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Parque do Itacolomi revela outra face de Ouro Preto e Mariana

Entre montanhas, ruínas e um mar de Mata Atlântica e Cerrado, o Parque Estadual guarda camadas de história que poucos conhecem, e que merecem ser visitadas na ordem certa.

“Pare, respire, contemple.” A frase poderia ser apenas mais um clichê de viagem. Mas não quando você está no topo do Pico do Itacolomi, a 1.772 metros de altitude, com Ouro Preto de um lado e Mariana do outro. O vento sopra gelado, o silêncio é quebrado apenas pelo canto dos pássaros e, por um instante, o tempo simplesmente para.

Mas o que pouca gente sabe é que o Parque do Itacolomi não se resume ao seu pico emblemático. São mais de 7 mil hectares de história sobreposta: dos indígenas Cataguases que batizaram a montanha de “itacorumi” (pedra-menino) ao posto de fiscalização do ouro no século XVIII. Da gigantesca plantação de chá que tomou conta da Fazenda do Manso nos anos 1940 ao modelo de concessão que hoje mantém o parque aberto e estruturado para receber visitantes.

Localizado entre os municípios de Ouro Preto e Mariana, o Parque Estadual do Itacolomi é um dos mais importantes patrimônios naturais e culturais do estado. Preserva remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado, além de abrigar paisagens de rara beleza, importantes nascentes e vestígios da ocupação histórica da região. Criado em 14 de junho de 1967, é administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG) e integra o conjunto de áreas protegidas da Cordilheira do Espinhaço, sendo gerido por meio de uma concessão de 30 anos à Parquetur, empresa especializada na operação de unidades de conservação.

Uma linha do tempo do Parque do Itacolomi

Era pré-colonial: os Cataguases e o Itacorumi

Muito antes do ouro, dos bandeirantes e das máquinas de chá, este território já tinha nome. Os indígenas Cataguases, do tupi “habitante do cerrado”, foram os primeiros a olhar para a imponente formação rochosa que domina a paisagem e batizá-la de itacorumi, que significa “pedra-menino”. O nome original revela uma relação afetiva e ancestral com a montanha que, séculos depois, se tornaria o grande símbolo do parque.

Século XVIII: a Casa Bandeirista e o controle do ouro

A chegada dos colonizadores ao pé do Itacolomi transformou radicalmente a paisagem e o significado do território. Entre 1706 e 1708, o 2º Guarda-Mor do Distrito das Minas Gerais, Domingos da Silva Bueno, ergueu a Casa Bandeirista, considerada por muitos historiadores o primeiro edifício público de Minas Gerais.

Diferente das construções paulistas de taipa, a casa foi feita em alvenaria de pedra e barro, adaptando-se aos recursos locais. Ali funcionava um posto de fiscalização da Coroa Portuguesa, onde se cobravam os quintos (o imposto sobre o ouro) e se vigiavam os acessos às minas de Ouro Preto e ao Sertão dos Cataguases. Hoje, a Casa Bandeirista é um dos pontos altos do circuito histórico do parque.

Século XX: o mar de chá da Fazenda do Manso

O século XX trouxe uma nova vocação para o solo do Itacolomi: o chá-da-índia (Camellia sinensis). A Fazenda do Manso se tornou uma gigantesca monocultura, chegando a concentrar cerca de 1.800.000 pés de chá na década de 1940.

Em 1932, o proprietário José de Salles Andrade fundou a Fábrica de Chá Edelweiss. O maquinário de origem alemã, hoje exposto no Museu do Chá, moía, secava em esteiras e ensacava o chá colhido nos morros. A produção era exportada até 1950. A Capela de São José, datada de meados do século XX, completa esse retrato da vida comunitária: diz a lenda local que, quando os trabalhadores chegavam perto da área onde se construiu a capela, os burros de carga empacavam, o que foi interpretado como um sinal para homenagear o padroeiro dos trabalhadores.

1967: nasce o Parque Estadual do Itacolomi

Criado em 14 de junho de 1967, o Parque Estadual do Itacolomi (PEIT) preserva remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado, além de abrigar nascentes que abastecem a região. Sua missão vai além da conservação ambiental, unindo pesquisa científica, educação ambiental e visitação sustentável.

Hoje: a concessão da Parquetur

Desde 2023, o Parque do Itacolomi é gerido por meio de uma concessão de 30 anos à Parquetur. Não se trata de privatização: a empresa assumiu a manutenção da infraestrutura, a gestão do uso público e a operação dos serviços (recepção, camping, mediação guiada). O manejo ambiental e as pesquisas científicas continuam sob responsabilidade exclusiva do IEF-MG.

Um parque para todos os perfis de viajantes

  • Para famílias e visitantes casuais: Centro de Visitantes com exposição interativa, Trilha dos Sentidos (percurso acessível), parquinho infantil, quiosques e churrasqueiras. As trilhas na base chegam a no máximo 600 metros.
  • Para aventureiros e montanhistas: A Trilha do Pico do Itacolomi é a experiência mais emblemática, com vista de 360°. O camping tem capacidade para 120 pessoas (30 barracas) com banho quente. O parque também prepara suporte para alpinismo, highline e rapel.

Dicas para curtir uma trilha no Parque do Itacolomi

  • Conectividade: O parque possui sinal de internet praticamente em toda sua área, inclusive no Pico.
  • Horário: Inicie sua trilha antes das 11h. O parque abre às 8h.
  • Vestimenta: Use camadas (camiseta, térmica e casaco) devido às variações de temperatura.
  • Energia: Leve mochila leve com água, isotônico, barrinha de cereal e frutas.
  • Segurança: Mantenha os pés virados para frente ao caminhar para evitar torções.

FONTE: Uai Turismo

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