A obra promete mudar uma ligação importante no litoral paulista
Entre Santos e Guarujá, apenas 400 metros de canal separam as duas margens, mas o caminho por terra pode chegar a 45 quilômetros. O túnel Santos-Guarujá foi contratado para encurtar essa travessia com uma estrutura de concreto montada sob a água. O projeto de R$ 6,8 bilhões usará módulos fabricados fora do canal e afundados no leito portuário.
Por que o túnel será imerso em vez de escavado?
O túnel será montado com grandes peças de concreto prontas, e não aberto por uma máquina escavando o solo de uma margem até a outra. Os módulos serão produzidos fora do canal, levados até o ponto de instalação e afundados de forma controlada.
O Ministério de Portos e Aeroportos classifica a obra como o primeiro túnel submerso da América Latina. O método permite preparar cada parte em uma área de apoio antes de colocá-la sob o canal.
Qual será o tamanho e o que haverá dentro dele?
O túnel terá 1,5 quilômetro de extensão, com 870 metros instalados sob o canal portuário. A estrutura foi planejada para atender veículos, transporte coletivo, pedestres e ciclistas.
Os dados mais recentes do Governo Federal sobre o projeto resumem as principais medidas:
- Extensão total: A ligação terá 1,5 quilômetro entre os acessos de Santos e Guarujá.
- Trecho imerso: Cerca de 870 metros ficarão sob o canal usado pelos navios.
- Faixas de tráfego: Serão 6 faixas para a circulação de veículos entre as margens.
- Outras passagens: O projeto inclui ciclovia, área para pedestres e espaço para o futuro Veículo Leve sobre Trilhos.
Como os módulos serão instalados no canal?
Os módulos serão fabricados, fechados, levados até o canal e afundados um por vez. Depois, cada peça será ligada à anterior até formar uma passagem contínua entre Santos e Guarujá.
A página técnica do Túnel Santos-Guarujá explica que a pressão da água ajuda a unir os elementos já posicionados. O processo pode ser resumido assim:
- Preparação: os projetos definem acessos, profundidade e posição dos módulos.
- Fabricação: as peças de concreto são construídas e fechadas fora do canal.
- Transporte: cada elemento segue até o local onde será instalado.
- Imersão: o módulo desce de forma controlada até o leito preparado.
- União: as peças são conectadas, vedadas e recebem os sistemas internos.
Como a travessia deve mudar depois do túnel?
A ligação fixa deve reduzir a travessia para cerca de 2 minutos e criar uma nova opção às balsas e ao caminho por terra. Hoje, parte dos caminhões percorre até 45 quilômetros para chegar à outra margem.
O Ministério de Portos e Aeroportos mostra a diferença esperada entre a situação atual e a futura:
- Hoje (Travessia direta): Pedestres, ciclistas e veículos dependem principalmente de balsas e catraias.
- Hoje (Desvio por terra): Parte dos veículos de carga enfrenta trajetos de até 45 quilômetros.
- Previsto (Passagem pelo túnel): A travessia deve cair para cerca de 2 minutos quando a estrutura abrir.
- Incluído (Mais formas de cruzar): A ligação terá espaço para carros, pedestres, ciclistas e futuro VLT.
O megaprojeto já saiu do papel?
O projeto já tem contrato, empresa responsável e financiamento definido, mas a instalação dos módulos ainda não começou. A Mota-Engil assinou a parceria público-privada com o Governo de São Paulo em janeiro de 2026.
Em abril de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos informou a formalização de um empréstimo de R$ 2,5 bilhões para o projeto. A previsão oficial aponta a entrega no fim de 2030.
O túnel foi contratado, mas ainda precisa cumprir várias etapas antes de chegar ao fundo do canal.
Fonte: O Antagonista




