No sudoeste de Minas Gerais, Delfinópolis cabe em poucos quarteirões, mas se espalha por mais de mil km² de cerrado e quedas d’água. Em 2025, virou finalista de um prêmio internacional de turismo.
A vila mineira que a ONU colocou no mapa Em 2025, Delfinópolis foi uma das oito cidades brasileiras finalistas do prêmio Melhores Vilas Turísticas da ONU Turismo. Entrou na lista ao lado de nomes como Conceição de Ibitipoca e Grão Mogol, um feito raro para um município tão pequeno.
A cidade tem 8.393 habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com densidade de apenas 6 moradores por km². O nome homenageia o ex-governador Delfim Moreira. Antes disso, o lugar se chamava Espírito Santo da Forquilha.
Como é a qualidade de vida no interior mineiro? Delfinópolis tem o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,740, classificado como alto. É uma das cidades mais silenciosas de Minas, com ritmo lento e forte contato com a natureza.
O perímetro urbano é compacto, com comércio, escolas e posto de saúde concentrados no centro, ao redor da praça principal. A maior parte do território é rural, o que aproxima o morador das queijarias e das trilhas da serra.
Terra das cachoeiras na Serra da Canastra São mais de 150 quedas d’água catalogadas em propriedades rurais e dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra. A cidade é uma das portas de entrada da serra, que protege as nascentes do rio São Francisco.
- Complexo do Claro: circuito de cachoeiras e piscinas naturais de águas cristalinas, com trilha que margeia o rio.
- Vale do Céu: recanto com seis cachoeiras, incluindo a do Funil, acessada por um cânion a nado.
- Caminho do Céu: percurso off-road pelo alto da serra, com vistas panorâmicas dos vales, ideal para 4×4.
- Cachoeira Santo Antônio: queda que deságua direto na Represa de Peixoto, visível de uma ponte na rodovia.
- Condomínio de Pedras: formações de arenito com vista para a cidade e a represa, parada clássica para fotos.
O que se come na terra do queijo premiado? A gastronomia mantém raiz no campo, com ingredientes das fazendas vizinhas. O destaque é o Queijo Canastra, cujo modo artesanal de fazer foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2008.
- Queijo Canastra curado: peça envelhecida por meses, de sabor forte, feita com leite cru e o pingo, fermento natural da região.
- Frango com quiabo: prato de tacho clássico, servido com angu e arroz nas queijarias abertas ao público.
- Doces de tacho: leite, figo e goiaba cozidos em panela de cobre, vendidos nos próprios produtores.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio? Delfinópolis tem clima tropical de altitude, com verão chuvoso e inverno seco. O melhor período para banho de cachoeira vai de maio a setembro, quando as estradas firmam e as águas ficam mais claras.
- Verão (Dez – Fev): As chuvas frequentes renovam os pastos serranos, o período ideal para a contemplação das paisagens verdejantes e visitas guiadas às tradicionais queijarias artesanais.
- Outono (Mar – Mai): A transição para o tempo seco reduz o calor, abrindo a temporada perfeita para caminhar por extensas trilhas e atingir a amplitude visual dos principais mirantes.
- Inverno (Jun – Ago): O período de estiagem zera o risco de trombas d’água, garantindo total segurança para explorar as cachoeiras e desfrutar do calmo banho de rio nas piscinas naturais.
- Primavera (Set – Nov): Com a volta gradual da umidade e a elevação térmica, as estradas de terra oferecem o terreno propício para emocionantes passeios 4×4 na serra.
Como chegar a Delfinópolis saindo das capitais? Delfinópolis fica a cerca de 400 km de Belo Horizonte e a 420 km de São Paulo. O acesso é melhor de carro, passando por Passos ou Sacramento, e alguns trechos finais podem ser de estrada de terra.
Venha se perder nas águas da Canastra Delfinópolis reúne o que o interior mineiro tem de mais raro: sossego, natureza intocada e um queijo reconhecido no país inteiro. É uma cidade pequena que soube transformar suas cachoeiras em motivo de orgulho.
Fonte: Correio Braziliense



