Grandes redes de farmácias e supermercados anunciaram o fim da escala 6×1.
Uma transformação começa a ganhar força entre algumas das maiores redes de supermercados e farmácias do Brasil. Empresas que durante anos utilizaram a tradicional escala 6×1 decidiram reorganizar a jornada e ampliar os dois dias de descanso por semana para milhares de funcionários.
Em algumas companhias, a mudança já alcançou praticamente toda a operação das lojas. Em outras, o modelo 5×2 começou por unidades específicas e agora avança gradualmente para novos estabelecimentos.
O movimento acontece enquanto o Congresso Nacional discute uma mudança ainda maior na legislação trabalhista. A Câmara dos Deputados já aprovou uma proposta para acabar com a escala 6×1 e estabelecer jornada de até 40 horas semanais em cinco dias.
Quantas horas diárias os funcionários do Savegnago trabalharão agora?›Quem é o relator da PEC da jornada no Senado?›Por que grandes redes resolveram antecipar o fim da escala 6×1?›O que é a RD Saúde?›
No entanto, as empresas não precisam esperar uma mudança na Constituição para alterar suas escalas. Por isso, redes como Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Pacheco e Savegnago decidiram antecipar a transformação.
Além delas, supermercados como Extrabom, Supernosso e Pague Menos também começaram a adotar o novo formato.
Raia e Drogasil acabam com escala 6×1 nas lojas
A RD Saúde, responsável pelas redes Raia e Drogasil, protagonizou uma das maiores mudanças do varejo farmacêutico brasileiro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A companhia implantou a escala 5×2 em suas mais de 3,5 mil farmácias espalhadas pelo país. Dessa forma, os funcionários passaram a trabalhar cinco dias e descansar dois.
Inicialmente, a empresa testou o formato com determinados grupos de trabalhadores. Depois, ampliou a medida para a operação das lojas.
Apesar dos dois dias de folga, a companhia manteve a carga semanal de 44 horas. Portanto, a mudança está na distribuição dos dias trabalhados e não, neste momento, em uma redução para 40 horas.
A empresa também passou a enxergar o novo modelo como uma estratégia para aumentar a atratividade das vagas e diminuir a rotatividade de funcionários.
Drogaria São Paulo e Pacheco adotam escala 5×2
Outro movimento de grande alcance aconteceu no Grupo DPSP, responsável pelas redes Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco.
O grupo substituiu a escala 6×1 pela 5×2 na operação de aproximadamente 1.650 lojas.
A mudança alcança cerca de 24 mil trabalhadores. Assim, os profissionais passaram a contar com dois dias de descanso durante a semana.
Nesse caso, a companhia também manteve as 44 horas semanais. Para permitir a segunda folga, a empresa reorganizou as horas trabalhadas dentro dos cinco dias.
Segundo o grupo, o modelo trouxe benefícios para a retenção de funcionários e também tornou as vagas mais interessantes para novos candidatos.
Rede de supermercados leva escala 5×2 para todas as lojas
Entre os supermercados, o Savegnago aparece como um dos exemplos mais importantes.
A empresa começou a testar a escala 5×2 em uma unidade. Depois de avaliar os resultados, decidiu expandir a mudança para todas as lojas da bandeira Savegnago Supermercados.
A rede possui dezenas de unidades no interior de São Paulo e emprega milhares de trabalhadores.
Com o novo modelo, os funcionários trabalham cinco dias e descansam dois. Entretanto, a carga permanece em 44 horas semanais.
Para completar essa jornada em cinco dias, o expediente diário chega a aproximadamente 8 horas e 48 minutos.
O Grupo Savegnago também começou a introduzir a nova organização em unidades do Paulistão Atacadista.
Extrabom começa a trocar a escala 6×1
No Espírito Santo, o Extrabom também entrou na lista das grandes redes que começaram a substituir a escala 6×1 pela 5×2.
A empresa pertence ao Grupo Coutinho, que também controla bandeiras como Extraplus e Atacado Vem.
O novo modelo começou em três supermercados do Extrabom. As primeiras unidades escolhidas ficam em Laranjeiras, na Serra; Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória.
Nessas lojas, os trabalhadores passaram a cumprir cinco dias de expediente e ganharam dois dias de folga por semana.
A mudança teve boa aceitação entre os funcionários e abriu caminho para uma expansão do modelo.
O Grupo Coutinho anunciou planos de levar a nova escala para grande parte de suas operações. A ampliação poderá alcançar mais de 5 mil trabalhadores.
O grupo possui milhares de funcionários e dezenas de supermercados no Espírito Santo.
Por enquanto, porém, a mudança ainda acontece de forma gradual. Portanto, nem todos os funcionários do Extrabom e das demais bandeiras do grupo já trabalham na escala 5×2.
Assim como outras empresas do setor, o grupo mantém 44 horas semanais e distribui a carga em cinco dias.
Rede de supermercados também avança com dois dias de folga
O Grupo Supernosso também decidiu apostar na nova organização da jornada.
A empresa começou com um projeto envolvendo cerca de 500 trabalhadores em três unidades. Depois dos primeiros resultados, ampliou o formato.
A mudança passou a alcançar as operações do Supernosso e do Apoio Mineiro.
A empresa atribuiu à nova escala resultados positivos relacionados à retenção de funcionários e ao interesse dos trabalhadores pelas vagas oferecidas.
Nesse formato, os funcionários também continuam cumprindo 44 horas semanais, mas divididas em cinco dias.
Rede de farmácias adota escala 5×2 nas lojas
A Coop também colocou a escala 5×2 em prática.
Nas drogarias da cooperativa, a mudança alcançou todas as unidades. Os trabalhadores passaram a contar com dois dias de descanso por semana.
Nos supermercados, entretanto, a implantação começou de maneira diferente.
A empresa iniciou testes em unidades específicas antes de decidir sobre uma expansão mais ampla. Dessa forma, a escala 5×2 ainda não alcança toda a operação de supermercados da Coop.
Farmácias São João começam mudança para 5×2
A Farmácias São João, uma das maiores redes farmacêuticas do país, também começou a testar a nova jornada.
A empresa possui mais de 1,2 mil lojas e emprega dezenas de milhares de profissionais.
O modelo 5×2 começou em parte das unidades. A companhia avalia os impactos operacionais antes de ampliar a mudança.
Portanto, a Farmácias São João ainda não concluiu a substituição da escala 6×1 em toda a rede.
Mesmo assim, a entrada de uma empresa desse porte no movimento mostra como o varejo começa a rever um modelo de trabalho utilizado durante décadas.
Supermercados Pague Menos ampliam escala 5×2
Os Supermercados Pague Menos, rede que atua principalmente no interior de São Paulo, também avançam na nova escala.
A companhia possui cerca de 40 lojas. Atualmente, parte significativa das unidades já trabalha no modelo 5×2.
A empresa vem ampliando gradualmente a jornada com dois dias de descanso.
Nesse caso, não se trata da rede de farmácias Pague Menos. As duas empresas possuem o mesmo nome, mas são grupos diferentes.
Por que supermercados e farmácias estão trocando a escala 6×1?
Uma das principais razões está na dificuldade para contratar e manter funcionários.
O varejo exige equipes numerosas, horários estendidos e funcionamento durante fins de semana e feriados. Por isso, supermercados e farmácias tradicionalmente utilizaram a escala 6×1.
Entretanto, trabalhadores começaram a valorizar cada vez mais vagas que oferecem dois dias de descanso.
Diante disso, empresas perceberam que a escala 5×2 pode ajudar a reduzir pedidos de demissão e facilitar novas contratações.
Além disso, o debate nacional sobre o fim da escala 6×1 aumentou a pressão para que grandes companhias revejam suas jornadas.
Escala 5×2 não significa automaticamente jornada de 40 horas
Existe uma diferença importante entre acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal.
A escala define a quantidade de dias trabalhados e de descanso.
Já a jornada determina quantas horas o funcionário trabalha durante a semana.
Por isso, uma empresa pode adotar o modelo 5×2 e continuar exigindo 44 horas semanais.
É exatamente o que ocorre em várias redes que já anunciaram a mudança.
Nesse formato, o trabalhador ganha uma segunda folga, mas precisa cumprir uma jornada diária maior para completar as 44 horas dentro de cinco dias.
A proposta que tramita no Congresso vai além.
Proposta para acabar com escala 6×1
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, uma Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 no Brasil.
A votação aconteceu em 27 de maio de 2026.
O texto estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias de trabalho.
Além disso, a proposta garante dois dias de descanso por semana.
Outro ponto importante determina que a redução da carga horária aconteça sem diminuição dos salários.
A aprovação aconteceu com ampla maioria. No primeiro turno, a proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo, foram 461 votos a favor e 19 contra.
Redução da jornada de trabalho acontecerá gradualmente
Caso a mudança seja aprovada definitivamente, a jornada de trabalho não cairá de 44 para 40 horas imediatamente.
O texto cria um período de transição.
Primeiro, o limite cairá para 42 horas semanais. Nesse momento, os trabalhadores também passarão a ter direito aos dois dias de descanso.
Posteriormente, a jornada chegará às 40 horas semanais.
Pelo texto aprovado pela Câmara, a transição completa acontecerá em até 14 meses depois da promulgação da emenda constitucional.
Fim da escala 6×1 ainda depende do Senado
Apesar da aprovação na Câmara, a escala 6×1 ainda não acabou oficialmente no Brasil.
A proposta seguiu para o Senado e ainda precisa passar por novas etapas antes de mudar a Constituição.
Atualmente, o texto está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. O senador Omar Aziz assumiu a relatoria da proposta.
Depois da análise da comissão, o texto precisa chegar ao Plenário.
Como se trata de uma PEC, a proposta precisa receber o apoio de pelo menos três quintos dos senadores. Isso significa um mínimo de 49 votos favoráveis.
Além disso, o Senado precisa aprovar a mudança em dois turnos.
Se os senadores mantiverem integralmente o texto aprovado pelos deputados, o Congresso poderá promulgar a emenda.
Nesse caso, não existe sanção ou veto do presidente da República.
Por outro lado, caso o Senado faça mudanças relevantes, a proposta precisará retornar à Câmara.
Portanto, nenhuma empresa está atualmente obrigada por uma nova lei nacional a abandonar a escala 6×1. Mesmo assim, gigantes dos supermercados e farmácias decidiram se antecipar e já começaram a colocar a escala 5×2 em prática para trabalhadores.
FONTE: PORTAL TEMPO NOVO




