Em novo cenário, festival se consolida como o maior evento de quitandas do Brasil

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Pães, roscas, bolos, biscoitos, doces, pastéis e até a tradicional cachaça mineira foram alguns dos sabores apresentados no 19° Festival da Quitanda, um dos eventos de gastronomia mais prestigiados do Brasil. Logo pela manhã deste domingo, 19, os visitantes puderam não só apreciar as deliciosas receitas preparadas por quitandeiras e quitandeiros de Congonhas e região, mas também curtir apresentações culturais e shows musicais. A festa, realizada este ano na Igreja São José e na Ladeira Bom Jesus, começou nesse sábado, 18, com a Noite de Caldos e Violas.

O evento foi realizado pela Prefeitura de Congonhas, por meio da Secretaria de Cultura, com patrocínio da Liquigás, Supermercados BH, UNA Lafaiete e Sicoob, e apoio do Mercado Central, EMATER e Conselho Municipal de Cultura.

Segundo a pesquisadora Juliana Bonomo, no Brasil existem apenas 32 festivais dedicados à quitanda, sendo que o de Congonhas é o maior deles. A autora da dissertação de mestrado O ofício das quitandeiras: tradição e patrimônio cultural de Minas Gerais”, que mais uma vez prestigiou o evento, solicitou ao IPHAN, em parceria com a Secretaria de Cultura, o reconhecimento do ofício das quitandeiras de Congonhas e de Minas como Patrimônio Imaterial. O resultado deve ser divulgado este ano.

Uma grande viagem gastronômica e cultural levou o público do pé da Ladeira Bom Jesus, passando pelas casas coloniais que também comercializavam produtos, até a Igreja São José. Nesse novo cenário, mais de 30 stands exibiram quitutes tradicionais e outras novidades, vindos de Congonhas e de outras cidades vizinhas, como Conselheiro Lafaiete, Itabirito, Jeceaba, Lagoa Dourada, Ouro Branco, Piranga e Sabará. Preparados na hora, o Cubu e o Chá de Congonha foram distribuídos aos visitantes.

Sucesso das edições anteriores, o Armazém de Secos e Molhados foi montado na Ladeira Bom Jesus, aos moldes das mercearias encontradas, principalmente, nas cidades do interior.

O Grupo de Congado Marujo de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia abriu as apresentações culturais, que também contou com a participação do grupo de canto e dança Negro por Negro. Pelo palco, passaram Força Vocalis, Chico Lobo e Carpiah.

 

Pela terceira vez em Congonhas, o músico Chico Loboressaltou que a identidade cultural mineira passa pela gastronomia, pelas quitandas, pela música e pela viola. Para ele, foi emocionante retornar à cidade onde seu pai nasceu. Esse é um festival que já é reconhecido em toda Minas Gerais e pelo Brasil afora. Então, para mim, é umahonra muito grande. Para mim, estar em Congonhas é rever minhas origens, meus antepassados, minha família Lobo Leite”, completou.

Natural de Brasília, Isabella Haru atualmente mora em São João Del-Rei e, pela primeira vez, veio a Congonhas, especialmente para o Festival da Quitanda. “Estou achando o eventolegal. Gostei, está bastante movimentando. Têm uns shows legais. Aqui tem algumas coisas que vêm do estereótipo do mineiro, como as igrejas coloniaismas têoutras coisas que são muito regionais e que eu não sabia que existiam, como o cubu, o pastel de angu. Então foi interessante descobrir essa parte de Minas Gerais que eu não sabia que existia”.

Concurso de Quitandas

Uma das atrações da festa é o Concurso de Quitandas que premiou as seguintes categorias: Prata da Casa, Quitanda Regional, Comércio Especializado e Melhor Stand. Profissionais da gastronomia compuseram o quadro de jurados, que degustaram as 33 receitas inscritas este ano.

Terceiro melhor mercado do gênero no mundo e eleito em 2017 como “a cara de BH”, o Mercado Central já se consolidou também enquanto parceiro do Festival da Quitanda, tanto que não se esqueceu de Congonhas ao organizar o evento de encerramento de seu aniversário de 90 anos, que será realizado na esplanada do Estádio Mineirão, no dia 14 de setembro. “Prometi ao prefeito Zelinho e à secretária Miriam que as quatro primeiras colocadas deste concurso poderão expor seus produtos lá. Isto é fruto da parceria que temos com Congonhas e a vitória dessas quitandeiras enriquece mais ainda o aniversário do Mercado Central de BH”, disse o diretor superintendente, Luiz Carlos Braga.

Segundo ele, o turista que não conhecia esta outra área histórica de Congonhas teve a oportunidade de vislumbrar as belezas da ladeira e da Igreja de São José Operário. “O prefeito Zelinho e a secretária de Cultura, Miriam Palhares, estão de parabéns novamente, porque, apesar da obra de requalificação da Romaria, conseguiram encontrar um espaço destes para realizarem mais uma edição do Festival da Quitanda. No sábado, participei da Noite de Caldos e Violas e aqui estava muito prestigiado. Neste domingo, as pessoas vieram da Grande Belo Horizonte e do entorno de Congonhas. Prestigiar este trabalho caseiro das quitandeiras valoriza mais ainda a gastronomia mineira, ainda mais agora que o Estado está voltado para a gastronomia. Este é um dos grandes ativos que Minas tem para alavancar sua economia. Então Congonhas está de parabéns por manter este festival e todas as atividades relacionadas a ele durante o ano”, comentou.

Para Edson Piuaticoordenador de gastronomia da UNA e criador  do Prêmio de Gastronomia Eduardo Frieiro, “o Festival da Quitanda de Congonhas é único. Minas Gerais é famosa pelas suas quitandas, sem as quais não teríamos tanta fama assim. O café da manhã do mineiro é um pequeno almoço, como os portugueses chamam, portanto tem um papel muito emblemático para a gastronomia mineira. E o Festival da Quitanda de Congonhas é o maior do Brasil, com participação de diversos municípios e tipos de iguarias, modos de fazer das receitas e formasde apresentar, além de apresentações culturais. O papel mais importante ainda que eu vejo no festival é a inclusão socioeconômica. As pessoas conseguem produzir renda com o que fazem de melhor. Esta é uma forma de projetar esses quitandeiros do entorno de Congonhas.  O Centro Universitário UNA tem como missão transformar o Brasil pela educação para que a pessoa consiga gerar renda para ela. Continuaremos sendo parceiros, disponibilizando professores e alunos que estão se formando para orientar as quitandeiras no que for preciso. Com isso nossos alunos passam a se envolver com esse tipo de trabalho e valorizar as tradições, o interior”. 

Premiadas:

Prata da Casa:

1° lugar: Bolo de Banana Especial – FrancielleResende Dias

2° lugar: Nhoque Mineiro – Lílian Betânia de Souza Costa

Regional:

1° lugar: Pão de Milho com Queijo – Maria das Graças Dias (Jeceaba)

2° lugar: Broa Alegria Caipira – Alessandra Ferreira Brandão Lima (Jeceaba)

Comércio Especializado:

1° lugar: Bolo Pão de Mel – Barraca da Vaguinho (Congonhas)

2° lugar: Broa de Chocolate com Ganache de Laranja – Brigadeiros Gourmet (Congonhas)

Melhor stand:

Clélia Maria Inácio Fonseca – Quitandas da Vovó (Congonhas)

Vencedora da categoria “Prata da Casa”, a quitandeira moradora do Centro da cidade, Franciele Resende Dias, do stand 25 do Festival da Quitanda, participou pela sexta vez do evento.  Até então ela sempre apostava em outras iguarias, como rocambole. “Este ano resolvi mudar, fiz testes, fui juntando ingredientes, incluí a cobertura de ganache para equilibrar a calda de banana que vai por cima e o coco ralado, que traz corânica para o bolo. Nesta receita, não vai leite de vaca, e sim o leite de coco. Este bolo fiz especialmente para o festival. Agora quero capitalizar este prêmio, aceito encomendas (risos)”, avisou a quitandeira que já confirmou presença no evento comemorativo do Mercado Central com seu bolo de banana.

Franciele também aprovou a realização do festival entre a Igreja de São José Operário e a Ladeira Bom Jesus. “Eu estava meio receosa, mas este local é mais central, o acesso é mais fácil, isso aqui ficou parecendo uma vila das quitandas”.

Noite de Caldos e Viola

A chuva deu uma trégua e o frio chegou de mansinho à Cidade dos Profetas, tornando o clima perfeito para a tradicional Noite de Caldos e Violas, realizada na noite desse sábado, 18, na Igreja São José e na Ladeira Bom Jesus. Tiveram caldos para todos os gostos, como de feijão, mandioca e moranga, além de churrasquinho e outros pratos quentinhos.

No palco, a violeira Adriana Farias relembra clássicos Direto de São Paulo, Adriana Farias abrilhantou a Noite de Caldos e Violas, relembrando clássicos da viola caipira, como “Canarinho do Peito Amarelo”, e apresentando músicas autorais, como “Sereno”. “Como é um festival voltado à viola, o pessoal já está com acostumado com o repertório de viola, fiquei muito feliz de terem de ter sido chamada. Tem tudo a ver com o evento. Estou super grata por estar aqui”, disse.

Quem subiu no palco também foi o grupo Tribo de Gonzaga, que fez o público dançar no ritmo do forró. No repertório, canções clássicas como “Anunciação” e “Táxi Lunar”, além de “Cirandeiro”, música autoral.