Motorista demitido após acidente com ônibus da Presidente, relata omissão, desumanidade e desrespeito da empresa

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Senhor Dodô confirma que carro perdeu os freios, sofreu apagão e atingiu o poste

Eram por volta das 14:55 horas, do dia 15 de maio, quando o motorista Vicente Salvador Guimarães, conhecido carinhosamente por Dodô, como de costume, fazia a linha entre o Morro da Mina ao Paulo VI. Na descida da Rua Ruth de Sousa, no Bairro Museu, ele sentiu que apenas uma das rodas traseiras teria correspondido, percebendo que o ônibus estava com problemas mecânicos.

Motorista Dodô lamentou a posição da empresa na sua demissão inesperada/CORREIO DE MINAS

Em seguida, o veículo ao sofrer um apagão, desviou seu curso e bateu de frente de com um poste. O impacto foi de grande intensidade que ele partiu ao meio. Menos de 15 passageiros estavam no ônibus. “Eu não joguei o ônibus contra o poste. Aliás quem jogou foi Deus, caso contrário não estaria aqui conversando com você. Dos males, o menor”, relatou Dodô a nossa reportagem, 37 dias depois do acidente que poderia ter se transformado em uma tragédia. Com 22 anos de motorista passando antes pela Lafaietense e São Miguel, Dodô conta que sofreu um susto, mas revelou que ficou tranquilo. “Um dos passageiros quebrou várias costelas”, afirmou.

Foi o próprio Dodô que acionou o SAMU e os Bombeiros. Ele conta que sequer recebeu socorro ou mesmo fora levado ao hospital para avaliar a sua saúde após o acidente “Não me deram qualquer socorro ou ajuda psicológica. Foi um acidente de trabalho e como tal no dia seguinte poderia ter passado mal”, salientou. Além da omissão, o motorista conta que a empresa não respeitou o profissional de mais de 22 anos dedicados de forma exemplar sem qualquer ato que desabonasse sua conduta. A partir do acidente, as coisas mudaram e a Viação Presidente lhe comunicou que ficasse descansando em sua casa até que fosse novamente que fosse convocado ao trabalho.

Dias depois, o motorista recebeu as passagens para ir a Belo Horizonte na sede da empresa, quando lá lhe comunicaram, sem qualquer justificativa plausível, seu imediato desligamento. “Não tenho mágoa da empresa, mas ela não valorizou o profissional que ela tinha. Ela não foi humana comigo e me desrespeitou”, salientou. “O que eu perdi foi a amizade que lá deixei”, afirmou. Sua demissão caiu como uma bomba revoltando a grande maioria dos lafaietense. “Recebi apoio e carinho de inúmeras pessoas. A cidade inteira esteve ao meu lado e isso me comoveu muito”, disse.

Ao ser questionado se ele conhecia os motivos de sua demissão, Dodô não titubeou: “Acredito que eles querem lançar sobre mim a responsabilidade que é da empresa”, sentenciou. Dodô disse que ainda não teve acesso a perícia, mas revelou que os pneus do ônibus estavam “carecas”. “Não tenho dúvidas que foi um problema mecânico”, confirmou. Segundo ele, a frota da Presidente está em processo avançado de deterioração e acredita que a empresa apenas aguarda o fim da concessão, em 2021, para deixar Lafaiete.

A família

Sr. Dodô é uma figura simples e carismática. Morando no Bairro Bellavinha, ele é natural de Itaverava. Ele tem 3 filhos e 4 netos. O filho Marco Antônio, de 23 anos, é especial e a joia da família. “Falaram tanto que iam me arrumar um emprego, mas até agora ainda não recebi um convite”, cobrou Dodô que tem menos de 2 anos para se aposentar. “Cumpri meu dever”, finalizou Dodô.