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A lei que muitos idosos ainda desconhecem protege quem tem 60 anos ou mais contra cobranças abusivas de bancos, garante renegociação de dívidas e impede que empréstimos e cartões consumam toda a aposentadoria

A Lei do Superendividamento protege idosos com renegociação de dívidas, mínimo existencial e limites ao crédito consignado; saiba como usar seus direitos.

Muitos idosos não sabem que a Lei do Superendividamento garante renegociação de dívidas com bancos, protege o mínimo existencial da aposentadoria e impede que empréstimos como o crédito consignado e cartões consumam toda a renda necessária para alimentação, saúde e moradia.

Existe uma lei que muitos idosos ainda desconhecem e que pode mudar completamente a relação de quem tem 60 anos ou mais com bancos e dívidas. A Lei do Superendividamento, em vigor desde 2021, garante renegociação de dívidas em condições mais justas, protege o mínimo existencial da aposentadoria e cria barreiras contra ofertas abusivas de crédito consignado e cartões que comprometem o orçamento de aposentados.

A Lei 14.181/2021 alterou o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Pessoa Idosa para prevenir e tratar o superendividamento. Na prática, isso significa que o aposentado que está com empréstimos, cartões e financiamentos consumindo quase toda a renda agora tem instrumentos legais para reorganizar suas dívidas sem ficar sem dinheiro para comer, pagar aluguel ou comprar remédios. A lei não extingue automaticamente os débitos, mas impede que o consumidor de boa-fé fique sem recursos para despesas básicas.

O que é a Lei do Superendividamento e como ela protege idosos A Lei do Superendividamento foi criada para pessoas que acumularam dívidas de consumo além da capacidade de pagamento, e os idosos são um dos grupos mais beneficiados pela norma. A legislação reconhece que aposentados são frequentemente alvo de ofertas agressivas de crédito consignado e cartões, e por isso reforçou as regras de proteção especificamente para quem tem 60 anos ou mais.

Um dos principais avanços da Lei do Superendividamento é a obrigação de crédito responsável. Bancos e financeiras passaram a ter o dever de informar com clareza juros, encargos, prazos e consequências do atraso antes de conceder qualquer empréstimo. Práticas como assédio, pressão e ofertas agressivas de crédito consignado a idosos passaram a ser combatidas com mais rigor, e instituições que descumprem essas regras podem ser responsabilizadas.

Mínimo existencial garante que a aposentadoria não seja consumida por dívidas O conceito de mínimo existencial é o coração da proteção que a Lei do Superendividamento oferece aos idosos. Trata-se da parcela da renda que deve ser preservada obrigatoriamente para gastos essenciais como alimentação, moradia, saúde e contas do dia a dia, independentemente do volume de dívidas que o aposentado tenha acumulado.

Isso significa que, mesmo que um idoso tenha múltiplos empréstimos e cartões em atraso, os credores não podem exigir pagamentos que consumam toda a aposentadoria. O mínimo existencial funciona como um escudo legal que impede que a renegociação de dívidas deixe o aposentado sem condições de sobreviver. Antes dessa lei, era comum que descontos de crédito consignado somados a parcelas de cartão e financiamentos comprometessem praticamente todo o benefício, deixando idosos em situação de vulnerabilidade extrema.

Renegociação de dívidas permite acordo com todos os credores ao mesmo tempo Quando a dívida foge do controle, a Lei do Superendividamento permite que idosos busquem renegociação de dívidas de forma ampla, reunindo todos os credores em um único processo. A legislação prevê audiência conciliatória e elaboração de um plano de pagamento que respeite a capacidade financeira real do devedor, sem comprometer o mínimo existencial.

Entram nessa renegociação de dívidas empréstimos pessoais, crédito consignado, cartões de crédito, financiamentos e contas de serviços essenciais. Ficam de fora obrigações que não têm natureza de consumo, como tributos, pensão alimentícia, crédito rural e financiamento imobiliário. Para os idosos que têm dívidas espalhadas em vários bancos e financeiras, a possibilidade de reunir tudo em um único plano é o que torna a lei tão relevante.

Crédito consignado e cartões são os maiores vilões do endividamento de idosos O crédito consignado é o produto financeiro mais presente na vida dos idosos brasileiros, e também o que mais contribui para o endividamento. Como o desconto é feito diretamente na aposentadoria, muitos aposentados acumulam múltiplos contratos sem perceber que os descontos somados estão consumindo uma parcela insustentável da renda. Os cartões de crédito consignado agravam o problema porque funcionam com desconto automático do valor mínimo, enquanto os juros sobre o saldo restante continuam crescendo.

Onde buscar ajuda para usar os direitos previstos na lei Os idosos que precisam acionar a Lei do Superendividamento podem buscar auxílio nos Procons, que realizam audiências de conciliação entre consumidores e credores. A plataforma consumidor.gov.br também permite registrar reclamações contra bancos que descumprem as regras de crédito responsável. Além disso, a portabilidade de crédito é uma ferramenta que permite transferir o crédito consignado para outra instituição com juros menores.

Para idosos que não sabem por onde começar, o primeiro passo é consultar o Registrato do Banco Central para ter o retrato completo das dívidas e depois procurar o Procon para iniciar o processo de renegociação.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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