faixa de preço próxima à de hatches flex usados e de versões básicas de modelos populares, o que alterou sua posição no mercado de entrada para veículos eletrificados no país.
No lançamento, o Kwid E-Tech ocupava o posto de elétrico mais barato do Brasil, mas seu preço ainda ficava acima do patamar praticado entre compactos a combustão vendidos no mercado nacional. Naquele período, a oferta de modelos elétricos de entrada era restrita, enquanto a presença de fabricantes chinesas no segmento ainda não tinha o mesmo impacto observado nos anos seguintes. A ampliação da disputa entre marcas, a chegada de modelos mais recentes e a redução de preços em segmentos eletrificados mudaram a referência de valor para carros elétricos usados no Brasil.
Com esse movimento, projetos lançados antes da atual fase de concorrência passaram a registrar perda de valor mais acentuada, principalmente quando combinam autonomia menor e pacote tecnológico mais simples. No caso do Kwid E-Tech 2023, a Webmotors indica preço de R$ 65.520 na Tabela Fipe, enquanto a Localiza Seminovos também lista a versão E-Tech 26 kW elétrico automático pelo mesmo valor, com o código Fipe 025318-9. A queda de preço, porém, não torna o modelo compatível com qualquer perfil de uso, já que a proposta do veículo segue concentrada em deslocamentos urbanos, trajetos previsíveis e recargas planejadas.
Autonomia urbana chega a 298 km, mas número do Inmetro é menor No lançamento, a Renault divulgou autonomia de até 298 km em uso urbano e 265 km no ciclo combinado. Pelo material oficial da marca para o Brasil, a autonomia pelo PBEV/Inmetro aparece como 185 km no ciclo combinado, número mais conservador e usado como referência nacional. A diferença ocorre porque cada ciclo de medição adota critérios próprios. Na prática, o alcance pode variar conforme trânsito, relevo, temperatura ambiente, estilo de condução, peso transportado e uso de equipamentos elétricos. O conjunto mecânico reúne motor elétrico dianteiro de 65 cv e 11,5 kgfm de torque, transmissão automática de uma marcha e bateria de 26,8 kWh. Segundo o fabricante, a carga de 15% a 80% leva cerca de 8h57 no carregador portátil, 2h54 em wallbox AC e 40 minutos em carregamento rápido DC de 30 kW.
Carro elétrico compacto mira rotina urbana e custo de uso Com 3,73 metros de comprimento e porta-malas de 290 litros, o Kwid E-Tech foi desenvolvido para circulação em trajetos curtos, uso diário em áreas urbanas e estacionamento em espaços reduzidos. O perfil do modelo se concentra em deslocamentos de baixa e média distância, sem a mesma adequação a longas viagens rodoviárias. Entre os equipamentos oferecidos no modelo vendido no Brasil estavam central multimídia de 7 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, luzes de circulação diurna em LED e transmissão automática. Na composição do custo de propriedade, a Renault destacava manutenção mais simples e possibilidade de economia com IPVA em alguns estados.
Fim das vendas reforça pressão sobre os usados O Kwid E-Tech deixou de ser oferecido pela Renault no Brasil em maio de 2026, após uma trajetória curta no mercado nacional. A versão atualizada, apresentada em outubro de 2025, permaneceu menos de sete meses nas lojas antes de sair da oferta comercial da marca. A retirada do modelo ajuda a contextualizar parte da pressão sobre os preços, embora a desvalorização também esteja associada ao avanço de tecnologias em veículos elétricos mais recentes. A queda na tabela também criou uma faixa de acesso menor para consumidores interessados em experimentar um elétrico sem pagar o preço de um modelo zero-quilômetro. O preço de referência do Kwid E-Tech mostra uma fase de ajuste no mercado brasileiro de elétricos usados, com modelos pioneiros registrando queda de valor enquanto opções mais recentes ampliam autonomia, tecnologia embarcada e competitividade comercial.
Fonte: Click Petróleo e Gás



