×

Igreja barroca do século XVII é reaberta após após restauração viabilizada pelo MPMG

Templo construído em 1721 e tombado desde a década de 1960 também recebeu de volta 11 imagens recuperadas, entre elas está uma escultura atribuída a Aleijadinho

A Igreja Matriz de São Bartolomeu, no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto, foi reaberta nesta terça-feira, 7 de julho, com a entrega das obras de restauração viabilizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Fechada para celebrações desde 2019, a igreja volta a receber fiéis e visitantes após um amplo processo de recuperação arquitetônica e artística. A reabertura contou com a celebração de uma missa, com apresentação do Coral de Itabirito, após procissão realizada pelos representantes da paróquia, comunidade, visitantes e autoridades. 

Reabertura Igreja de Sao Bartolomeu site 2.jpg.jpeg
reabertura igreja S. Bartolomeu 8.jpeg
reabertura igreja de S. Bartolomeu 7.jpeg
Reabertura Igreja de Sao Bartolomeu site 9.jpg.jpeg
Reabertura Igreja de Sao Bartolomeu site 8.jpg.jpeg
Reabertura Igreja de Sao Bartolomeu site 7.jpg.jpeg

Divulgação MPMG‹›

Considerada uma das igrejas mais antigas de Minas Gerais, a Matriz de São Bartolomeu foi construída em 1721, no período Barroco. O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde a década de 1960 e integra o conjunto histórico do distrito de São Bartolomeu, protegido pelo município de Ouro Preto desde 2007. 

A restauração foi realizada por meio do Programa Minas para Sempre e viabilizada com recursos gerenciados pelo Semente, núcleo de incentivo a projetos sociais e ambientais do Ministério Público. As obras foram executadas pelo Instituto Joaquim Artes e Ofícios. 

Aleijadinho 

Além da restauração da igreja, a comunidade também recebeu de volta 11 de suas imagens sacras restauradas pela equipe da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), com destaque para a escultura de Nossa Senhora do Carmo, datada do século XVIII e atribuída a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.  

Além dessa obra, também voltaram aos altares as imagens de São João Nepomuceno, Santa Efigênia, Sant’Ana, Nossa Senhora do Pilar, São Benedito, Nossa Senhora das Candeias, um Crucificado e um Divino Espírito Santo. Todas são do século XVIII.  

Deterioração

A deterioração da igreja chegou ao conhecimento do MPMG em 2003. Os danos foram provocados pela ação do tempo e pela ausência de intervenções adequadas para sua conservação. Desde então, a Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), em conjunto com a Promotoria de Justiça de Ouro Preto, atuou para viabilizar as medidas necessárias à sua recuperação. 

Antes do início das intervenções, a situação era tão grave que o Iphan chegou a instalar coberturas provisórias para proteger o imóvel, pois os forros artísticos permaneciam expostos à ação da chuva e de vendavais. A rede elétrica estava comprometida, levando a própria comunidade a desligar a energia do templo por questões de segurança e risco de incêndio. Também existiam danos estruturais em elementos de madeira da edificação, com pilares apodrecidos que comprometiam a estabilidade do conjunto.

Entrega 

O promotor de Justiça Marcelo Maffra, coordenador estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural (CPPC) do MPMG, comentou que a deterioração privou a comunidade de um espaço de fé, de convivência e de preservação da memória coletiva. “A entrega da Igreja Matriz de São Bartolomeu restaurada representa não apenas a recuperação de sua estrutura física, mas também a valorização da memória, dos saberes construtivos tradicionais e das práticas culturais e religiosas”, avaliou Maffra.  

O diretor-presidente da empresa Joaquim Artes e Ofícios, que realizou as três etapas de restauração da matriz, detalhou como foram feitos os trabalhos nos últimos quatro anos. Segundo ele, os bens artísticos e culturais presentes na matriz devem ser um grande orgulho para a comunidade. 

Marcelo Maffra

A entrega da Igreja Matriz de São Bartolomeu restaurada representa não apenas a recuperação de sua estrutura física, mas também a valorização da memória, dos saberes construtivos tradicionais e das práticas culturais e religiosas

Custódia Serenice da Costa, que nasceu e cresceu em São Bartolomeu, participou da celebração da reabertura do templo. “Senti uma emoção muito forte ao entrar na igreja renovada. Esse era o sonho da minha falecida mãe. Quando eu entrei, foi como realizar o sonho pra ela”, disse. Custódia comentou que ficou encantada com os detalhes dos altares. “Eu nem imaginava que eles existiam”, afirmou, ao se referir às pinturas que foram descobertas durante o trabalho de restauração.  

O pároco da Matriz, Harley Carlos de Carvalho Lima, afirmou que “a reabertura da igreja é um sinal de uma esperança que renasce, é também a renovação da comunidade pra rezar, celebrar, pra viver sua história, cultura e fé”. 

Restauração

As primeiras obras emergenciais começaram em dezembro de 2022. Cerca de R$ 1,58 milhão foram destinados para conter o avanço da degradação e criar as condições necessárias para a restauração integral do monumento. 

Os recursos permitiram intervenções para impedir infiltrações na cobertura, para dar estabilidade estrutural e nos sistemas básicos da igreja.  e tiveram duração de dez meses. 

A continuidade dos trabalhos ocorreu por meio do Programa Minas para Sempre. Na segunda fase da iniciativa, foram investidos cerca de R$ 2,78 milhões para a conclusão da restauração arquitetônica. Já na terceira fase, aproximadamente R$ 3,27 milhões foram destinados à restauração e conservação dos bens artísticos e elementos integrados da igreja. Ao todo, os investimentos na recuperação da Matriz de São Bartolomeu somam cerca de R$ 7,6 milhões. 

Além da recuperação física da edificação, as intervenções permitiram a conservação dos elementos artísticos e históricos do templo. Entre eles está um sino esculpido em madeira, que está na torre esquerda e é considerado uma raridade. 

Recursos 

Os recursos destinados para as obras da igreja são provenientes de medidas compensatórias, do combate à lavagem de dinheiro e da recuperação, pelo MPMG, de impostos sonegados. A coordenadora do Centro Operacional de Apoio das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) do Ministério Público, promotora de Justiça Janaína Dauro, comentou que essa entrega representa também a concretude do trabalho dos promotores de Justiça que atuam para combater práticas ilegais, como a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal.  

O promotor de Justiça Marcelo Maffra acrescentou que a entrega em São Bartolomeu é também um resultado do Programa Minas para Sempre, lançado pelo MPMG em 2023. Ao longo de suas quatro fases, esse programa destinou mais de R$ 68 milhões para a recuperação de 56 bens culturais localizados em 30 municípios mineiros, contribuindo para a preservação de patrimônios de relevância histórica, artística e social em diferentes regiões do estado.  

Fonte: MPMG

Receba Notícias Em Seu Celular

Quero receber notícias no whatsapp