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Congonhas: conheça o primeiro museu de sítio do Brasil


Existe um lugar, no município de Congonhas, na região Central de Minas, onde o visitante é transportado para o período colonial brasileiro. De imediato, pode-se pensar na Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, com as 12 estátuas de profetas esculpidas em pedra-sabão pelo maior nome do barroco brasileiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Mas, ao conhecer esse percurso, o ideal é que ele seja feito antes da ida ao santuário. 

Em uma caminhada por salas fechadas, a viagem no tempo se dá pelo contato com ex-votos (objetos oferecidos por fiéis em agradecimento por graças alcançadas), pelo passo a passo da construção da basílica, pela história das capelas e esculturas que contam a Paixão de Cristo e até por ferramentas semelhantes às usadas por Aleijadinho na confecção do maior conjunto de arte colonial do país. Trata-se da exposição e da expografia permanentes do Museu de Congonhas, o primeiro do Brasil instalado no próprio sítio histórico.

A Basílica do Senhor Bom Jesus do Matosinhos e os 12 profetas de Aleijadinho – Foto: Alex de Jesus / O Tempo

O edifício, de arquitetura contemporânea, tem 3.452,3 m² e chama a atenção de peregrinos e turistas que querem explorar o complexo artístico de Congonhas, no centro histórico. A proposta de que o passeio pelo museu anteceda o tour pela cidade se deve à função da instituição: expandir a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões da Basílica do Bom Jesus de Matosinhos. Quem vai à exposição, passa a conhecer os bastidores das construções e das obras, uma imersão que combina o uso de tecnologia interativa ao material do acervo.

“O museu complementa a visita ao santuário. Diferentemente dos museus tradicionais, por ser um museu de sítio, ele está inserido no local onde os acontecimentos históricos ocorreram. Isso permite ao visitante experimentar a memória de maneira mais autêntica e significativa”, afirma Marco Carmo, gerente do Museu de Congonhas.

Instalação aborda os passos da Paixão de Cristo de forma explicativa – Foto: Alex de Jesus / O Tempo

Ele acrescenta que o roteiro de visitação atende a diferentes perfis de público — de devotos a famílias em passeio e curiosos com a história local. “O acervo é formado, além do patrimônio material, também pelo imaterial, ao reunir tradições e narrativas da cidade”,salienta.

Além das instalações fixas, o espaço recebe exposições e experiências temporárias, como “Aleijadinho Virtual”, que usa tecnologia de realidade aumentada para mostrar as obras do artista em 3D, com uma projeção do próprio Aleijadinho. Sucesso de público, a exposição tem previsão de nova temporada em 2026, com possível início em fevereiro.

“Para o turista que vem pela história, pela cultura barroca ou pela fé, o nosso museu é extraordinário. Quem já conhece Congonhas, precisa voltar só para conhecer o museu”, convida o prefeito da cidade, Anderson Cabido (PSB).

Exposição no museu fixa a “igreja como obra de arte” – Foto: Alex de Jesus / O Tempo

O Museu de Congonhas está com um plano de ampliação em vigor, que prevê a implantação da Galeria dos Profetas. A instalação será uma réplica do adro da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, com reproduções digitais dos 12 profetas de Aleijadinho. 

A proposta é que os turistas possam circular livremente e se aproximar de forma mais natural das obras. A tecnologia de escaneamento utilizada na confecção é uma produção do próprio museu, desenvolvida em ações coordenadas pela Unesco, em parceria com pesquisadores que estudam a preservação do patrimônio e o uso da pedra-sabão.

Cópias em gesso dos profetas Joel e Jonas foram produzidas e já estão no museu – Foto: Alex de Jesus / O Tempo

 “É um projeto de cerca de dois anos. A prefeitura já está seguindo os trâmites necessários junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e à Arquidiocese de Mariana, que decidem sobre as imagens originais. Neste primeiro trimestre, iniciamos o escaneamento das peças”, explica o gerente do museu, Marco Carmo.

As cópias também serão uma medida de segurança essencial para a reprodução das peças em caso de danos irreversíveis aos originais. Para dois profetas — Joel e Jonas — já foram produzidos moldes em fôrma flexível de silicone, possibilitando a confecção de cópias em gesso. Eles já estão expostos no museu.

Serviço:

Museu de Congonhas: A visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, com ingressos a R$ 10. Às quartas-feiras, a entrada é gratuita, com horário das 13h às 21h. Confira a programação de férias no museu pelo Instagram @museudecongonhas ou acesse o site Museu de Congonhas.

FONTE: O tempo

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