Destino brasileiro que combina praias, áreas preservadas, patrimônio histórico e rotina urbana em uma capital majoritariamente insular, reconhecida pela diversidade de paisagens, pela presença de fortalezas restauradas e pelo desafio constante de equilibrar turismo, crescimento populacional e preservação ambiental em um mesmo território.
Florianópolis, capital de Santa Catarina, voltou a aparecer em reportagens e conteúdos de turismo como a “cidade mais bonita do Brasil” em 2025, impulsionada pela combinação de mar, áreas preservadas e um cotidiano urbano que funciona em uma ilha.
A cidade tem população estimada em 587.486 habitantes, segundo o IBGE, e concentra boa parte do território na Ilha de Santa Catarina, conectada ao continente por pontes.
Com praias disputadas, trilhas e paisagens de Mata Atlântica, Floripa também reúne um centro histórico com construções antigas e um conjunto de fortalezas que voltou ao radar de visitantes após obras de restauração e melhorias de acesso em alguns pontos.
A mesma Florianópolis que atrai surfistas e famílias na orla é a que recebe quem procura museus, mercados e roteiros de patrimônio.
Geografia privilegiada molda o cotidiano da capital
A geografia explica parte do apelo.
Florianópolis combina litoral recortado, lagoas e morros próximos do mar, o que cria cenários muito diferentes em poucos quilômetros.
Enquanto o Norte da ilha concentra praias com estrutura turística intensa, áreas do Sul e do Leste preservam trechos mais verdes e ajudam a sustentar a imagem de destino de natureza.
Esse equilíbrio, porém, não é automático.
A cidade convive com pressões típicas de um polo turístico, como crescimento urbano e demanda por serviços, ao mesmo tempo em que mantém porções relevantes do território sob regras de proteção ambiental e unidades de conservação.
Esse arranjo aparece em instrumentos municipais e em áreas oficialmente reconhecidas como protegidas, como o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, ligado à preservação de ecossistemas e ao uso público controlado.
As 42 praias e o peso simbólico do número
A ideia de que Florianópolis tem 42 praias é uma das marcas mais repetidas em materiais promocionais e no imaginário turístico.
Na prática, a contagem varia conforme o critério.
Há estudos e registros locais que apontam um número bem maior, e a própria discussão sobre o total virou tema recorrente em levantamentos e publicações sobre a cidade.
Por isso, quando o assunto são “42 praias”, o dado costuma funcionar mais como referência cultural e turística do que como um inventário definitivo.Play Video
Ainda assim, a expressão segue popular porque ajuda a sintetizar a diversidade do litoral em uma cidade com muitas faixas de areia, costões e enseadas.
Ressurgência e a temperatura da água
Outro traço associado à experiência em Florianópolis é a temperatura da água, frequentemente descrita como mais fria do que em destinos de outras regiões do país.
Uma das explicações citadas em conteúdos oceanográficos e de divulgação científica é o fenômeno da ressurgência, quando águas mais profundas e frias chegam à superfície em determinadas condições de vento e dinâmica costeira.
Na prática, isso pode influenciar a sensação térmica do banho de mar e reforçar a identidade do litoral catarinense.
O efeito não é constante em todas as praias ao mesmo tempo, mas aparece com frequência suficiente para entrar no repertório de quem visita a ilha.
Centro histórico preserva a memória urbana
O roteiro fora da praia geralmente começa no Centro, onde a cidade conserva construções associadas a diferentes fases de ocupação e desenvolvimento urbano.
A região reúne pontos tradicionais de circulação, comércio e serviços, além de edifícios históricos que dialogam com a vida cotidiana de moradores que trabalham e estudam ali.
Nesse cenário, o Mercado Público se mantém como referência para quem quer observar o ritmo local.
Ao redor, praças e prédios antigos ajudam a compor a leitura histórica da capital e funcionam como porta de entrada para entender a ocupação da ilha e o papel estratégico que a região teve ao longo do período colonial.
Fortalezas restauradas ampliam o turismo cultural
A história militar aparece de forma concreta no conjunto de fortificações construídas para proteger a Ilha de Santa Catarina.
A Fortaleza de São José da Ponta Grossa foi entregue restaurada em 2022 após obra coordenada pelo Iphan, com investimento de quase R$ 7 milhões.
Além dela, outras estruturas associadas ao sistema defensivo do século XVIII seguem em operação turística e cultural, com gestão vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina.
A administração pela UFSC é apontada como parte do modelo que articula preservação, pesquisa e visitação.
Em áreas mais isoladas, como a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, a experiência muda de tom.
O deslocamento por barco e o ambiente de ilha reforçam a sensação de visita a um sítio histórico em meio à paisagem natural.
Clima influencia o planejamento do visitante
Florianópolis tem estações mais marcadas do que muitos destinos litorâneos do país.
No verão, o calor e a umidade favorecem dias de praia e aumentam o movimento nas vias de acesso.
No inverno, as temperaturas caem e o mar tende a ficar ainda mais frio, mas a cidade ganha atrativos ligados à gastronomia, trilhas e eventos locais.
Entre abril e maio e também entre outubro e novembro, a meia estação costuma oferecer clima mais ameno e menor lotação, o que influencia custos e deslocamentos.
Sustentabilidade entre discurso e prática
A associação entre Florianópolis e sustentabilidade aparece ligada à presença de áreas protegidas e ao valor turístico da paisagem natural.
A cidade abriga unidades de conservação e áreas de preservação que funcionam como barreiras legais contra a ocupação desordenada.
Ao mesmo tempo, a realidade urbana impõe desafios permanentes, sobretudo quando o assunto é balneabilidade e qualidade ambiental.
O monitoramento oficial das condições de banho reforça a necessidade de informação atualizada antes da escolha das praias.
Mesmo com essas tensões, Florianópolis segue como vitrine de um modelo em que natureza, patrimônio e vida urbana se encostam o tempo todo.
A capital que concentra bairros densos e regiões de comércio também guarda trilhas, parques e fortalezas a poucos minutos de deslocamento.
O que essa convivência entre turismo crescente e preservação vai exigir de moradores, visitantes e gestores nos próximos anos?





