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LOBO LEITE PEDE SOCORRO: anos de poeira já afetam a saúde e preocupam moradores

Comunidade histórica de Lobo Leite, em Congonhas, convive diariamente com poeira e intenso trânsito de caminhões de minério. na MG 030. Depois de anos cobrando providências, parte dos moradores já se mobilizam para levar o caso ao Ministério Público ou diretamente na justiça.Quem mora em Lobo Leite, em Congonhas, está cansado de conviver com a poeira. O problema faz parte da rotina da comunidade. A poeira entra nas casas, suja ruas, veículos e imóveis e é levantada diariamente pela passagem dos caminhões que circulam pela região. “Ou é poeira ou é barro de minério na MG 030”, reclama um morador.

Para quem passa pela MG-030, a situação também é visível. Basta percorrer a rodovia para perceber a quantidade de poeira e a movimentação constante de veículos pesados. Em épocas de chuva os carros ficam como se tivessem trabalhando em mineração.Para os moradores, já não se trata apenas de um incômodo, pois os problemas de saúde ja tem afetado diversas pessoas.É uma preocupação com a saúde, com o meio ambiente, com a segurança e com o próprio patrimônio histórico de Lobo Leite.

Anos de pedidos por providências

Grande parte da comunidade afirma que vem aguardando providências há pelo menos 5 anos. Segundo os moradores, pedidos e reclamações têm sido feitos ao longo dos últimos anos, mas nenhuma das medidas adotadas conseguiu, até agora, solucionar de fato o problema da poeira.

“Limpamos as casas é uma hora depois está preto o chão e até as paredes. Mesmo tudo fechado. Minha conta de água é mais de 500 reais. Olha a igreja pra ver que absurdo”, reclama uma moradora.A população continua esperando uma resposta efetiva da associação comunitária e dos órgãos ambientais. O sentimento entre muitos moradores é de cansaço.

Depois de anos convivendo com o problema, parte da comunidade já começa a discutir a necessidade de buscar outros caminhos para tentar encontrar uma solução. Parte da comunidade já pensa em se organizar para levar a situação diretamente às justiça ou ao Ministério Público. A intenção é apresentar os problemas enfrentados diariamente pelos moradores e solicitar uma investigação sobre as fontes de poeira, o transporte de minério, a qualidade do ar e os impactos provocados pelas atividades existentes no entorno.

“A qualidade de ar não atende parâmetros da organização mundial de saúde, é só por isso as empresas já deveriam ter sido paralisadas ou multa das até resolverem estes problemas. Pode pegar os laudos da estação de monitoramento que tem aqui no bairro e ver. Não me importa se o índice ambiental está dentro da lei, o que me interessa é que pra saúde não está”, comentou um morador.

Também está sendo discutida a possibilidade de uma Ação Civil Pública, com todos os elementos técnicos e jurídicos que já foram reunidos e estão sendo analisados por algumas pessoas da comunidade. A eventual ação poderá buscar medidas para reduzir imediatamente os impactos e também discutir a reparação dos prejuízos causados à população, ao meio ambiente, à infraestrutura pública e ao patrimônio histórico.

Empresas do entorno podem ser chamadas a responder

Entre as empresas relacionadas às atividades minerárias e à cadeia de transporte existente na região estão LGA Mineração, EcoMining, Vale, Patrag e Gerdau, além de outras empresas de menor porte. A comunidade defende que todas as atividades potencialmente relacionadas ao problema sejam analisadas e suspensas, pois os caminhões de minério podem passar pela portaria sul da Gerdau e pela estrada que liga o Pires até Miguel Bournier, não precisando passar em Lobo Leite, o que já resolveria 90% do problema.

Caso sejam comprovados danos ambientais e à comunidade, uma eventual ação poderá ainda discutir indenizações de grande porte, inclusive valores que podem superar R$ 50 milhões, dependendo da extensão dos danos que vierem a ser demonstrados.

O que os moradores estão respirando? A maior preocupação da comunidade está justamente naquilo que não pode ser visto a olho nu. Além da poeira que se deposita nas casas e nas ruas, existe a preocupação com o material particulado fino de minério presente no ar. A comunidade acompanha dados de monitoramento de uma estação implantado na localidade e afirmam que existem registros que provam que a poeira causa danos à saúde.

Os moradores querem que essas informações sejam analisadas por profissionais habilitados e independentes na justiça, para que seja possível saber exatamente quais partículas estão presentes no ar, em que concentração e durante quanto tempo a população está exposta a elas.A preocupação é ainda maior porque os moradores relatam que algumas pessoas já sentem efeitos negativos relacionados à exposição à poeira e ao ambiente carregado de partículas, tendo prejudicadas sua condição de saúde.

A comunidade quer que essa situação seja investigada com seriedade. E os caminhões-pipa? Outro ponto que chama a atenção de quem vive em Lobo Leite são os caminhões utilizados para jogar água sobre a rodovia. A medida tem como objetivo controlar a poeira, mas os moradores questionam se ela realmente está resolvendo o problema, pois grande parte da água escorre suja para dentro da comunidade.

“A água molha a pista e vira “um melado”, mas depois seca. Com a passagem constante dos caminhões, o material depositado sobre a superfície pode voltar a ser suspenso no ar, e o material fino, que é pior ainda pra saúde”, analisou u outro morador.Para os moradores, é preciso atacar a origem do problema e não apenas tentar controlar a poeira depois que ela já está sendo produzida.

Lobo Leite está cercado por mineração

A preocupação também aumenta diante da existência de diversos empreendimentos minerários no entorno. Segundo os moradores, algumas atividades ainda nem começaram a funcionar plenamente. Isso gera uma pergunta inevitável:

“A comunidade já está aqui há mais de 250 anos, chegamos primeiro que eles. E agora estão nos expulsando por causa da poeira que fazem. Muitas pessoas já começaram até a mudar porque a qualidade de vida centenárias que tínhamos aqui não existe mais., como será quando todos os empreendimentos estiverem funcionando? Nem vai caber tanta carreta de minério aqui na rodovia, que já está insuportável”! “, destacou um morador. É justamente por isso que os moradores defendem que providências sejam tomadas agora, antes que o problema se torne ainda maior.

Um patrimônio histórico que precisa ser protegido

Lobo Leite não é apenas uma comunidade residencial. O distrito faz parte da história de Congonhas e possui um patrimônio histórico de grande importância. Entre seus bens estão a Igreja de Nossa Senhora de Soledade, a Estação Ferroviária de Lobo Leite e os chafarizes recentemente tombados. A poeira e o intenso trânsito de veículos pesados preocupam os moradores também pela possibilidade de impactos sobre esse patrimônio. Para quem vive no distrito, não é aceitável que um lugar de tamanha importância histórica tenha que conviver diariamente com poeira, caminhões e insegurança.

Basta passar pela MG-030

É assim que muitos moradores resumem a situação.Não é preciso morar em Lobo Leite para perceber o problema. A poeira está nas margens da estrada, no ar, nos veículos e nas casas próximas à rodovia. “Gastamos água que nem podemos pagar para tentar manter nossas casas e roupas limpas. Os carros daqui parecem que trabalham em mineração. Sujos por conta do melado de minério que fica na rodovia. E lavar e sujar”, reclamou uma moradora. É uma realidade que os moradores dizem enfrentar todos os dias.

Depois de quatro anos aguardando providências, parte da comunidade entende que chegou o momento de buscar respostas por outros caminhos.Lobo Leite quer respirarDepois de anos de espera, parte da comunidade já considera procurar diretamente o Ministério Público.Porque, para quem vive em Lobo Leite, a poeira deixou de ser apenas sujeira.É uma preocupação diária com a saúde, com o lugar onde vivem e com o futuro de toda a comunidade. Lobo Leite pede socorro.

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