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Tempestade política: viagens a BH, suspeitas de reembolso em dobro e ameaça de CPI agitam a Câmara de Presidente Bernardes

Três vereadores protocolaram um requerimento solicitando a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostas irregularidades envolvendo quatro parlamentares da Câmara Municipal de Presidente Bernardes. O pedido também requer o afastamento cautelar dos investigados de atos relacionados à tramitação da comissão.O documento foi apresentado pelos vereadores Camilo Leles de Barros, Odair José Teixeira e Vicente Agostinho de Souza e protocolado no último dia 28 de julho, sob o nº 52/2026.

Entre os fatos apontados pelos autores do requerimento está o suposto recebimento indevido de diárias para participação em um curso de capacitação em Belo Horizonte, programado entre os dias 10 e 13 de março. Segundo a denúncia, os vereadores Alef Antônio Goulart, André Quintão Carneiro, Helder Sabino Vidigal e Ademir dos Santos Barbosa, atual presidente da Câmara, teriam permanecido na capital mineira apenas nos dias 12 e 13, mas recebido diárias referentes aos quatro dias do evento.

O requerimento também aponta um possível desvio de finalidade das viagens, alegando que os parlamentares realizaram visitas de caráter político à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante o período em que deveriam participar do curso.

Outro ponto levantado diz respeito ao ressarcimento de despesas com veículos particulares. Conforme a representação, cada vereador solicitou individualmente o reembolso de R$ 576 pelo uso de automóvel próprio. Entretanto, os autores afirmam que apenas dois veículos foram utilizados no deslocamento, indicando possível pagamento em duplicidade. O documento informa ainda que parte dos valores foi devolvida posteriormente por dois dos envolvidos, após questionamentos internos, porém sem atualização monetária.

Com base no Regimento Interno da Câmara, na Constituição Federal, na Lei de Improbidade Administrativa e no Código Penal, os vereadores requerem a criação imediata da CPI, composta por três membros titulares e dois suplentes, respeitando a proporcionalidade partidária e sem a participação dos parlamentares investigados.

O pedido também solicita que os quatro vereadores sejam declarados impedidos de votar a abertura da comissão, com convocação dos respectivos suplentes para assegurar a imparcialidade da deliberação. Além disso, requer que o presidente da Câmara, Ademir dos Santos Barbosa, seja impedido de conduzir as sessões relacionadas ao caso enquanto durar a investigação.

Os autores ainda pedem a adoção de medidas para preservar documentos, registros e imagens que possam servir como prova, bem como o envio imediato de informações ao Ministério Público caso sejam identificados indícios de obstrução das investigações.

Até o momento, os vereadores citados no requerimento não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações. O pedido de instauração da CPI ainda será apreciado pelo plenário da Câmara Municipal. Espaço aberto ao contraditório.

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