Privatização, oficializada nesta terça-feira (16/6), gerou R$ 8,38 bilhões ao governo
Os recursos arrecadados com a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) já têm destino previsto na área de infraestrutura do estado. O vice-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Anderson Tavares Abras, informou a O TEMPO, nesta terça-feira (16/6), que ao menos 190 obras e empreendimentos de engenharia foram identificados nos últimos meses para receber os investimentos obtidos com a venda da estatal. O processo de privatização foi concluído nesta terça-feira na Bolsa de Valores B3, em São Paulo, com a comercialização de 45% do capital social da Copasa, movimentando R$ 8,38 bilhões.
A informação foi apresentada durante o encontro “Infraestrutura 2027-2030: Investimentos e Desafios”, promovido pela empresa Orguel com apoio do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), na avenida Raja Gabaglia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A programação contou com gestores públicos dos âmbitos municipal, estadual e federal, além de empresários e especialistas das áreas de engenharia, mobilidade e logística.
De acordo com Anderson Tavares Abras, durante o programa Governo Presente, em que o governador Mateus Simões (PSD) tem percorrido 19 cidades-polo de Minas Gerais entre março e junho, reuniões têm sido realizadas com representantes municipais para levantar demandas de infraestrutura, como construção de pontes, pavimentação de rodovias e melhorias em acessos viários.
“É um compromisso do governador Mateus Simões que, com a venda da Copasa, os recursos sejam investidos em infraestrutura. Então, o governador tem se deslocado pelas 10 macrorregiões do estado e tem pactuado obras importantes, estruturantes, para o desenvolvimento dessas regiões. É um planejamento para os próximos anos, a partir de 2026, 2027 e 2028, considerando os recursos que virão dessa venda”, comentou o vice-diretor do DER.
Até o momento, ao menos 190 obras já foram elencadas, com investimento da ordem de R$ 8 bilhões, praticamente o limite do valor arrecadado com a venda da Copasa nesta terça-feira. Com a conclusão do processo de privatização da companhia, foram vendidos 45% do capital social da empresa que estava sob controle do governo de Minas Gerais. Além do Grupo Equatorial, que se tornou o investidor de referência ao adquirir 30% das ações da estatal, investidores estrangeiros e de varejo também compraram participações na companhia.
Evento apresentou panorama e inovações na área
O evento “Infraestrutura 2027-2030”, além de traçar um panorama do setor nos âmbitos municipal, estadual e federal, também destacou inovações na área possibilitadas pelos avanços tecnológicos. A Orguel, empresa especializada em locação de equipamentos e soluções para os setores de infraestrutura, construção e indústria, apresentou, por exemplo, o sistema QuikDeck para manutenção de pontes — um dos desafios do setor, já que o país não conta com uma política pública consistente voltada à conservação dessas estruturas.
Na prática, o QuikDeck substitui os andaimes convencionais por uma plataforma suspensa e modular. A estrutura é montada em balanço, sem apoio no solo, e sustentada por correntes de alta resistência, o que mantém livre a área de circulação sob a plataforma. Com isso, a manutenção de pontes pode ser realizada sem a necessidade de interromper o trânsito na via abaixo.
Segundo a Orguel, o QuikDeck forma uma superfície estável, plana e rígida, proporcionando mais segurança tanto na montagem quanto na utilização do sistema pelos trabalhadores durante a execução da obra.
“O QuikDeck é um equipamento desenvolvido nos Estados Unidos por meio de uma parceria entre a indústria e empresas do setor. É uma solução que tem trazido muitos ganhos de produtividade e reduzido a complexidade das manutenções e inspeções de pontes. Por isso, é tão importante trazer esse equipamento para que o público o conheça. Estamos com esse equipamento no Brasil há 15 anos, mas é impressionante que muita gente ainda não o conheça”, afirmou Sérgio Guerra, CEO da Orguel.
Segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o Brasil possui mais de 113 mil pontes. O CEO da Orguel, Sérgio Guerra, destaca que a manutenção e o aumento da segurança dessas estruturas podem ser impulsionados por soluções inovadoras desenvolvidas e apresentadas pelas empresas do setor. “Já existem técnicas, métodos, equipamentos apropriados que facilitam e viabilizam essas manutenções. E esse evento hoje é exatamente sobre essa troca de informações”, acrescentou.
Fonte: O Tempo



