Um documento oficial da Secretaria Municipal de Saúde, obtido com exclusividade, joga luz sobre a real situação do acesso a exames de média e alta complexidade na rede pública do município. O Ofício nº 172/2026/GCA/SMS/PMCL, enviado em resposta a um requerimento da vereadora Regina Costa, detalha os números da demanda reprimida e os prazos que os pacientes enfrentam para conseguir um diagnóstico.
O relatório, assinado digitalmente em maio de 2026 pela gerente de Controle, Avaliação e Auditoria, Larissa Marília Ferreira Henrique, e pelo secretário de Saúde, Rodrigo Souza Santos, revela um cenário preocupante para exames do aparelho digestivo, contraposto por filas zeradas em procedimentos de biópsia.
O Gargalo da Saúde: Mais de 3,8 mil pessoas esperam por Endoscopia e Colonoscopia
Os dados mais críticos do levantamento apontam que a maior concentração de pacientes aguardando atendimento está nos exames preventivos e de diagnóstico do sistema digestório. Juntas, as filas para esses dois procedimentos somam 3.814 exames reprimidos:
- Colonoscopia: É o maior gargalo da rede municipal, com 1.986 pacientes na fila de espera.
- Endoscopia Digestiva: Registra uma demanda reprimida de 1.828 exames.
Em contrapartida, o setor de imagem apresenta números significativamente menores, embora ainda expressivos:
- Ressonância Magnética: 460 exames aguardando agendamento.
- Tomografia Computadorizada: 230 exames na fila de espera.
Alento na Oncologia: No meio do relatório, uma informação positiva se destaca: atualmente, não há fila de espera para a realização de biópsias no município.
Dois Meses de Espera por Imagem
Para os pacientes que aguardam por diagnósticos de alta tecnologia, o tempo médio estimado para conseguir realizar o procedimento é de aproximadamente 60 dias, tanto para a Tomografia Computadorizada quanto para a Ressonância Magnética. A Secretaria de Saúde pondera, no entanto, que esses prazos não são fixos. “Os prazos podem sofrer alterações conforme classificação de prioridade, disponibilidade de vagas e pactuações regionais”, esclarece o texto oficial.
Prioridade Oncológica: Rigor Técnico no Protocolo
Diante do cenário de espera, a Prefeitura de Conselheiro Lafaiete reforçou que a ordem de atendimento não é cronológica, mas sim baseada em critérios clínicos e prioridade assistencial regulados por médicos do SUS, com foco absoluto em casos de suspeita ou confirmação de câncer.
Para que o paciente garanta a vaga preferencial em casos oncológicos, a administração exige duas frentes:
- Indicação Médica Expressa: É indispensável que o pedido contenha a suspeita clínica de neoplasia ou justificativa compatível.
- Capacitação da Rede: A pasta assegura que os médicos da rede pública municipal estão devidamente orientados quanto aos fluxos e protocolos de encaminhamento para agilizar o fluxo de suspeitas de câncer.
O teto financeiro e a Programação Pactuada
A explicação técnica para o represamento das vagas gira em torno dos limites operacionais e financeiros do município. Segundo a Gerência de Controle e Avaliação, a oferta de exames depende do teto estipulado pela Programação Pactuada Integrada (PPI), além da capacidade dos prestadores credenciados e das vagas liberadas pela regulação do Estado de Minas Gerais.
O município conclui o documento afirmando que a liberação das vagas ocorre estritamente de acordo com a disponibilidade financeira e assistencial da rede SUS.




