Exemplo de voluntário: fotógrafo faz limpeza no monumento de Tiradentes e na tricentenária gameleira da Varginha

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O fotógrafo Célio dos Santos transita quase que diariamente entre Lafaiete a comunidade de Carreiras, em Ouro Branco, onde reside com sua família. Em suas andanças pelo trajeto, ele percebeu que sítio da Varginha, situado às margens da MG 129, em Lafaiete, onde estão expostas partes do corpo do mártir Tiradentes e  tricentenária árvore gameleira estavam tomadas pelo mato e abandonado.

O fotógrafo Célio dos Santos/REPRODUÇÃO

Como defensor do patrimônio histórico, Célio deu o exemplo de cidadania e, com foice e enxada, ele próprio faz a limpeza do local. “Se cada um fizer um pouco pelo coletivo, pela nossa natureza e pelos nossos bens históricos podemos transformar nossa cidade”, comentou o voluntário.

Um pouco da história

As ruínas do Sítio da Varginha do Lourenço estão localizadas às margens da via conhecida no período colonial como Caminho Novo e são tombadas pelo IEPHA (Instituto do Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico), desde 21/4/1989. O conjunto constitui-se das ruínas da antiga edificação denominada Estalagem da Varginha, uma gameleira centenária e outras instalações. A Estalagem, em 1788 foi palco de encontros de alguns dos inconfidentes que planejavam a independência do Brasil, o que justificou a exposição – embaixo de uma gameleira – de parte do corpo do único inconfidente condenado a morte – Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, em 1792.

Em 1950, a Estalagem foi demolida, restando apenas ruínas. Em 1989, foi erguido o monumento em pedra sabão em homenagem ao Bicentenário da Inconfidência Mineira, quando a Açominas encomendou a obrado artista plástico Raul Amarante Santiago.

O Monumento a Tiradentes é  também conhecido popularmente como “perna do Tiradentes”. No local, há placa com o seguinte texto: “Esta Gameleira, em 1792, cobriu, com sua sombra amiga, parte do corpo esquaterjado de Tiradentes. Seu ideal de construir aqui uma fábrica de ferro está sendo realizado , hoje, pela Açominas, que incorporou à usina esta área, só Sítio da Varginha, por onde passava a Estrada Real, para sua preservação.”
As ruínas eram hospedaria famosa, onde Tiradentes pernoitou com os inconfidentes, tendo ali feito reuniões secretas. Foi propriedade do senhor João da Costa Rodrigues, casado, com dez filhos, morador da Varginha do Ouro Branco, Freguesia de Carijós, Comarca de Villa Rica, a oito léguas da mesma, e vivia do rendimento de uma taberna e de ter um rancho para recolher passageiro.
Sob a frondosa sombra da Gameleira, que conta mais de 300 anos, foi depositada uma parte esquartejada do corpo de Tiradentes em 1792. Há pouco tempo foi danificada por um raio, mas brotou vigorosamente e está se tornando novamente viçosa..