Um dos marcos arquitetônicos e históricos da região central de Congonhas, o Hotel Congonhas — popularmente conhecido como Hotel do Jucão — voltou ao centro das discussões no Legislativo Municipal. Através de requerimento oficial, a Câmara de Vereadores solicitou à Secretaria de Planejamento esclarecimentos urgentes sobre a paralisia das obras no imóvel, que se arrasta há vários anos.
Revitalização da Rua Vitor de Freitas
Além da estrutura do hotel, o pedido de informações abrange a área envolvente, especificamente a Rua Vitor de Freitas. O local abriga uma escadaria histórica que margeia a linha férrea, considerada um património visual e cultural do centro da cidade.
O Legislativo quer saber se existe um projeto integrado de revitalização que contemple:
- A conclusão definitiva das obras do Hotel do Jucão;
- A recuperação da escadaria histórica;
- A urbanização do entorno para fomentar o turismo e o comércio local.

Expectativa de Resposta
O Hotel do Jucão é visto por muitos moradores como um símbolo de abandono no coração de Congonhas. A resposta do Poder Executivo será fundamental para definir se há um cronograma real de entrega ou se o imovel continuará à espera de definição. A Secretaria de Planejamento deverá apresentar os documentos e justificativas técnicas sobre o andamento dos contratos mencionados nos próximos dias.
A história
Na década de 1960, o Sr. Florisbelo Pereira — o Jucão — abriu a pensão que levaria seu nome, transformando o endereço em ponto de encontro da cultura popular. Grande incentivador do congado, manteve viva a festa em homenagem a Nossa Senhora, que tomava as ruas de maio e outubro, saindo dali em direção à Igreja do Rosário.
O imóvel, desapropriado pelo município, tem proteção apenas por integrar o conjunto urbano tombado pelo IPHAN em 1941. No âmbito local, porém, não há registro de tombamento específico. Curiosamente, o perímetro estabelecido em 2010 para o Núcleo Histórico de Congonhas vai da Rua Dr. Victor de Freitas à Avenida Governador Valadares, deixando de fora edificações de reconhecida relevância histórica, como o Hotel Jucão e o Hotel Vartuli.
Corrigir essa lacuna exigiria a elaboração de um novo dossiê de tombamento, capaz de ampliar a proteção ao patrimônio urbano. Nesse sentido, há uma iniciativa da Prefeitura para resguardar o núcleo urbano da Estação Ferroviária. O projeto pretende incluir as construções do entorno — entre elas o Jucão, o Vartuli e o antigo embarcadouro da Crusul — assegurando a conservação de um conjunto histórico mais amplo e representativo da cidade.
Entretanto, o prédio histórico não pode esperar; se nada for feito agora, restará apenas um monte de entulho onde, por décadas, pulsou vida, música, fé e tradição. Que o poder público intervenha para salvar a Pensão do Jucão antes que a última parede caia, pois, a memória não se reconstrói depois que desaba.





