Museu contribuirá para diversificação econômica de Congonhas

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Autoridades do Município, do Estado e da União foram unânimes em afirmar que o Museu de Congonhas e as ações do PAC Cidades Históricas ajudarão a fomentar o turismo, diversificando a economia da cidade.

Milhares de pessoas acompanharam a inauguração do Museu de Congonhas entre a manhã e a tarde desta terça-feira, 15. Entre as autoridades recebidas na cidade pelo prefeito Zelinho, a primeira-dama Miriam Schwab e o vice Arnaldo Osório, estiveram a presidenta Dilma Rousseff, o ministro da Cultura Juca Ferreira, o governador em exercício e presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Pedro Bitencourt Marcondes e o Côngeno João Francisco Ribeiro, representando o arcebispo de Mariana, Dom Geraldo Lírio. Apesar da expectativa que havia por manifestações pró e contra a presidenta, o evento transcorreu em clima de tranquilidade que só foi interrompido por alguns gritos de protesto no início do evento.

O Museu de Congonhas foi construído em uma parceria da UNESCO, IPHAN e Prefeitura de Congonhas e patrocínio da Vale, Gerdau, CSN, BNDS, Banco Santander. Colaboraram para esta realização também a Arquidiocese de Mariana e a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos.

A presidenta Dilma Rousseff recebeu das mãos do prefeito Zelinho e do diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (FUMCULT), gestora do Museu, Sérgio Rodrigo, um terço e uma santa cruz, que a exemplo de outros souveniers representativos da cultura de Congonhas serão comercializados no receptivo do novo equipamento, e livros sobre o Patrimônio Histórico local. Além disso, Dilma foi condecorada com Comenda Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), que será entregue a outras personalidades nesta quinta-feira, 17.

Anfitrião da festa, o prefeito Zelinho em seu discurso agradeceu os parceiros da construção do novo monumento e afirmou que estava sendo uma honra receber a presidenta Dilma em Congonhas. E seguiu: “Recebo em nome do meu povo e da minha terra esta obra monumental que representa o marco na história da cultura e arte do Brasil. Nele se preservará a memória de uma cidade, a fé de um povo, a consciência da história de Minas e do Brasil e representa a luta pela preservação do maior conjunto estatutário do barroco das Américas. Sinto-me emocionado e orgulhoso e agradeço a Deus o privilégio de vê-lo concluído e entregue à cidade e ao mundo em nosso governo”, admitiu.

Dilma iniciou seu pronunciamento se dirigindo aos congonhenses. “Cumprimento o povo de Congonhas, cidade que é a pátria histórica do Brasil” e aos componentes do Coral Cidade dos Profetas que executaram o Hino Nacional Brasileiro, ao som de violino e da voz da cantora Carmem Célia, e fizeram uma apresentação para ela durante sua visita ao Museu. Sobre a inauguração, comentou: “O Museu de Congonhas, me disseram, é um sonho que demorou 12 anos para se tornar realidade, pelas mãos de muitas pessoas e sobretudo com uma grande capacidade de superar desafios dos órgãos e pessoas envolvidas neste processo. Este equipamento é de extraordinária importância, criando várias possibilidades para a cidade e a região. Foi criado em função da existência do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, que um Patrimônio Cultural Mundial, e trará mais conhecimento sobre um período cultural rico, que contou com nomes como Aleijadinho e Mestre Ataíde, dois grandes artistas da história do nosso País, e sobre as expressões religiosas relacionadas à devoção ao Bom Jesus de Matosinhos. A intenção é transformar o Museu em um centro de referência para estudo do Barroco e da Pedra Sabão. Muitas outras iniciativas virão com objetivo de conservar e preservar monumentos em pedra, em especial os de pedra-sabão. Nos 30 anos do título de Patrimônio Cultural Mundial do Santuário, é simbólico que estejamos aqui inaugurando este Museu, que se torna outro Patrimônio. Criado com destacada participação da Prefeitura, o Museu existe pela importância dada pelo povo de Congonhas e pela força empenhada por ele na preservação de seus monumentos”, comentou a presidenta, lembrando ainda todo o trabalho conjunto de tentativa de preservar as estátuas dos profetas, as capelas, as imagens das cenas dos Passos da Paixão e os jardins.

As obras do PAC Cidades Históricas, em Congonhas, também foram citadas por Dilma. Das dez aprovadas pelo IPHAN, cinco já estão sendo executadas: A requalificação da Alameda das Palmeiras, a criação do Parque Ecológico da Romaria e a requalificação dos elementos artísticos das igrejas Matriz, Rosário e da Basílica. Também estão aprovadas e aguardando autorização de Brasília para serem executadas as ações do Museu da Imagem e Memória, do prédio da Antiga Câmara Municipal que receberá a Biblioteca Municipal, do Centro Cultural Romaria, do Cine Teatro Leon e do Adro da Basílica, obra esta última de responsabilidade direta do IPHAN.  “Em uma bem sucedida parceria aqui com o prefeito Zelinho e com a Prefeitura de Congonhas, estamos investindo para aumentar a participação das indústrias, da cultura e do turismo na economia, na geração de emprego e na renda da cidade, assim como já acontece em várias cidades do mundo. Compartilhamos com a população de Congonhas o esforço de diversificar a base da produção, para diminuir a dependência da mineração, mas não para acabar com ela”, finalizou.

A presidente do IPHAN, Jurema Machado, aponta uma função que o Museu poderá vir a ter no futuro, mas que, antes de ser exercida, será necessária a realização de mais estudos e um amplo debate. “Nós achávamos importante fazer este Museu para justamente ganhar a confiança da população de Congonhas, que sempre viu com um certo receio a retirada dessas peças (dos 12 profetas de Aleijadinho, esculpidas em pedra-sabão, que se encontram no adro da Basílica) por acreditar que a cidade era pequena e que uma cidade maior, um grande museu pudesse, vamos dizer, “roubar” essas peças da cidade de Congonhas. Isso é absolutamente impossível, tecnicamente inadequado e indesejável, politicamente inviável, socialmente injusto. Ou seja, hoje nós temos um equipamento que é capaz de dar a conservação necessária para essas peças, e se necessário recebê-las aqui (no Museu de Congonhas) em algum momento no futuro”, afirma.

O representante permanente da UNESCO no Brasil, Lucien Muñoz, disse que, “considerando a riqueza do Patrimônio Cultural do Brasil, a UNESCO renova seu compromisso de continuar trabalhar pela valorização deste tesouro. Neste contexto, a participação da implementação do Museu de Congonhas tem sido uma rara oportunidade para poder desenvolver respostas concretas aos desafios de uma proteção de um sítio de Patrimônio Mundial tão belo como o que temos aqui em Congonhas, num marco de oportunidades, mas também de ameaças do desenvolvimento e de uma sociedade contemporânea que está em franca transformação”.

Também marcaram presença à cerimônia o reitor da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, Cônego Leocádio, Padre Pinto Benedito da Roca, Reitor Emérito da Basílica, o presidente da Câmara Municipal, Vagner Luiz de Souza (Coelhinho), a coordenadora de Cultura da Unesco no Brasil, Patrícia Reis, os secretários de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo, e de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, deputados federais e os ex-prefeitos Gualter Monteiro, que assinou o convênio para construção do Museu juntamente com o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, e Anderson Cabido, este em cujo governo a obra do Museu teve início, Dr. Marcos Paulo, coordenador da Promotoria do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, Padre Pinto Benedito da Roca, Reitor Emérito da Basílica, além de prefeitos da região, deputados estaduais e federais.

Opinião popular

Além de fomentar a cultura, preservar a memória e incentivar a atividade turística da cidade, o Museu de Congonhas também incentiva a educação. O diretor de Pesquisa e Extensão do IFMG, Rodrigo de Oliveira Gomes, destaca que o instituto tem uma parceria com a FUMCULT para desenvolver projetos. “O Museu é uma obra de grande importância para a cidade. Enquanto instituição de ensino, precisamos estreitar esses laços. Pensamos justamente no conhecimento para além da sala de aula, fazendo interlocução com a área de arte, história, cultura e desenvolvimento tecnológico. Tentamos desenvolver outras possibilidades de conhecimento”, diz.

Para o morador da Vila São Vicente, o vigia Marco Aurélio Alves, o museu será bom “para a população, os estudantes e a religiosidade, além de melhorar o turismo. A expectativa é de que ele seja algo positivo para a cidade”.

Já a auxiliar de enfermagem, Eneas da Silva Santos, compareceu à cerimônia para não só celebrar a inauguração do Museu de Congonhas, mas também ver a presidente Dilma. “A vinda dela é boa para a cidade. O Museu é muito importante. Ainda não visitei, mas estou ansiosa pra vê-lo”, completa.

Sua concepção surgiu em 2003, quando o então ministro da Cultura, o músico Gilberto Gil, visitou Congonhas e disse ter percebido que não havia estrutura para o visitante ter a noção do que é este lugar. “Este museu vai ajudar as pessoas a ter a compreensão deste sítio histórico, como se fosse uma lupa do Santuário que está do lado de fora”, explica o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas (FUMCULT), Sérgio Rodrigo Reis. “Congonhas tem agora um antes e depois desse museu e da qualificação que o PAC está realizando. Somos uma cidade mineradora e a nossa riqueza está estimada para durar mais 30 anos. Então, tínhamos que buscar outra alternativa. O que fizemos foi aproveitar esta vocação cultural de Congonhas e construir um eixo de desenvolvimento para nós. Congonhas tem turismo forte religioso, é cidade de entretenimento com os grandes eventos que realizamos, mas ainda não tinha um turismo qualificado que deixasse uma verba constante como teremos a partir de agora”, completou.

Nos próximos meses, três livros relacionados ao Museu de Congonhas serão lançados: “Arte e Paixão – Congonhas de Aleijadinho”, de Fábio Franca (editora Com-Arte), “Santo de Casa”, de Márcia de Moura Castro, e “Ex-Votos de Congonhas”, sendo que estes dois últimos foram editados pelo Iphan. A partir de abril, uma programação cultural com cerca de dez shows e teatro ao ar livre também farão parte do circuito.

O Museu de Congonhas lidera um processo de pesquisa para a preservação dos 12 profetas esculpidos em pedra-sabão por Aleijadinho, que correm o risco de sofrer danos irreversíveis. Feitos nos anos 1970, os antigos moldes dos profetas de Congonhas não apresentavam mais as condições necessárias à reprodução. Como medida de sergurança, foram feitas novas cópias.

Os moldes foram digitalizados em 3D, o que correspondeu à primeira aplicação desta tecnologia no Brasil, e compõem o acervo do museu. Para dois profetas – Joel e Daniel – foram produzidos ainda novos moldes em fôrma flexível de silicone, possibilitando a produção de cópias em gesso.

A partir desta quarta-feira, 4, a instituição ficará aberta ao público, de terça a domingo, das 9h às 17h; e quartas, das 13h às 21h. Ingressos: R$ 10. Haverá visitas mediadas oferecidas a grupos espontâneos. Informações: (+55-31) 3731-3056.

Fotos:divulgação/SECOM