A investigação sobre o desaparecimento de uma ponte histórica em Minas Gerais revelou um detalhe surpreendente: a estrutura, furtada no município de Prados, foi vendida por R$ 700 mil antes de ser recuperada pelas autoridades. A informação consta em um documento fiscal apresentado à Polícia Civil pelos compradores do material.Segundo as investigações, a venda foi realizada por uma empresa sediada em Tanque Novo, na Bahia. O documento também indica que os tributos relacionados à negociação foram recolhidos naquele estado. A empresa apontada na transação não possui cadastro junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para comercialização de obras de arte e antiguidades, exigência prevista na legislação federal para esse tipo de bem.
O desaparecimento da ponte foi constatado no dia 5 de junho, em Prados, município localizado na região Central de Minas Gerais. Cinco dias depois, a estrutura foi localizada na Vila do Mogol, próximo a Lima Duarte, a cerca de 180 quilômetros do local de origem.De acordo com a Polícia Civil, a ponte metálica possui aproximadamente 20 metros de comprimento e cinco metros de largura. As apurações apontam que foram necessários equipamentos de corte e veículos de grande porte para remover e transportar a estrutura, demonstrando o planejamento e a complexidade da ação.
A ponte foi adquirida pelo Ibiti Projeto, empreendimento turístico localizado na Serra do Ibitipoca. Em nota, o empresário Renato Machado informou que a compra foi feita por intermédio de um vendedor de antiguidades e que desconhecia qualquer possível origem ilícita da estrutura.Com grande valor histórico, a ponte foi construída na Inglaterra durante o século XIX, importada para o Brasil ainda no período imperial e posteriormente incorporada à antiga Rede Ferroviária Federal. Nos últimos anos, era utilizada por ciclistas e visitantes na região de Prados. A Polícia Civil segue investigando a autoria do furto e todas as circunstâncias envolvendo a retirada, o transporte e a comercialização da estrutura. O caso chamou atenção em todo o país pela ousadia da ação e pela importância histórica do patrimônio recuperado.
- O Fator



