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Brasil muda de patamar e atinge pela primeira vez nível de muito alto desenvolvimento humano, mostra IBGE

Indicador inédito coloca o Brasil na faixa mais alta do desenvolvimento humano municipal, mas o avanço perde força quando desigualdades de renda, raça, gênero e território entram no cálculo, revelando diferenças que ainda afastam parte da população dos ganhos registrados no país.

O Brasil alcançou em 2024, pela primeira vez, a faixa de muito alto desenvolvimento humano no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), ao atingir 0,805 ponto, maior marca da série analisada pelo Pnud, em parceria com a Fundação João Pinheiro e o IBGE. O resultado consta no Radar IDHM, relatório que acompanha a evolução do indicador entre 2012 e 2024. Nesse intervalo, o índice nacional passou de 0,744 para 0,805, avanço que levou o país ao patamar mais elevado da classificação usada no levantamento.

Apesar da melhora no indicador geral, o cálculo ajustado à desigualdade mostra um retrato diferente. Quando entram na conta as perdas associadas a renda, educação, longevidade e condições sociais, o Brasil deixa a faixa de muito alto desenvolvimento humano e aparece em nível médio. Esse contraste é apresentado pelo relatório como evidência de que a média nacional não traduz, sozinha, as condições vividas por toda a população.

IDH-M do Brasil avança, mas desigualdade reduz alcance do resultado O IDH-M mede três dimensões: longevidade, educação e renda. Entre 2012 e 2024, houve crescimento nas três. A educação foi o componente com maior evolução (aumento médio anual de 1,35%), embora tenha registrado queda pontual em 2021, devido à pandemia. Longevidade e renda avançaram em ritmo menor (0,31% ao ano). No caso da longevidade, o indicador voltou a crescer após as perdas dos anos críticos da crise sanitária (2020-2021). Na dimensão renda, a trajetória foi oscilante, refletindo efeitos da crise econômica iniciada em 2015 e as consequências da pandemia sobre o mercado de trabalho.

Desigualdade racial e de gênero O Radar IDHM registra redução da distância entre brancos e negros, mas a diferença permanece relevante. De 2012 a 2024, o IDH-M da população branca passou de 0,804 para 0,851; o da população negra subiu de 0,694 para 0,774. A diferença caiu de 14% para 9%, mas grupos historicamente vulneráveis seguem com indicadores inferiores. No IDH-M ajustado à renda do trabalho, as mulheres aparecem em desvantagem durante toda a série: o índice dos homens subiu de 0,737 para 0,802, enquanto o das mulheres passou de 0,736 para 0,798.

Desenvolvimento humano e distâncias regionais Todas as 27 unidades da federação chegaram em 2024 a faixas de alto ou muito alto desenvolvimento humano, mas apenas nove ficaram acima do índice nacional, todas no Sul e Sudeste. O estudo aponta variações significativas:

  • Expectativa de vida: de 74,32 anos (Amapá) a 79,75 anos (Distrito Federal).
  • Renda domiciliar per capita: de R$ 482,46 (Maranhão) a R$ 1.465,10 (Distrito Federal).
  • Educação (Ensino fundamental completo): de 59,14% (Paraíba) a 83,37% (Distrito Federal).

Renda permanece entre os principais desafios A renda foi o componente com avanço mais limitado (de 0,456 em 2012 para 0,508 em 2024). Bettina Ferraz Barbosa, coordenadora de Desenvolvimento Humano do Pnud, destaca que, diferentemente de saúde e educação, a dimensão renda reage diretamente ao que acontece no mercado e no setor privado. Segundo ela, o país precisa construir um pacto envolvendo poder público, setor privado e sociedade civil para levar o Brasil a um patamar mais alto de renda e ampliar os efeitos do desenvolvimento humano.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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