Instalado na estrutura do antigo hospital, o museu preserva a memória de uma das maiores tragédias da saúde mental no país. Visitantes podem conhecer itens e objetos que ajudam a contar a história da instituição.
O Museu da Loucura, em Barbacena, completa 30 anos em agosto de 2026. O espaço preserva a memória das vítimas do antigo Hospital Colônia. É o primeiro museu brasileiro dedicado à saúde mental e funciona de segunda-feira a domingo, com entrada gratuita.
O museu reúne acervo com objetos originais, fotografias e documentos sobre pacientes do Hospital Colônia e sobre psiquiatria. Fundado em 1903, o Hospital Colônia recebeu pessoas indesejadas pela sociedade de forma compulsória. Os internos sofriam graves violações de direitos humanos.
O Museu da Loucura funciona dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), na área onde funcionou o Hospital Colônia, considerado o maior manicômio do Brasil, que se tornou símbolo de uma das maiores tragédias humanitárias da história do país.
O acervo reúne objetos originais do Hospital Colônia, além de fotografias, documentos, equipamentos médicos e conteúdos audiovisuais sobre a história da assistência psiquiátrica em Minas Gerais.
As exposições mostram as experiências vividas pelos pacientes ao longo das décadas, no que ficou conhecido como ‘Holocausto Brasileiro’. O espaço também funciona como local de memória e reflexão sobre a importância do respeito à dignidade humana no atendimento em saúde mental.
Recebe visitantes de diferentes partes do país, incluindo turistas, estudantes, pesquisadores e profissionais da saúde. Completou 30 anos de existência em 16 de agosto de 2026 e foi o primeiro museu brasileiro dedicado à saúde mental no Brasil.
A história do Hospital Colônia
Criado no início de 1903, o Hospital Colônia recebeu pacientes de diferentes regiões de Minas Gerais e do país. Muitos deles não tinham diagnóstico de transtorno mental, e as internações eram compulsórias e pouco fiscalizadas.
Por isso, também eram levadas para lá pessoas indesejadas pela sociedade da época, como alcoólatras, homossexuais, mendigos, prostitutas, órfãos, opositores políticos e mulheres que haviam perdido a virgindade antes do casamento ou sido rejeitadas pelos maridos.
Houve graves violações de direitos humanos e, dentre as práticas adotadas, estava o uso de eletrochoques como forma de punição por comportamentos considerados indesejados, como chorar, tentar fugir ou não seguir ordens.
As descargas eram aplicadas sem anestesia e por funcionários sem qualificação para o procedimento, causando dores intensas e até queimaduras nos pacientes, que dormiam em um modelo conhecido como “leito único”, diretamente no chão frio e cobertos apenas por capim seco. Diante de tantas atrocidades, o Hospital Colônia ficou conhecido como ‘Holocausto Brasileiro’.
Em 25 de maio deste ano, os 14 últimos moradores que permaneciam no hospital foram levados para uma residência terapêutica, onde receberão acompanhamento especializado. Todos são muito idosos e nenhum mantém contato com familiares. O Hospital Colônia fechou definitivamente após 115 anos de atividade.
Venda dos corpos dos pacientes
Pelo menos 1.800 corpos de pessoas que morreram no hospital foram vendidos para universidades e usados em aulas de anatomia nas faculdades de medicina.
Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram pedido público de desculpas pela prática que violou os cadáveres e a dignidade das pessoas.
O Ministério Público Federal (MPF) também ajuizou uma ação civil pública contra a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o Estado de Minas Gerais e a União. O órgão pede reparação histórica pela venda de corpos utilizados em aulas de dissecação na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais entre 1971 e 1975.
A ação pede que as instituições sejam condenadas a adotar medidas como o pagamento de R$ 13,7 milhões por danos morais coletivos, a publicação de declarações oficiais e a realização de cerimônias públicas de reconhecimento dos fatos.
Visitação
- Endereço: Avenida 14 de Agosto, no bairro Floresta, dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena.
- Horário de funcionamento: Das 13h às 17h às segundas-feiras, e das 9h às 17h entre terça e domingo.
- Ingresso: Gratuito.
fonte: g1




