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Nem todo abraço oferece proteção: Espetáculo que estreia em Lafaiete convida público a refletir sobre segredos que carregamos, medos que escondemos e sombras que aprendemos a habitar

Há segredos que libertam quando são revelados. Outros criam raízes. Crescem devagar. Moldam comportamentos, alteram trajetórias e passam a ocupar espaços cada vez maiores dentro de nós.Com o passar do tempo, deixam de ser apenas segredos.Transformam-se em companhia.

É dessa convivência silenciosa entre o ser humano e aquilo que ele escolhe esconder que nasce “Breu, quando os segredos te abraçam”, espetáculo que estreia no próximo dia 14 de junho, no Teatro Municipal de Lafaiete.

Criada, dirigida e interpretada por Filipa Diáz, a montagem conduz o público por territórios onde a luz raramente alcança. Não se trata apenas da solidão contemporânea ou da influência das redes sociais, embora ambas estejam presentes. O espetáculo fala, sobretudo, sobre aquilo que permanece guardado. Sobre as dores que não encontram linguagem. Sobre as memórias que insistem em sobreviver. Sobre os conflitos que aprendemos a administrar até que eles passem a fazer parte de quem somos.

Em uma sociedade cada vez mais treinada para exibir certezas, felicidade e controle, a peça volta os olhos para a fragilidade humana. Para as contradições. Para os medos. Para os vazios que continuam existindo mesmo em ambientes lotados, cercados de vozes, imagens e conexões permanentes.

O grande mérito de Breu talvez esteja justamente em evitar respostas. O espetáculo prefere permanecer no território das perguntas. O que acontece quando uma pessoa passa anos escondendo partes de si mesma? Quanto custa sustentar determinadas máscaras? Em que momento o segredo deixa de ser algo que carregamos e passa a ser algo que nos carrega?

Mais do que uma encenação, a obra propõe um encontro desconfortável com temas que atravessam a experiência humana desde muito antes da internet, dos telefones celulares ou das redes sociais. Afinal, os mecanismos mudam. As angústias nem sempre.

Ao final, cada espectador provavelmente deixará o teatro acompanhado por uma pergunta diferente. Mas quase todos terão algo em comum: a sensação de terem visitado lugares que costumam permanecer fechados durante a rotina.

Porque nem sempre o breu está ao redor. Às vezes ele aprende a morar dentro de nós.

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