Alunos e equipes de 12 escolas da rede municipal de Ensino apresentaram a Mostra da Educação em Tempo Integral e Educação Empreendedora, neste sábado (17/10), no Museu de Congonhas. Nos anos anteriores, as experiências haviam sido expostas nas próprias instituições de ensino. O tema deste ano foi “Uma viagem multissensorial pelo Patrimônio Material e Imaterial de Congonhas”. O projeto, desenvolvido durante o ano em parceria com a Diretoria de patrimônio Histórico da Prefeitura de Congonhas, proporcionou aos estudantes visitar e vivenciar as riquezas materiais e imateriais da cidade. Durante a mostra, estudantes, professoras e pedagogas apresentaram suas ideias e produções desenvolvidas no ambiente escolar. O evento foi realizado pela Secretaria de Educação e integrou a programação da Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação no Município.
A Secretaria de Educação e a Diretoria de Patrimônio Histórico da Prefeitura de Congonhas atuam em conjunto na oferta da disciplina Educação Patrimonial aos alunos, porque o tema está inserido na matriz curricular. Como resultado, foi criado o projeto “Conhecer para preservar”, que abordará temas diferentes a cada ano.
“Em fevereiro de 2026, foi oferecida uma formação para os professores, para que tenham um suporte e uma base de conhecimento sobre o patrimônio de Congonhas, não só os mais conhecidos como o Santuário e outras igrejas, mas também outros materiais e imateriais, como o chá de congonha, capoeira, corporações musicais, a Semana Santa, o Jubileu e outros que são patrimônios materiais comuns, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos juntamente com o Congado. A partir deste conteúdo, os professores puderam oferecer a visão deles sobre o patrimônio. Em março, começaram a ser ministradas oficinas de visitação, palestras, experiências práticas como o fazer do chá de congonha e do cubu, que é do ofício das quitandeiras, trabalhamos o patrimônio ambiental para que eles conhecessem a planta congonha e o ipê amarelo. A gameleira de Lobo Leite também está em processo de tombamento municipal. Então estamos trabalhando toda essa história, desde sua origem até o ponto em que se tornou patrimônio municipal. O objetivo é fazer com que as crianças desenvolvam o sentimento de pertencimento, porque tudo aquilo que a gente conhece, a gente preserva. O trabalho do primeiro ano do projeto culminou com esta mostra dos alunos, que criaram tudo com base no conhecimento adquirido”, contextualiza uma das servidoras da Diretoria de Patrimônio Histórico envolvida na parceria com a Secretaria de Educação.
Gerente de Educação em Tempo Integral da Prefeitura de Congonhas, Bianca Saião ressalta que “os temas diversificados propostos pela Diretoria de Patrimônio Histórico fizeram com que as crianças pudessem sair de sua comunidade local e fossem conhecer outras realidades e seus bens tombados, sejam materiais ou imateriais”.
Projetos das escolas
Escola Jair Elias
O projeto ”Pequenas Ideias, grandes protagonistas”, resultado da disciplina “Educação Empreendedora” na escola do Santa Mônica, criou um sistema eleitoral para eleger os líderes de turma e, a partir daí, desenvolver o protagonismo infantil. Os alunos levantaram ideias e, a partir daí, demandas de acordo com as necessidades da escola.
“Criamos uma eleição com uma urna eletrônica de verdade, com a qual os estudantes elegeram os líderes e vice-líderes de turma. Antes, cada candidato realizou campanhas, com apresentação de propostas, debates e distribuição de material gráfico. Foram criados título eleitoral, o passaporte do protagonismo, em que ficou registrado o que aprenderam e as propostas, que agora estão sendo executadas. A comunidade escolar participou de todo o processo e conferiu a lisura do processo eleitoral. Ao final, ocorreu a posse dos vencedores e o início dos trabalhos dos eleitos”, detalha a professora Zilmara Pinto Alves Rodrigues.
“Achei uma experiência muito legal e divertida, adorei votar. Começamos tudo com uma pergunta: o que podemos fazer para tornar a nossa turma e nossa escola melhores? Depois aprendemos que ser protagonista não é somente ser líder. Todos nós podemos ter ideias, fazer escolhas e ajudar a melhorar o lugar onde vivemos. Em seguida, criamos um processo eleitoral e aprendemos também que Educação Empreendedora é pensar, criar, escolher e transformar. Criamos a árvore dos compromissos, registrando atitudes que podemos ter todos os dias, como cuidar, ouvir, respeitar e colaborar, porque pequenas ideias podem gerar grandes transformações”, testemunha a aluna Helena Lima Diniz, aluna do 2º Ano.
A mesma instituição de ensino do bairro Santa Mônica desenvolveu um projeto de Educação Patrimonial, que permitiu aos alunos da escola conhecer a comunidade do Alto Maranhão e, em especial, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda. O trabalho foi desenvolvido pelas crianças, depois de estudarem à fundo toda a história do local. Eles visitaram o distrito para verem de perto seus bens culturais e religiosos. As crianças beberam a água da fonte que foi encanada pelo saudoso Sr. Geraldo Lucindo até uma torneira que fica à frente da casa da família até hoje, para facilitar para quem não consegue descer até o local de peregrinação. O projeto criou um blog pelo qual conseguiram diversas maneiras de comunicar com outros estudantes e outras pessoas da mesma idade a história e o valioso patrimônio do Alto Maranhão, de forma criativa e ilustrativa”, relata a professora do 4º Ano, Maria Luiza Marzano.
Durante a pesquisa, os participantes tomaram conhecimento sobre fatos curiosos e marcantes sobre a história do local. “Eles conheceram curiosidades como o roubo das imagens, a construção da capela de forma escondida pelos fazendeiros, a descoberta da água da fonte de N. Sra. da Ajuda. Também aprenderam que a população do Redondo foi a primeira em Minas Gerais a fazer uma representação da Santa, que era mais conhecida na Bahia, depois de ser trazida de Portugal”, conclui a professora.
O aluno Guilherme Ribeiro Moreira destaca uma inovação que a mostra disponibilizou para os visitantes no Museu de Congonhas nesse sábado: “Através dos óculos de realidade virtual, vemos a Igreja, as imagens, a capela mor que foram roubadas, algumas recuperadas e outras recriadas”.
Escola de Santa Quitéria
“O projeto Educação Empreendedora, da Escola de Santa Quitéria, teve como tema a Sociedade Musical Nossa Senhora da Ajuda, que é a banda que se apresenta na escola, na Igreja e pelas ruas de Santa Quitéria. Durante o evento, os alunos apresentaram as canções Asa Branca e Cílio da Terra. Eles se apropriaram dos instrumentos e do canto”.
“O outro projeto da escola foi o ‘Cafeteria de Santa Quitéria’. A história da galinha ruiva deu origem a um bolo. Mas teve também o sanduíche da Dona Maricota, feito com pão artesanal, que levou o nome de três instrumentos musicais: pandeiro, violão e piano. Como puderam ver, os dois projetos estão relacionados à música”.
Explica a professora regente de Tempo Integral II, Luciene Magalhães.
Escola José Cardoso Osório
“Nossos alunos quiseram entender como funciona o empreendedorismo de sucesso. Para isso, experimentaram produzir peças de decoração a partir de materiais recicláveis. Também cultivaram suculências. A ideia surgiu de uma criança que fez pulseirinhas de miçanga, o que incentivou às demais a pensar em empreenderem também. Durante o ano, eles tiveram acesso a palestras de empreendedores já consolidados no mercado que explicaram aos estudantes como avançarem com suas ideias”.
“O outro tema está relacionado ao patrimônio histórico de Lobo Leite, que envolve a Igreja de Nossa Senhora da Soledade, a praça Álvaro Lobo Leite Pereira, a Estação Ferroviária, os casarões e as bicas do Distrito de Lobo Leite. Os professores do projeto Nosso Lugar também colaboraram com o projeto. Então produzimos um vídeo sobre a aprendizagem durante todo o processo”.
Conta a professora Quitéria, da escola da Basílica.
Escola Padre Jacinto
Duas plantas diretamente ligadas às histórias e ao cotidiano dos congonhenses foram abordadas pela Escola M. Padre Jacinto, da Vila Cardoso. O projeto chá de congonha buscou ensinar aos alunos sobre a planta que dá nome à cidade e havia batizado o rio que depois passou a se chamar Maranhão. Ela possui quatro espécies: bate caixa, bugre, douradinha e cinco folhas.
Planta congonha
“Zezeca [o servidor municipal, artista e sitiante José Félix] e Juliana [Diretoria de Patrimônio Histórico] deram explicações para alunos e professores da escola no Parque Natural da Romaria, onde há plantio da congonha. Ele mostrou passo a passo como se faz o chá. As professoras foram a campo para buscar a folha. Um vídeo foi produzido no dia desta apresentação e foi exibido durante a mostra deste sábado”.
ipê roxo
“A professora Sueli Santos da Silva do 4º e 5º anos do Tempo Integral e os alunos plantam a semente do ipê roxo em garrafas pet do iogurte que chega para a alimentação escolar da escola”.
Morango orgânico
“A partir do estudo do livro ‘O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso’, a professora e os alunos cultivaram mudas de morango e a professora fez uma água saborizada com a fruta, que trouxe para o evento”.
“Agora estamos colhendo os nossos frutos”, brinca a Ana Clara Juqueira, diretoria da Escola Padre Jacinto, em referência à fruta, mas também ao resultado das aulas em tempo integral na escola da Vila Cardoso.
Escola Augusto Silva
Com o projeto Ecoagentes, os alunos da instituição de ensino da Vila São Vicente perceberam que o lixo da escola era descartado junto com o material reciclável. Então foram implantadas a reciclagem e o descarte adequado do restante. O lixo orgânico é colocado em bombonas, o Instituto Origem o recolhe e leva para a compostagem, no Jardim Industrial. Já os papeis, os recortes de folha e livros que não serão mais usados é transformado em papel reciclado. Com ele, é feita capa de cordel, caixinhas e sacolas. O projeto começa a ser implantado na escola. O material que não pode ser reciclado na escola é levado até a Ecoestação, no Bebe Água, e é trocado, conforme a pontuação, por brindes.
A professora do 3º Ano, Roselaine Gomes, aponta os resultados: “Pelo aplicativo, o cidadão pode acompanhar o quanto de água não foi contaminada, o carbono que não foi liberado no meio ambiente, entre outros benefícios ambientais. Quando ensinamos os alunos a separarem o lixo só com atividades pedagógicas é diferente de quando eles vivenciam isso na prática, porque a aprendizagem é muito maior. Agora, eles e a família têm levado eletroeletrônicos ou material reciclável mais simples para a Ecoestação para trocarem por brindes”.
A Semana Santa de Congonhas como patrimônio imaterial foi o tema do outro projeto da Escola Augusto Silva, valorizando a essência, a história e as características da cidade. As igrejas, os sinos, as matracas, os instrumentos da banda que acompanha as procissões, as vestes dos personagens bíblicos, os tapetes criados nas ruas e até a abstinência de alimentação, como a carne, estiveram presentes no estande”, detalha a professora Michele, do 4º Ano.
Escola Nossa Senhora da Ajuda
“Como foi proposto para a comunidade do Alto Maranhão que estudasse outras comunidades, focamos nas comunidades quilombolas de Santa Quitéria, Barra de Santo Antônio e Campinho. Realizamos muita pesquisa sobre o artesanato, agricultura e alimentação dessas comunidades. Fizemos uma visita técnica ao Campinho, assim como fomos visitados por Santa Quitéria. Foi um trabalho muito rico que, em uma pequena amostra, apresentamos neste evento. Hoje (sábado) aqui no evento, os alunos visitaram outros estandes em uma houve troca de experiências entre as 12 escolas. Assim, valorizamos o conhecimento de todo o nosso entorno, observando os aspectos essências de todas as outras, entre elas das comunidades quilombolas”, explica a pedagoga da escola, Andrea Gomes.
A aluna Talita Manuela, aluna do 3º Ano, aprendeu que ”os quilombolas são grupos de pessoas africanas escravizadas, que se refugiavam em quilombos. Com o tempo, foram nascendo brasileiros nestes quilombos e descendentes deles mantém suas tradições até
“Usamos palha de milho para fazermos boneca e carrinhos. Também pesquisamos bastante e aprendemos muito sobre os quilombos e visitamos o Quilombo do Campinho”, conta a estudante Maria Elisa.
Escola Dona Maria de Oliveira Castanheira
O projeto de Educação Empreendedora da escola do Campinho abordou os aspectos religiosidade, que é o da devoção ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos, e o lado econômico, do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, representado na mostra por uma barraquinha.
Os alunos utilizaram papel machê e biscuit para criarem a maquete do Santuário, da Romaria, da Ladeira Bom Jesus e sua Igreja de São José. Também foi criada uma linha do tempo, desde Feliciano Mendes, ainda doente, que fincou uma cruz no Morro Maranhão e prometeu ao Bom Jesus erguer uma capela, caso se curasse de sua enfermidade, passando pela Igreja em obras, até os tempos de hoje. De um mosaico feito com pedacinhos de papel, surgiu a fachada da Basílica.
“Da religiosidade, surgiu o empreendedorismo pela venda de produtos pelos mercadores e caixeiros no início do Jubileu. Hoje, temos as barracas, entre elas a do churros, outros alimentos, roupas e utensílios domésticos”, lembra a professora, Janaína Cássia Guedes.
Escola Dona Caetana Pereira Trindade
Um projeto de Educação Empreendedora incentivou os alunos a cultivarem plantas como hortelã, capim cidreira, alecrim e erva doce na horta de verduras da nossa escola do Alto Maranhão. “Depois, nós os secamos à luz do sol. Adquirimos as embalagens recicláveis e trouxemos o produto para a mostra”, completa o estudante João Pedro Henriques Rodrigues dos Santos, do 8º Ano.
Outro projeto da escola, A Ladeira Bom Jesus, da escola produziu maquetes do Santuário, da Igreja de São José e da Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição, a Ladeira Bom Jesus e a Ladeira de acesso à Matriz foram feitas com material reciclável, como papelão, tampinhas, papel crepom que se transforma em adubo.
“Um QR-Code dá acesso ao podcast com o historiador André Candreva contando toda a história do nosso sítio histórico”, revela a aluna Stela Eduarda Cota dos Santos, do 5º Ano, enquanto distribuía souvenirs destes bens tombados.
Escola Amyntas Jacques de Moraes
“A disciplina Educação Empreendedora na escola de Lobo Leite gerou o Plano de negócios da salada de frutas. Os alunos escolheram as frutas com base no gosto da turma, já que guloseimas foram proibidas nas escolas. Eles criaram um pote de 400 gramas e estipularam o preço de R$ 6,00. Todos os estudantes daquela instituição de ensino saborearam, gratuitamente, o produto. A proposta foi apresentada para a direção da escola, que a considerou viável”.
“Os alunos de tempo integram também criaram o projeto da capoeira. Durante o evento deste sábado, os alunos apresentaram uma roda de capoeira com uma música que homenageia os mestres Pacato e Ratão”.
Relata Janaína Silva B. Braga, pedagoga da E. M. Amyntas Jacques de Moraes.
Escola Dr. Victorino
“Uma releitura da história da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma das primeiras de Congonhas, foi o tema do trabalho dos estudantes dos 4º e 5° Anos, para que saibam como ela foi feita e sua arquitetura. Durante o ano, conversamos com os alunos sobre o tema, contamos a história, visitamos a igreja, onde o congado é muito forte. Então, os alunos realizaram as pinturas da fachada da igreja, que é o que apresentamos na mostra”, conta Ana Paula Pacheco Rezende, professora da escola municipal do Campo das Flores.
Uma das participantes do projeto foi a aluna Alexia da Silva Freitas, da Mineirinha. “Conhecemos bastante a Igreja e a nossa cultura”.
“O tempo integral é legal, porque oferece muitas atividades inclusive físicas para que possamos nos desenvolver. Também gosto muito das atividades voltadas para o patrimônio histórico”, completa Alexia.
Galeria de fotos
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Outras atrações da mostra
As oficinas de Ex-votos e “IA-Inovação e Materiais Sustentáveis na Sala de Aula” foram ministradas em parceria com a Associação Dez pras oito, por meio do projeto Nosso Lugar.
A contação de histórias “Além da Palavra”, com a palestrante Alessandra Nogueira, especialista em literatura infantil e juvenil, encerrou o evento.
“Em 2027, esperamos encontrar um espaço que acolha de forma mais adequada à mostra, pela dimensão que ela ganhou, para que as crianças consigam interagir melhor entre elas e se descobrirem ainda mais”, antecipa a gerente de Educação em Tempo Integral da Prefeitura de Congonhas, Bianca Saião.
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas



















