13 de abril de 2024 18:58

Ouro Preto terá centro de acolhimento para a população LBGTQIAPN+

O CRA de Ouro Preto é uma casa onde serão realizados os atendimentos psicossociais. Local pretende ser seguro e de referência para a população

Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, abre um espaço para a promoção de políticas públicas voltadas para a população LGBTQIAPN+ com a inauguração da sede do Centro de Referência e Acolhimento LGBT+ (CRA LGBT+), no próximo dia 6 de dezembro. O espaço, localizado no bairro Antônio Dias, será considerado o segundo de Minas Gerais, como política pública já instituída. O primeiro é em Belo Horizonte.

A iniciativa é fruto de uma pesquisa iniciada em 2021 que tinha como objetivo conhecer a população LGBTQIAPN+ da cidade histórica e inspirado em modelos voltados para atender e acolher esse público já vivenciados em outras cidades, diz o diretor de Promoção Social, da Secretaria de Desenvolvimento Social de Ouro Preto, Victor Pinto.

Victor Pinto conta que o diagnóstico sobre a população LGBTQIAPN+ da cidade e dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicaram uma realidade de violência física, verbal, psicológica alinhada à falta de acesso às políticas para essa população.

A partir do cruzamento de informações, com o diagnóstico respondido por 700 pessoas e os relatos de criminalidade, a diretoria de Promoção Social constatou que deveria avançar nas propostas de inclusão. O diagnóstico também concluiu que os dados fornecidos pela pesquisa ainda não espelhavam a realidade quantitativa da população LGBTQIAPN+ que mora na cidade.

“Estimo que o número seja entorno de 9 mil pessoas. O número de pessoas que responderam ao questionário não reflete a quantidade de pessoas na cidade porque sabemos que a pesquisa não alcançou grande parte das pessoas pelas limitações da metodologia utilizada e nós não temos dados oficiais e nem pesquisas sobre orientação sexual e identidade de gênero. Além disso, ainda vivemos numa sociedade extremamente preconceituosa e violenta para o população LGBT+ e muitas pessoas ainda escondem sua orientação sexual e até mesmo sua identidade de gênero”, diz o diretor.

Victor Pinto acredita que com a criação de um espaço destinado apenas para a população LGBTQIAPN+ muitas pessoas se sentirão encorajadas a buscar ajuda e reconhecimento. O centro contará com um psicólogo, assistente social e agentes administrativos, com o objetivo de promover acesso à cultura, ao lazer e à informação.

“Vamos ampliar essa equipe com atendimento jurídico e pedagógico e também estamos programando diversas atividades para acontecerem no CRA LGBTQIAPN+, incluindo cursos, palestras, rodas de conversa e atividades dos projetos de extensão realizados pela UFOP”, afirma ele.

Casa de acolhimento


Victor Pinto conta que o CRA de Ouro Preto é uma casa onde serão realizados os atendimentos psicossociais da população e, se necessário, o encaminhamento para outros setores públicos. O acolhimento é feito por todas as pessoas da equipe de profissionais que identifica as demandas de cada assistido.

O diretor ressalta que o CRA também atenderá as demandas de famílias das pessoas LGBTQIAPN+, “principalmente para ajudar pais e mamães a compreenderem melhor as questões relacionadas a identidade de gênero e orientação sexual dos filhos e filhas”, afirma.

“Não é uma casa de moradia, como em Belo Horizonte, mas é uma casa em que a população pode frequentar durante o período de funcionamento. A ideia é que a população LGBTQIAPN+ tenha a casa literalmente como uma referência de lugar seguro. Seja para receber um atendimento ou para passar o dia estudando, participando das atividades, fazendo amizades”.

Violência


O diretor de Promoção Social relata que na pesquisa diagnóstica foram identificadas 36 pessoas trans, incluindo pessoas não-binarias. O número pode ser considerado pequeno, mas segundo Victor Pinto, é essa a população que mais precisa de acolhimento devido à falta de informação da sociedade, de acesso à políticas públicas e também por causa da violência sofrida por elas.

A ouro-pretana Izza Silva, de 27 anos, conta que há duas semanas vivenciou um episódio que, segundo a cabelereira, é considerado transfobia. Para a mulher trans, um dos maiores desafios é a falta de acessibilidades a locais públicos ou até mesmo banheiros.

“Sofro aqui em Ouro Preto para ter acesso a um banheiro. Sofri uma transfobia em um clube daqui da cidade, fui impedida de usar a sauna feminina e fui retirada do banheiro. Me senti mal com tudo aquilo, não desejo a ninguém passar pelo que vivi e o Centro de Referência e Acolhimento ainda nem está funcionando oficialmente, mas já me atendeu”, conta ela.

A cabelereira afirma que a cidade histórica precisava de uma local próprio para dedicar no acolhimento à população LGBTQIAPN+. “Apesar das lutas que enfrentamos no dia a dia e o todo preconceito e discriminação, temos onde pedir socorro e auxílio, quem nos ouve e realmente se importa com nossa causa. Então, com certeza, é um grande passo para nossa comunidade, eu como mulher trans fico muito feliz”, complementa.

“A identificação da nossa comunidade é importante é às vezes a família não sabe ajudar ou não compreende a nossa situação, com um local específico, com pessoas capacitadas tudo será resolvido”, conclui.

FONTE ESTADO DE MINAS

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