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PARADA HÁ ANOS: Câmara cobra explicações sobre reforma do Hotel do Jucão em Congonhas

Um dos marcos arquitetônicos e históricos da região central de Congonhas, o Hotel Congonhas — popularmente conhecido como Hotel do Jucão — voltou ao centro das discussões no Legislativo Municipal. Através de requerimento oficial, a Câmara de Vereadores solicitou à Secretaria de Planejamento esclarecimentos urgentes sobre a paralisia das obras no imóvel, que se arrasta há vários anos.

O foco principal da fiscalização recai sobre o Processo 308/23 e o Contrato 376/23, cujo valor ultrapassa os 400 mil reais. O acordo previa um prazo inicial de execução de 12 meses, mas o estado atual das intervenções levanta dúvidas sobre o cumprimento das etapas contratadas. A vereadora Patraícia Monteiro (PSB) autora do requerimento questiona se os recursos alocados resultaram em avanços práticos ou se o município enfrenta novos entraves burocráticos para a reforma total do edifício. A obra está para paralizada desde 2023.

Revitalização da Rua Vitor de Freitas

Além da estrutura do hotel, o pedido de informações abrange a área envolvente, especificamente a Rua Vitor de Freitas. O local abriga uma escadaria histórica que margeia a linha férrea, considerada um património visual e cultural do centro da cidade.

O Legislativo quer saber se existe um projeto integrado de revitalização que contemple:

  • A conclusão definitiva das obras do Hotel do Jucão;
  • A recuperação da escadaria histórica;
  • A urbanização do entorno para fomentar o turismo e o comércio local.

Expectativa de Resposta

O Hotel do Jucão é visto por muitos moradores como um símbolo de abandono no coração de Congonhas. A resposta do Poder Executivo será fundamental para definir se há um cronograma real de entrega ou se o imovel continuará à espera de definição. A Secretaria de Planejamento deverá apresentar os documentos e justificativas técnicas sobre o andamento dos contratos mencionados nos próximos dias.

A história

Na década de 1960, o Sr. Florisbelo Pereira — o Jucão — abriu a pensão que levaria seu nome, transformando o endereço em ponto de encontro da cultura popular. Grande incentivador do congado, manteve viva a festa em homenagem a Nossa Senhora, que tomava as ruas de maio e outubro, saindo dali em direção à Igreja do Rosário.
O imóvel, desapropriado pelo município, tem proteção apenas por integrar o conjunto urbano tombado pelo IPHAN em 1941. No âmbito local, porém, não há registro de tombamento específico. Curiosamente, o perímetro estabelecido em 2010 para o Núcleo Histórico de Congonhas vai da Rua Dr. Victor de Freitas à Avenida Governador Valadares, deixando de fora edificações de reconhecida relevância histórica, como o Hotel Jucão e o Hotel Vartuli.

Corrigir essa lacuna exigiria a elaboração de um novo dossiê de tombamento, capaz de ampliar a proteção ao patrimônio urbano. Nesse sentido, há uma iniciativa da Prefeitura para resguardar o núcleo urbano da Estação Ferroviária. O projeto pretende incluir as construções do entorno — entre elas o Jucão, o Vartuli e o antigo embarcadouro da Crusul — assegurando a conservação de um conjunto histórico mais amplo e representativo da cidade.

Entretanto, o prédio histórico não pode esperar; se nada for feito agora, restará apenas um monte de entulho onde, por décadas, pulsou vida, música, fé e tradição. Que o poder público intervenha para salvar a Pensão do Jucão antes que a última parede caia, pois, a memória não se reconstrói depois que desaba.

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