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INSS pode permitir aposentadoria mais cedo para quem trabalha como motorista no Brasil

(Foto: Reprodução/Agência Brasil)

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode ampliar o acesso à aposentadoria especial para milhares de trabalhadores do setor de transporte no Brasil. A Corte reconheceu a possibilidade de motoristas de caminhão, motoristas de ônibus e cobradores terem o tempo de serviço enquadrado como atividade especial, desde que seja comprovada a exposição permanente a condições prejudiciais à saúde.

O entendimento foi firmado no julgamento do Tema 1307, em recurso repetitivo, o que significa que a tese deverá servir de referência para processos semelhantes em todo o país. Na prática, a decisão pode permitir que profissionais da categoria consigam se aposentar mais cedo pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo o STJ, o reconhecimento da atividade especial continua possível mesmo após a entrada em vigor da Lei 9.032, de 1995, que extinguiu o enquadramento automático de diversas profissões como especiais. A partir dessa legislação, passou a ser necessária a comprovação efetiva da exposição habitual e permanente a agentes nocivos ou condições que provoquem desgaste à saúde e à integridade física do trabalhador. Dessa forma, motoristas e cobradores interessados no benefício deverão apresentar documentação técnica e perícias individualizadas que demonstrem as condições enfrentadas durante o exercício da atividade profissional.

Quais profissionais podem ser beneficiados

A decisão alcança principalmente motoristas de caminhão, motoristas de ônibus urbanos e rodoviários e cobradores de transporte coletivo. Também podem ser contemplados profissionais que trabalham no transporte de cargas perigosas, produtos inflamáveis, substâncias químicas ou resíduos considerados nocivos.

Entre os fatores que podem justificar o reconhecimento da atividade especial estão a exposição contínua a ruídos elevados, vibração constante do veículo, calor excessivo, jornadas prolongadas, posturas inadequadas, ausência de descanso adequado e situações permanentes de tensão psicológica.

O que é a aposentadoria especial

A aposentadoria especial foi criada para compensar trabalhadores submetidos a atividades que oferecem maior risco ou desgaste à saúde ao longo da carreira. Diferentemente das modalidades tradicionais de aposentadoria, essa regra permite a concessão do benefício com menos tempo de contribuição, desde que sejam cumpridos os requisitos legais e comprovada a exposição aos fatores de risco. Além disso, o cálculo do benefício pode ser mais vantajoso em determinadas situações, especialmente para segurados que preencheram os requisitos antes das mudanças promovidas pela Reforma da Previdência.

Reforma trouxe novas exigências

Com a Reforma da Previdência de 2019, a aposentadoria especial passou a exigir não apenas a comprovação da atividade nociva, mas também o cumprimento de idade mínima, que varia conforme o tempo de exposição aos agentes prejudiciais. Mesmo com as novas regras, especialistas em direito previdenciário avaliam que a decisão do STJ representa uma importante vitória para profissionais do transporte, já que reconhece que a penosidade da atividade não desapareceu após a mudança legislativa de 1995.

Documentos podem fazer a diferença

Para ter direito ao reconhecimento do tempo especial, os trabalhadores deverão apresentar documentos como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), laudos técnicos e demais provas capazes de demonstrar as condições reais de trabalho. A análise continuará sendo individualizada, mas a decisão do STJ cria um precedente relevante para que motoristas e cobradores possam buscar o benefício previdenciário com base no desgaste físico e mental característico da profissão.

Fonte: Diário do Comércio

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