Mais uma vez as duas administrações, de ex-aliados, entram na “crista da onda” do debate público. Em janeiro do ano passado, o Prefeito Lapinha, decretou situação de emergência administrativa e financeira. Segundo a prefeitura, um levantamento realizado ao fim do exercício financeiro de 2024 concluiu que o município, com pouco mais de 8,6 mil habitantes, soma R$ 37 milhões de restos a pagar. Não havia dinheiro em caixa para pagamento dos servidores.
“Isso é inverdade. No dia 31 de dezembro, nós fechamos o caixa no azul, deixamos mais de R$ 13 milhões em conta. E, se você olhar, o recurso que já entrou na prefeitura do dia 1º de janeiro a 15 de janeiro, soma mais quase R$ 6 milhões. Então, hoje a prefeitura tem em caixa um total de mais de R$ 19 milhões. É muito chato a gente ter que passar por este momento de calúnia”, rebateu o ex-gestor, em janeiro a nossa reportagem.
Auditoria
Uma auditoria iniciada no ano passado nas contas da Prefeitura de Belo Vale, pela empresa Aliança Consultoria, no valor de mais de R$100 mil, durante a gestão do ex-prefeito Valtenir Soares, o “Nequinha”, identificou possíveis irregularidades administrativas, contábeis e patrimoniais. O relatório técnico aponta falhas no controle de estoques, problemas em contratos de obras públicas e possíveis prejuízos aos cofres municipais.
As suspeitas
Após muitas cobranças para divulgar o relatório final, na semana passada nossa reportagem teve acesso ao estudo que foi enviado ao Tribunal de Contas. Entre os principais apontamentos está a situação do almoxarifado da prefeitura. O balanço patrimonial de 2024 registra mais de R$ 32,2 milhões em estoque, porém, segundo os auditores, parte significativa dos materiais não foi localizada durante a conferência física.
O relatório também aponta suspeitas de falhas no armazenamento de medicamentos e vacinas. De acordo com a auditoria, vacinas eram mantidas em refrigeradores comuns, sem monitoramento de temperatura, enquanto produtos químicos e materiais de limpeza estavam armazenados próximos a medicamentos e insumos hospitalares, contrariando normas sanitárias. Além disso, materiais como seringas, agulhas e fraldas não possuíam controle adequado de lote e validade.
Outro ponto destacado foi a falta de utilização de um sistema informatizado de controle de estoque. Apesar da aquisição de equipamentos e treinamento de servidores, a auditoria afirma que o sistema nunca foi efetivamente implantado, permanecendo o controle manual dos materiais.
Na área de infraestrutura, a auditoria identificou sucessivas prorrogações e aditivos em contratos de obras públicas. O relatório também menciona reajustes sem pesquisa prévia de preços e ausência de parte da documentação fiscal. Na área da frota, a auditoria apontou sucateamento do maquinário da prefeiutura sem qualquer manutenção.
Divergências
Em um dos processos, a auditoria apontou diversas licitações apresentaram ausência de estudos técnicos, falta de pesquisas de mercado para justificar aditivos e diferenças entre informações constantes nos processos administrativos e aquelas divulgadas no Portal da Transparência.
Diante dos apontamentos, o relatório recomenda o encaminhamento da documentação aos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Poder Judiciário, para análise das possíveis responsabilidades administrativas, civis e legais.A auditoria integra o levantamento realizado pela atual administração municipal, que decretou situação de emergência financeira após assumir o governo.
Aprovação das contas
Apesar das irregularidades levantadas pela auditoria, a Câmara Municipal de Belo Vale aprovou, em sessão extraordinária realizada no dia 17 de março de 2026, as contas referentes ao exercício de 2024 do ex-prefeito Waltenir Soares, conhecido como Nequinha. A decisão do Legislativo acompanhou o parecer prévio do Tribunal de Conts do Estado de Minas Gerais, que já havia se manifestado de forma unânime pela aprovação das contas em setembro de 2025.
Até o momento, o ex-prefeito Valtenir Soares não havia se manifestado sobre as conclusões do relatório. Caso haja posicionamento da defesa, a matéria deverá ser atualizada.



