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O ribeirão que corre por um distrito mineiro de cachoeiras moveu, de 1903 a 1995, uma usina que ajudava a ventilar as galerias de uma mina de ouro

No distrito de Nova Lima conhecido como Macacos, São Sebastião das Águas Claras destaca-se pela rica herança ligada à mineração de ouro e a antigas hidrelétricas.

Antes das grandes hidrelétricas, muitas indústrias produziam a própria energia aproveitando rios e córregos próximos. Em São Sebastião das Águas Claras, o distrito de Nova Lima conhecido como Macacos, a água que hoje atrai visitantes às cachoeiras também movimentou turbinas: o Ribeirão dos Macacos alimentou, por mais de 90 anos, uma usina construída para servir à mineração de ouro.

O que era a Usina do Gaia?

Uma pequena usina hidrelétrica do início do século XX. Segundo a Câmara Municipal de Nova Lima, a antiga “Casa de Força” foi inaugurada em 1903 para gerar eletricidade com as águas do Ribeirão dos Macacos, por meio de um represamento e de um canal que desviava a água até as máquinas.

Os números mostram o porte modesto da obra. A capacidade inicial era de 310 kVA, com tensão de 2.300 volts e geração em 50 hertz, de acordo com a Câmara. A usina funcionou até 1995, e o prédio é considerado um belo exemplar da arquitetura eclética, estilo que mistura elementos de diferentes épocas.

Por que a mineração precisava dessa energia?

Para iluminar e, principalmente, para ventilar as minas. A Câmara Municipal registra que o objetivo da usina era gerar energia para iluminação, para o funcionamento de máquinas e, sobretudo, para melhorar o sistema de ventilação das galerias, proporcionando melhores condições de trabalho aos mineiros.

A região tem uma longa história ligada ao ouro. A mesma página informa que a Mina de Morro Velho, instalada há mais de 150 anos em Nova Lima, é o único exemplo de mineração subterrânea profunda no país, o que ajuda a entender a importância de levar ar fresco às galerias.

O que mais Macacos guarda da época do ouro?

Um arraial antigo e uma capela tombada. A Câmara Municipal e o patrimônio local ajudam a recompor essa história:

  • Arraial de 1740: O distrito começou a ser povoado na primeira metade do século XVIII e aparecia como arraial no censo da vila de Sabará em 1740, segundo a Câmara.
  • Descoberto dos Macacos: O crescimento do arraial esteve ligado à exploração de ouro no chamado Descoberto dos Macacos, por volta de 1765.
  • Capela de São Sebastião: É uma das poucas construções que restaram do período colonial e foi tombada pelo município pelo Decreto nº 1.657/2000, segundo o ipatrimônio.
  • Cachoeira dos Macacos: A mais frequentada da região forma um salto único de 2 metros entre rochas, com água límpida em torno de 20°C, de acordo com a Câmara.

Como é o clima na região de Macacos?

A serra tem verões chuvosos e invernos muito secos. As médias de 30 anos do Climatempo para Nova Lima mostram dezembro como o mês mais chuvoso, com 273 mm, e julho como o mais seco, com apenas 7 mm.

As condições podem variar entre os anos por fenômenos como El Niño e La Niña, por isso vale conferir a previsão atualizada antes do banho de cachoeira.

Águas que já moveram máquinas

O Ribeirão dos Macacos hoje é sinônimo de lazer, mas por quase um século também foi fonte de energia para o trabalho nas minas. A usina de 1903 lembra que a paisagem tranquila do distrito esteve no centro da economia do ouro.

Você precisa conhecer Macacos, tomar banho de cachoeira e lembrar que aquela mesma água, um dia, ajudou a levar ar e luz às profundezas das galerias de ouro.

fonte: Brasil 247

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