Grandes redes do varejo começaram a mudar a rotina de trabalho de funcionários no Brasil e colocaram a escala 6×1 no centro de uma transformação que pode mexer com supermercados, farmácias e lojas espalhadas pelo país. O modelo, conhecido por permitir seis dias seguidos de trabalho e apenas uma folga semanal, passou a perder espaço em empresas que buscam reduzir a rotatividade, atrair profissionais e melhorar o clima interno. No lugar dele, avança a escala 5×2, com duas folgas por semana.
A mudança ainda não vale para todos os trabalhadores brasileiros, já que depende de decisão das empresas, convenções coletivas ou aprovação de novas regras no Congresso. Mesmo assim, o movimento de grandes redes mostra que parte do varejo decidiu se antecipar ao debate nacional.
Exemplos no setor farmacêutico
Entre os exemplos mais fortes está a RD Saúde, dona das farmácias Drogasil e Raia. A companhia passou a adotar a escala 5×2 nas unidades do país e virou uma das principais referências no setor.
A RD Saúde iniciou a mudança de forma gradual, começando por cargos de liderança e por profissionais farmacêuticos. Depois, o novo modelo avançou para a operação das lojas. Com a escala 5×2, os trabalhadores cumprem cinco dias de expediente e têm direito a duas folgas semanais. A empresa manteve a carga horária dentro das regras trabalhistas, mas reorganizou equipes e horários para permitir o novo formato.
A medida chamou atenção porque a RD Saúde tem milhares de lojas no Brasil e atua em um setor que costuma funcionar todos os dias, inclusive em horários estendidos. A empresa avalia que a nova jornada ajuda a reter profissionais, melhora a atratividade das vagas e reduz os impactos da troca constante de funcionários. Em áreas como farmácia, onde há forte disputa por mão de obra qualificada, duas folgas por semana passaram a funcionar como diferencial.
Por que a escala 6×1 virou alvo de debate no Brasil?
A escala 6×1 se tornou um dos temas trabalhistas mais discutidos do país. Trabalhadores defendem mais tempo para descanso, convivência familiar, estudo e cuidados com a saúde. Já empresas avaliam custos, necessidade de contratação e ajustes na operação.
No comércio, a discussão ganha ainda mais força porque supermercados, farmácias e lojas dependem de funcionamento diário. Por isso, qualquer alteração exige planejamento de equipes, mudança nos turnos e revisão dos horários de atendimento. Mesmo com esse desafio, a lógica adotada pelas redes é que funcionários mais descansados tendem a faltar menos, permanecer mais tempo no emprego e atender melhor os clientes.
Supermercados também testam o fim da escala 6×1
O movimento não ficou restrito às farmácias. Redes de supermercados também começaram a testar jornadas com duas folgas semanais:
- Grupo Supernosso (MG): Iniciou uma experiência com a escala 5×2 em lojas de Belo Horizonte. O teste começou com cerca de 500 funcionários em três unidades e abriu caminho para uma possível ampliação para toda a rede. A empresa planeja levar o novo modelo, de forma gradual, para as 45 unidades. Se avançar, aproximadamente 4.800 trabalhadores poderão atuar com duas folgas por semana. Segundo a rede, os resultados indicaram melhora no ambiente de trabalho e aumento no interesse pelas vagas.
- Extrabom (ES): Entrou na lista de empresas que avaliam o fim da escala 6×1. O projeto piloto começou em três lojas e serve como teste para medir os impactos da nova jornada na operação, no atendimento e na rotina das equipes.
- Supermercados BH (ES): Desde março, unidades no Espírito Santo passaram a funcionar de segunda a sábado, com descanso aos domingos para os funcionários. A alteração ocorreu após convenção coletiva e atendeu uma reivindicação antiga. O presidente da rede, Pedro Lourenço de Oliveira (Pedrinho BH), elogiou o modelo e defendeu que supermercados fechem aos domingos em todo o país.
Fim da escala 6×1 já foi aprovado?
Apesar das mudanças, o fim da escala 6×1 ainda não virou regra para todos. A proposta que trata do tema avançou na Câmara dos Deputados e segue em discussão no Senado. O texto prevê duas folgas por semana e redução gradual da jornada máxima, sem redução salarial. Enquanto a proposta não conclui a tramitação, a escala 6×1 continua permitida, desde que respeitada a legislação e os acordos coletivos.
O que muda para os trabalhadores?
Para quem passa da escala 6×1 para a 5×2, a principal mudança está no descanso: o trabalhador passa a ter dois dias de pausa. Esse formato facilita a organização da vida pessoal, a recuperação física e reduz o desgaste mental.
No entanto, cada empresa pode organizar a jornada de forma diferente. Em alguns casos, a carga semanal permanece a mesma, mas os horários diários são redistribuídos. Em outros, a mudança depende de acordo coletivo, turno ou função. Por isso, o trabalhador deve acompanhar as regras internas e os comunicados do sindicato da categoria.
O avanço da escala 5×2 indica uma mudança de comportamento no varejo brasileiro. Nos próximos meses, novas redes podem anunciar testes ou reorganizar horários, o que pode mudar a rotina de milhares de trabalhadores de forma definitiva.
Fonte: Portal Tempo Novo



