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Toyota passa vergonha: carro da marca recebe nota zero em segurança mesmo com airbags e controle de estabilidade; hatch 1.5 aspirado de até 105 cv teve estrutura considerada instável e proteção insuficiente para cabeça e tórax

Avaliação realizada pelo Global NCAP em um subcompacto amplamente vendido na África do Sul expõe problemas graves de segurança estrutural e proteção insuficiente para ocupantes em caso de colisão, resultado que contradiz diretamente a reputação global de qualidade e confiabilidade associada à montadora japonesa.

O Toyota Starlet, subcompacto fabricado na Índia e amplamente comercializado na África do Sul como um dos modelos mais populares do mercado local, recebeu zero estrela na avaliação de proteção para ocupantes adultos conduzida pelo Global NCAP, entidade internacional independente dedicada à avaliação da segurança passiva de veículos em diferentes mercados ao redor do mundo.

O resultado chama a atenção especialmente porque contrasta com a imagem de qualidade e confiabilidade que a Toyota construiu ao longo de décadas no mercado automotivo global, colocando em evidência as diferenças significativas nos padrões de segurança exigidos em diferentes regiões do planeta, onde a legislação varia de forma expressiva e, em muitos casos, permanece insuficiente para proteger adequadamente os consumidores locais.

Nos testes realizados pelo Global NCAP, os avaliadores identificaram que a área dos pés e a carroceria do Starlet mostraram-se instáveis e incapazes de suportar cargas adicionais em caso de colisão frontal, um problema estrutural grave que pode comprometer diretamente a sobrevivência e a integridade física dos ocupantes em acidentes de trânsito com impacto frontal de alta energia.

No teste de impacto lateral, os resultados foram igualmente preocupantes, com a proteção da cabeça e do tórax dos ocupantes sendo classificada como insuficiente pelos avaliadores, enquanto apenas a proteção abdominal foi considerada adequada, evidenciando falhas estruturais significativas na capacidade do veículo de proteger os ocupantes em colisões laterais, tipo de acidente comum em cruzamentos urbanos.

O teste de impacto lateral contra poste, um dos mais severos do protocolo do Global NCAP, sequer foi concluído porque o Starlet não conta com airbags laterais de proteção para a cabeça como equipamento de série, o que levou a entidade a interromper a avaliação desse quesito por razões de segurança e de integridade do protocolo de testes estabelecido para essa modalidade.

Apesar do resultado zero estrela para proteção de adultos, o Starlet recebeu três estrelas na avaliação de segurança para crianças — uma contradição aparente que, mesmo assim, não elimina as preocupações dos avaliadores, já que durante os testes a cabeça do boneco representando uma criança de três anos entrou em contato com partes do interior do veículo e a proteção do tórax foi classificada como insuficiente.

Ao ser notificada sobre os resultados dos testes, a Toyota adotou uma postura defensiva, criticando publicamente a metodologia do Global NCAP e afirmando que a versão testada pela entidade era obsoleta e não representava o modelo atualmente comercializado no mercado sul-africano, onde uma versão atualizada do Starlet já estaria disponível nas concessionárias com especificações de segurança superiores.

O Global NCAP revelou que adquiriu o veículo de forma anônima em uma concessionária, sem identificar que o objetivo era submetê-lo aos testes de segurança, mas que recebeu a informação de que o modelo estava sendo atualizado somente após a conclusão do processo de avaliação, o que levou a entidade a adquirir uma nova unidade do modelo atualizado para repetir os testes em data futura.

A versão atualizada do Toyota Starlet passa a ter airbags laterais, de cabeça e de corpo como equipamentos de série, uma mudança significativa em relação ao modelo testado, que contava apenas com airbags frontais para motorista e passageiro, evidenciando que a própria Toyota reconhecia, implicitamente, a insuficiência do nível de segurança passiva do modelo em sua configuração original no mercado sul-africano.

Vale destacar que o Starlet compartilha exatamente a mesma plataforma que o Suzuki Baleno, sendo produzido na mesma fábrica indiana com diferenças apenas estéticas entre os dois modelos, o que levanta questões sobre os resultados de segurança do Baleno em avaliações similares e sobre a responsabilidade dos fabricantes em garantir padrões mínimos de proteção em todos os mercados globais.

Richard Woods, Diretor Executivo do Global NCAP, não poupou críticas à Toyota nem ao contexto regulatório sul-africano ao divulgar os resultados, classificando o resultado como chocante e alertando para os riscos representados por um veículo tão popular sendo vendido sem os padrões mínimos de segurança que seriam exigidos em mercados com regulamentação mais rigorosa.

“Este resultado de zero estrelas da Toyota é chocante; o Starlet, um dos carros mais populares vendidos na África do Sul, apresentou uma carroceria instável, além de proteção inadequada para a cabeça e o tórax, o que é motivo de séria preocupação”, declarou o executivo, reforçando que nenhum consumidor deveria ser exposto a riscos evitáveis por ausência de regulamentação adequada no país onde compra seu veículo.

Woods também apontou que o problema é amplificado pelo fato de o Starlet ser amplamente utilizado em locadoras de veículos e frotas corporativas na África do Sul, o que multiplica o número de pessoas expostas ao risco, já que passageiros que não escolheram o veículo — turistas, clientes corporativos e trabalhadores — acabam igualmente expostos às deficiências estruturais identificadas nos testes.

“Equipamentos de segurança e veículos fabricados com altos padrões de segurança estrutural nunca deveriam ser um opcional ou um recurso reservado para mercados fora da África, nem os fabricantes deveriam se esconder atrás da lamentável falta de legislação rigorosa de segurança veicular no país”, completou o executivo, em crítica direta à prática de oferecer versões menos equipadas em mercados com regulação menos exigente.

O caso do Toyota Starlet reacende o debate sobre a necessidade de harmonização global dos padrões mínimos de segurança veicular, especialmente em mercados emergentes onde a falta de legislação rigorosa permite que fabricantes comercializem versões com menor nível de equipamentos de segurança do que as vendidas em países desenvolvidos, criando uma disparidade que coloca em risco consumidores em função de sua localização geográfica.

Fonte: Click Petróleo & Gás

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